Novas imagens de satélite e registros visuais confirmam o estágio avançado do cruzador pesado de mísseis de propulsão nuclear Admiral Nakhimov, da classe Kirov (Projeto 11442M), após um extenso e complexo programa de modernização conduzido no estaleiro Sevmash, localizado em Severodvinsk, na Rússia. O navio, frequentemente apelidado de “Estrela da Morte” devido ao seu tamanho imponente e poderio bélico, teve sua configuração de armamentos profundamente reformulada, o que inclui a instalação de 80 células de lançamento vertical universal UKSK para mísseis de ataque e outras 96 células dedicadas à defesa antiaérea de área, consolidando sua posição como um dos mais poderosos ativos de superfície da Marinha Russa e redefinindo sua capacidade de projeção de poder naval.
Armamento e capacidade ofensiva: um arsenal para múltiplos cenários
A modernização do Admiral Nakhimov é marcada pela integração de 80 células do sistema de lançamento vertical universal UKSK. Essas células estão distribuídas em dez módulos, cada um contendo oito lançadores, conferindo ao cruzador uma flexibilidade operacional sem precedentes. Este sistema inovador permite o emprego de uma vasta gama de armamentos avançados de fabricação russa, incluindo a família de mísseis de cruzeiro Kalibr, conhecidos por sua capacidade de ataque a alvos terrestres e navais a longas distâncias, os mísseis antinavio supersônicos Oniks, que oferecem alta velocidade e capacidade de saturação contra frotas inimigas, e, notavelmente, os mísseis hipersônicos 3M22 Zircon, que representam um avanço significativo em termos de velocidade e manobrabilidade, tornando-os extremamente desafiadores para os sistemas de defesa antimísseis atuais.
Essa configuração robusta não apenas expande a capacidade do Admiral Nakhimov para realizar ataques precisos contra navios de superfície e alvos terrestres estratégicos, mas também o habilita a adaptar seu arsenal a diferentes perfis de missão, desde operações de interdição marítima até a projeção de força em conflitos regionais. O poder de fogo concentrado nestas 80 células posiciona o cruzador como uma ameaça multifacetada em qualquer teatro de operações, reforçando a capacidade dissuasória da Frota do Norte da Marinha Russa, à qual o navio está previsto para ser incorporado.
Defesa antiaérea e estratégica: garantindo a supremacia aérea e antimíssil
Complementando seu arsenal ofensivo, o Admiral Nakhimov foi equipado com 96 células verticais adicionais, especificamente destinadas a sistemas de mísseis superfície-ar (SAM). Somados, os dois conjuntos de lançadores totalizam impressionantes 176 células de lançamento vertical, um número que ressalta a capacidade do navio de integrar um volume significativo de armamentos para diversas finalidades. Esta combinação estratégica não só reforça suas capacidades de ataque de longo alcance, mas também eleva substancialmente sua defesa aérea de área, crucial para a proteção de grupos-tarefa navais e para operações em ambientes contestados.
Embora fontes abertas divirjam sobre a configuração exata do sistema antiaéreo instalado, citando versões navalizadas das famílias S-300 ou S-400, a quantidade de 96 células está consistentemente associada ao principal sistema de defesa aérea de longo alcance do cruzador, conhecido por sua capacidade de interceptar aeronaves e mísseis balísticos em grandes distâncias. Além disso, o navio conta com seis sistemas Pantsir-M, conforme estimativas baseadas em fontes abertas e imagens, que providenciam defesa de curto alcance, formando uma camada protetora robusta e multidimensional contra ameaças aéreas e antimíssil. A integração dos sistemas Otvet e Paket-NK também é citada como parte da modernização, expandindo as capacidades de guerra antissubmarino do cruzador, tornando-o um vetor naval completo.
Retorno ao serviço: o longo processo de modernização e a importância estratégica
O Admiral Nakhimov passou por um dos mais extensos e tecnicamente desafiadores programas de modernização naval já realizados pela Rússia. Originalmente incorporado à Marinha Soviética no final da década de 1980, sob o Projeto 11442M Orlan, o navio permaneceu no estaleiro Sevmash por muitos anos, recebendo uma atualização completa que abrangeu novos sensores, sistemas eletrônicos digitais de comando, controle e comunicações, e o já mencionado arsenal de armamentos. Esse processo visou não apenas prolongar sua vida útil, mas também atualizá-lo para os padrões da guerra naval do século XXI.
O cruzador, que possui um deslocamento máximo de aproximadamente 28.000 toneladas e um comprimento de cerca de 251 metros, iniciou seus testes de mar após a modernização em agosto de 2025. Esses testes, em fase final em julho de 2026, são cruciais para avaliar a integração e o funcionamento de todos os sistemas, incluindo o complexo sistema de propulsão combinado nuclear e a vapor, que garante autonomia praticamente ilimitada em alcance e uma velocidade máxima estimada de 32 nós. Além dos sistemas de propulsão, navegação, sensores (como o radar de vigilância Podberezovik-ET1 e os radares de controle de tiro antiaéreo 92N6), comunicações e armamentos (incluindo o canhão naval AK-192M de 130 mm e capacidade para operar até três helicópteros Kamov Ka-27), todas as novas capacidades são rigorosamente testadas antes de seu retorno oficial ao serviço operacional na Marinha Russa, planejado para o fim de 2026. A tripulação estimada para a operação da embarcação é de 700 a 710 militares, refletindo a complexidade e a escala deste gigante naval.
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