O Ministério da Defesa Nacional (MND) da Coreia do Sul deu um passo significativo para a concretização de seu programa de submarinos de ataque movidos a energia nuclear, o Jangbogo-N, ao emitir um aviso legislativo para um ato especial. Esta legislação proposta visa estabelecer um arcabouço jurídico robusto e abrangente que contemple a aquisição, a operação e a gestão da segurança nuclear desses submarinos. A Marinha da República da Coreia (ROK Navy) tem como objetivo estratégico lançar seu primeiro submarino de ataque com propulsão nuclear em meados da década de 2030, marcando uma nova era em suas capacidades de defesa marítima e projeção de poder naval. Este desenvolvimento legislativo é crucial para formalizar e estruturar as ambições navais sul-coreanas em um programa nacional coeso e regulamentado.
O avanço legislativo e o cronograma
O processo legislativo para o estabelecimento do programa Jangbogo-N avançou com a publicação, em 29 de julho, do Projeto de Lei Especial sobre a Aquisição, Operação e Gestão de Segurança de Submarinos de Propulsão Nuclear, aberto para consulta pública. Este período de consulta estender-se-á até 7 de setembro, oferecendo a oportunidade para diversas partes interessadas contribuírem com suas perspectivas e sugestões. Após a conclusão dessa fase, o Ministério da Defesa Nacional planeja submeter o projeto de lei à Assembleia Nacional para deliberação e votação. A aprovação e promulgação deste ato especial antes do final de 2026 foram definidas como um objetivo político central do ministério. No entanto, o projeto de lei ainda dependerá de uma revisão governamental aprofundada e da aprovação parlamentar para sua conversão em lei efetiva. Embora o aviso legislativo em si não confira autorização imediata para a construção dos submarinos, ele representa um marco essencial ao converter as aspirações da Coreia do Sul em possuir submarinos nucleares em um programa nacional estruturado e formalmente reconhecido.
O imperativo da não proliferação nuclear
Um dos aspectos mais relevantes e cuidadosamente formulados do projeto de lei é sua linguagem explícita sobre a não proliferação de armas nucleares. A legislação proposta estabelece categoricamente que o programa não tem como finalidade o desenvolvimento, fabricação, posse ou uso de armas nucleares. Adicionalmente, ela estipula que o material nuclear envolvido não deve ser desviado para fins bélicos ou utilizado de qualquer forma que possa comprometer a confiança no regime internacional de não proliferação. O projeto de lei também incorpora compromissos claros com o cumprimento do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e com a plena cooperação nos procedimentos de verificação que envolvem a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e outras organizações internacionais pertinentes. Ao formalizar esses compromissos em sua legislação interna, Seul busca reforçar a distinção fundamental entre a propulsão nuclear naval e o armamento nuclear. Esta medida é de importância estratégica para manter a confiança de aliados como Washington e das instituições internacionais de salvaguardas nucleares, à medida que a Coreia do Sul ingressa no campo sensível da propulsão nuclear para fins militares.
A estrutura legal detalhada para o Jangbogo-N
A justificativa para a criação de uma lei específica para o programa Jangbogo-N reside na sua natureza singular. Segundo o Ministério da Defesa Nacional, o arcabouço legal existente na Coreia do Sul possui limitações para gerir submarinos de propulsão nuclear como um programa unificado, visto que combinam, pela primeira vez na história do país, um sistema de armas militar com propulsão nuclear. O desenvolvimento e a operação desses vetores, portanto, abrangem múltiplas áreas do direito, incluindo a aquisição de defesa e a gestão da segurança nuclear, demandando uma legislação integrada.
No cerne do ato proposto está uma nova estrutura de governança para o programa. Ele prevê a elaboração de um plano básico para o programa e a instituição de um Comitê Estratégico de Submarinos de Propulsão Nuclear, que estará sob a égide do primeiro-ministro. Essa estrutura centralizada garantirá que a aquisição, operação e gestão da segurança sejam conduzidas sob um arcabouço legal dedicado e coeso. A segurança nuclear, em particular, constitui uma parte substancial do projeto de lei. O texto prevê um plano de segurança nuclear de longo prazo, avaliações e inspeções rigorosas, requisitos de aprovação para reatores navais e instalações relacionadas ao combustível, além de regras claras para a gestão de resíduos radioativos e combustível gasto.
O arcabouço legal também se estende aos recursos humanos e à base industrial necessários para a sustentação do programa. As disposições abrangem a certificação, educação e treinamento de pessoal, requisitos de relatórios e inspeções, o apoio a instituições especializadas, o desenvolvimento da força de trabalho, o fomento à base industrial e a cooperação internacional. Universidades e instituições de pesquisa poderão ser designadas e apoiadas como centros de treinamento para o pessoal especializado. Os procedimentos de aquisição também seriam significativamente otimizados. O projeto de lei permitiria que o programa Jangbogo-N fosse isento do estudo de viabilidade do projeto, normalmente obrigatório para grandes programas de aquisição de defesa. Além disso, prevê o encurtamento dos períodos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e de testes e avaliação, conferindo maior flexibilidade na aplicação das regras de cálculo de custos para contratos de defesa relacionados. Este esforço legislativo se baseia em duas etapas cruciais tomadas desde o final de 2025. No comunicado conjunto EUA-ROK de novembro de 2025, os Estados Unidos declararam ter aprovado a construção de submarinos de ataque movidos a energia nuclear pela Coreia do Sul e se comprometeram a colaborar com Seul nos requisitos do projeto, incluindo possíveis arranjos para o fornecimento de combustível nuclear. Em 26 de maio, o Ministério da Defesa Nacional complementou esses passos com o Plano Básico para o Desenvolvimento.
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