A empresa alemã de desenvolvimento de drones, Helsing, firmou uma colaboração estratégica com a gigante japonesa de e-commerce e serviços financeiros, Rakuten, com o objetivo de auxiliar na concretização de um acordo para a venda de seus sistemas não tripulados ao exército do Japão. Esta informação foi confirmada na última segunda-feira por um porta-voz da Rakuten, ressaltando o movimento de Tóquio em direção à modernização de suas capacidades militares. Atualmente, as Forças de Autodefesa Terrestres do Japão estão em processo de testes com o drone de ataque HX-2 da Helsing, uma iniciativa que se estenderá até o final de setembro. Este esforço de modernização é uma resposta direta à crescente proatividade e afirmação da China na região, buscando fortalecer a defesa japonesa.
Um porta-voz da Helsing, sediada em Munique, indicou que um "acordo inicial" para a utilização de seus sistemas pelo governo japonês foi estabelecido no início deste ano. A concretização desse passo fundamental foi viabilizada, segundo a empresa, por um "parceiro de corretagem local" não especificado, que agora se sabe ser a Rakuten. As Forças de Autodefesa Terrestres do Japão, ao serem procuradas para comentar sobre o assunto, não ofereceram uma resposta imediata. A participação da Rakuten neste empreendimento com a Helsing foi inicialmente divulgada pelo influente jornal japonês Nikkei, evidenciando o interesse midiático e estratégico em torno da colaboração.
Ampliação da capacidade de defesa japonesa e o papel das startups
Embora o conglomerado Rakuten, com sede em Tóquio, possua uma experiência limitada no setor de defesa tradicional, a empresa está direcionando seus esforços para facilitar a entrada de mais startups na indústria de defesa do Japão. Essa estratégia representa um posicionamento estratégico da Rakuten em um segmento crucial para a segurança nacional. Hideaki Mukai, chefe de gabinete do CEO da Rakuten, enfatizou em um comunicado à Reuters que "incentivar uma maior participação de startups na indústria de defesa do Japão representa uma oportunidade importante para fortalecer as capacidades de defesa do país". Mukai destacou que as startups frequentemente se deparam com barreiras estruturais significativas, que incluem sistemas de aquisição complexos, dificuldades na comunicação com as agências governamentais e ciclos de aquisição desafiadores. Diante disso, a Rakuten visa atuar como uma ponte para superar essas lacunas, utilizando sua vasta experiência e capacidades para conectar empresas emergentes e tecnologias de ponta às necessidades específicas das agências governamentais, impulsionando, assim, a inovação e o desenvolvimento contínuo na indústria de defesa japonesa.
Interesse global e o posicionamento da Rakuten na indústria de defesa
O considerável aumento nos gastos militares do Japão, somado ao relaxamento das regras de exportação de armas implementado no início deste ano, despertou um forte interesse por parte de empresas de defesa estrangeiras. Essas companhias buscam ativamente parcerias locais para adentrar um mercado potencialmente lucrativo e em expansão. Este cenário geopolítico e econômico favorável explica o dinamismo atual da indústria de defesa japonesa e a atração que exerce sobre players globais.
Um exemplo anterior da incursão da Rakuten no setor de defesa, conforme reportado previamente pela Reuters, ocorreu quando a empresa auxiliou a Swarmer, fabricante ucraniana de software para drones listada nos EUA, na organização de uma demonstração de sua tecnologia para uma unidade militar japonesa no início do ano. O teste, realizado no final de abril, envolveu a utilização de software de inteligência artificial para coordenar um enxame de drones em uma missão de busca e ataque no Japão. O fundador bilionário da Rakuten, Hiroshi "Mickey" Mikitani, tem sido um dos mais vocais apoiadores da Ucrânia no Japão, e sua empresa também estendeu apoio a outras companhias de defesa ucranianas para que exibissem seus produtos em feiras de armamentos no país asiático.
Trajetória e expansão da Helsing no cenário de defesa europeu
Fundada em 2021, a Helsing inicialmente concentrava suas atividades no desenvolvimento de software de inteligência artificial, projetado especificamente para analisar dados de campos de batalha. Posteriormente, a empresa expandiu significativamente seu escopo de atuação, passando a incluir drones de ataque autônomos, sistemas de vigilância submarina e diversas aplicações para aeronaves militares. Essa diversificação reflete a capacidade de inovação e adaptação da empresa às demandas complexas e multifacetadas do setor de defesa moderno.
A trajetória da Helsing é marcada pelo sucesso na obtenção de contratos importantes com governos e empresas de defesa europeias. Além disso, a empresa tem desempenhado um papel crucial no fornecimento de drones para a Ucrânia, um esforço apoiado por financiamento do governo alemão. A solidez e o potencial da firma com sede em Munique foram ainda mais consolidados em julho, quando levantou 1,8 bilhão de dólares em uma rodada de financiamento, estabelecendo-se firmemente como a startup de tecnologia de defesa mais bem financiada do continente europeu.
O engajamento de empresas de tecnologia inovadoras como a Helsing, aliada ao apoio de grandes corporações como a Rakuten, sublinha a dinâmica global de modernização da defesa. Para acompanhar as análises mais aprofundadas sobre geopolítica, segurança e as últimas tendências no setor militar, siga a OP Magazine em todas as nossas redes sociais e mantenha-se informado com conteúdo exclusivo e de alta qualidade.










