A fragata Jerônimo de Albuquerque (F201), a segunda unidade da estratégica Classe Tamandaré, zarpou na última quarta-feira, 12 de agosto, das instalações do TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), marcando o início de uma das fases mais críticas de sua construção: os testes de mar. As manobras de saída do complexo naval catarinense foram registradas, simbolizando um passo decisivo para a sua futura incorporação à Marinha do Brasil. Este evento ocorre em alinhamento com o cronograma previamente divulgado pela instituição, que prevê a entrega do navio para o primeiro semestre de 2027. O Vice-Almirante Marcelo Silva Gomes, diretor de Gestão de Programas da Marinha, já havia comunicado em junho que os testes de mar da F201 teriam início em agosto de 2026, reafirmando o compromisso com o avanço do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT).
Esta etapa de avaliação em mar aberto é fundamental para verificar o desempenho da fragata em condições operacionais reais e para assegurar a integração plena dos complexos sistemas e equipamentos instalados durante a fase de acabamento no estaleiro. Os testes são projetados para validar a prontidão do navio em múltiplas dimensões, garantindo que ele atenda aos rigorosos padrões exigidos para missões de defesa e segurança.
A avaliação técnica e operacional dos sistemas
Embora o itinerário detalhado desta primeira campanha de testes da fragata Jerônimo de Albuquerque não tenha sido tornado público, o protocolo para a aceitação de uma embarcação deste porte envolve uma série de avaliações progressivas e abrangentes. Inicialmente, são testados sistemas essenciais como a propulsão, que garante a mobilidade e velocidade do navio; a geração e distribuição de energia elétrica, crucial para alimentar todos os equipamentos de bordo; a automação, responsável pela eficiência operacional; e o governo do navio, que abrange leme e sistemas de direção. Além disso, verificam-se os sistemas de navegação e comunicações, indispensáveis para a operação em ambiente marítimo, bem como o comportamento marinheiro da fragata em diversas condições de mar, avaliando sua estabilidade e resistência.
O precedente para esta fase foi estabelecido pela fragata Tamandaré (F200), a primeira unidade da classe, que realizou sua saída inicial para testes em agosto de 2025. Naquela ocasião, a Marinha do Brasil informou que foram submetidos a testes rigorosos a integração dos sistemas de propulsão, geração de energia e automação, confirmando o desempenho do navio em alto-mar antes das fases subsequentes de aceitação. A expectativa é que a F201 siga um roteiro de testes similar, avançando, em etapas posteriores, para avaliações mais complexas. Estas incluem a verificação de sensores avançados, como o radar multifunção AESA Hensoldt TRS-4D, o sistema de gerenciamento de combate Atlas-ANCS – integrado pela Atech em colaboração com a Atlas Elektronik – e outros equipamentos críticos associados à capacidade operacional plena da embarcação.
Com aproximadamente 107 metros de comprimento, um deslocamento de cerca de 3.500 toneladas e a capacidade de atingir velocidades superiores a 25 nós, a Jerônimo de Albuquerque representa um robusto ativo naval. A complexidade e a sofisticação de seus sistemas exigem um processo de validação exaustivo para garantir sua eficácia em futuras operações.
O avanço do programa fragatas classe Tamandaré
A saída da F201 para os testes de mar ganha um simbolismo particular ao ocorrer aproximadamente um ano após a primeira incursão da Tamandaré (F200) em águas abertas, em 12 de agosto de 2025. Após concluir com sucesso suas próprias campanhas de testes e os trabalhos finais, a Tamandaré (F200) foi formalmente incorporada à Marinha do Brasil em 24 de abril de 2026, tornando-se o primeiro navio da nova classe a entrar oficialmente em serviço ativo. A Jerônimo de Albuquerque, seguindo os passos de sua predecessora, inicia agora um caminho semelhante de validação e preparação operacional.
A construção da Jerônimo de Albuquerque teve início em 1º de novembro de 2023, com o corte da primeira chapa de aço, marcando a formalização do projeto. O batimento de quilha, etapa que simboliza o início da montagem estrutural do navio, ocorreu em junho de 2024. A cerimônia de batismo foi realizada em 8 de agosto de 2025, no próprio TKMS Estaleiro Brasil Sul. Após essa etapa cerimonial, o navio foi colocado na água para a continuidade da instalação e integração de seus diversos sistemas, preparando-o para os atuais testes de mar.
O nome da fragata homenageia Jerônimo de Albuquerque, figura histórica de grande relevância, reconhecido como o primeiro brasileiro nato a comandar uma força naval. No início do século XVII, Albuquerque desempenhou um papel crucial nas operações militares contra os franceses no Maranhão, defendendo o território que posteriormente viria a compor o Brasil, um legado de coragem e defesa nacional que a Marinha busca perpetuar.
Este programa estratégico, denominado Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), é gerenciado pela Marinha do Brasil e pela EMGEPRON. Ele se desenvolve em uma parceria robusta com a SPE Águas Azuis, consórcio formado pela TKMS e Embraer Defesa & Segurança, e conta com a participação vital da Atech no desenvolvimento e integração dos sistemas. A saída da F201 para testes reflete o dinamismo e o avanço contínuo do PFCT, que simultaneamente gerencia várias unidades em diferentes estágios de desenvolvimento. Atualmente, a Tamandaré (F200) já se encontra incorporada à Esquadra, enquanto a Jerônimo de Albuquerque (F201) entra na fase de testes de mar. A terceira unidade, Cunha Moreira (F202), foi lançada em junho de 2026 e prossegue com os trabalhos de acabamento e integração de sistemas, e a quarta fragata, Mariz e Barros (F203), segue o cronograma de construção nas instalações do estaleiro.
As fragatas da Classe Tamandaré foram concebidas como escoltas multipropósito, projetadas para executar uma ampla gama de missões, incluindo guerra de superfície, defesa antiaérea, guerra antissubmarino e interdição marítima. Segundo a Marinha, esta nova geração de navios-escolta é fundamental para ampliar significativamente a capacidade de defesa da vasta área marítima conhecida como Amazônia Azul e para iniciar a substituição progressiva da frota existente, garantindo a modernização e a projeção de poder naval do Brasil.
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