A 1ª Divisão de Exército completou, no último dia 6 de agosto, 118 anos de existência. A data foi marcada por solenidade conduzida na Vila Militar, no Rio de Janeiro, sob a presidência do General de Divisão Fabiano Lima de Carvalho. O evento reuniu militares e convidados em torno da celebração de uma das mais antigas e tradicionais Grandes Unidades do Exército Brasileiro, cuja história se confunde com a própria formação da força terrestre moderna no país.
Da 1ª Brigada Estratégica à construção da Vila Militar
A origem da 1ª Divisão de Exército está diretamente vinculada à criação da 1ª Brigada Estratégica, determinada pelo então Presidente da República Afonso Pena, em 1908. Foi nesse mesmo período que teve início a construção da Vila Militar, erguida na área da antiga Fazenda Sapopemba, também no Rio de Janeiro. As organizações militares selecionadas para integrar essa Grande Unidade já carregavam histórico de destaque, tendo sido protagonistas de vitórias em combates travados durante a Campanha do Paraguai.
Ao longo do século XX, a unidade passou por sucessivas transformações orgânicas e alterações em sua denominação. Em 1915, recebeu o nome de 3ª Divisão de Exército. Em 1919, tornou-se 1ª Divisão de Exército e, em 1921, passou a ser chamada de 1ª Divisão de Infantaria. Somente em 1938 sua sede foi definitivamente fixada na Vila Militar, onde o Quartel-General permanece instalado até os dias atuais.
A Força Expedicionária Brasileira e a campanha na Itália
Um dos capítulos mais relevantes da história da unidade ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial. A então 1ª Divisão de Infantaria serviu de base para a estruturação da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE), organizada em 1943. Integrada à Força Expedicionária Brasileira (FEB) e sob o comando do General de Divisão João Batista Mascarenhas de Moraes, a 1ª DIE seguiu para os campos de batalha na Europa com um efetivo superior a 25 mil militares. A atuação do soldado brasileiro na campanha da Itália resultou em vitórias em Massarosa, Camaiore, Monte Prano, Castelnuovo, Belvedere, Montese e Monte Castello.

Em reconhecimento à liderança exercida por seu comandante durante a Segunda Guerra Mundial, a unidade recebeu, em 1969, a denominação histórica de “Divisão Mascarenhas de Moraes”. Em 1971, retomou oficialmente o nome de 1ª Divisão de Exército, identificação que mantém até o presente.
Um dos pontos de destaque das celebrações de 118 anos da 1ª DE foi a inauguração da restaução e da placa informativa do tradicional Pak 43 88mm que, há decadas chama a atenção da população que passa diariamente pela Av. Duque de Caxias. O canhão anticarro alemão Pak 43 de 88 mm consolidou-se como o terror das forças blindadas aliadas, destacando-se por sua precisão cirúrgica e poder de destruição devastador, com capacidade de perfuração de impressionantes 148 milímetros de blindagem de aço.
A peça de artilharia desenvolvida pela Krupp, após a reforma passa a trazer a pintura na sua cor original e nos recorda de uma das mais emblematicas ações da FEB na campanha da Itália. A peça que encontra-se na 1ª DE é um espólio de guerra caturado e trazido ao Brasil após a rendição da 148. Infanterie-Division, ocorrida em 29 de abril de 1945, após a Batalha de Fornovo di Taro. Nesta ocasião, cerca de 14.779 soldados alemães se renderam incondicionalmente à Força Expedicionária Brasileira (FEB) na maior captura de priosioneios da história da Segunda Guerra.

A Divisão mais operacional do Exército Brasileiro
Ao longo de sua trajetória, a 1ª Divisão de Exército consolidou-se como a Divisão mais operacional do Exército Brasileiro, sustentada pelo emprego contínuo e diversificado de seus grandes comandos e de suas organizações militares subordinadas. Essa versatilidade se manifesta tanto no cenário externo, por meio da presença em missões internacionais de paz, quanto no território nacional, em operações de Garantia da Lei e da Ordem, em ações humanitárias, na segurança de grandes eventos sediados no país e, mais recentemente, no combate à pandemia de covid-19. É esse espectro amplo de empregos, externos e internos, militares e humanitários, previsíveis e emergenciais, conduzido de forma ininterrupta ao longo de mais de um século, que confere à unidade essa condição de referência em operacionalidade dentro da Força.
Entre os episódios mais significativos do emprego da 1ª DE em missões de paz sob mandato da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos (OEA), o Batalhão Suez, que teve o 2º Batalhão de Infantaria Motorizado – Escola, o histórico “Dois de Ouro”, como principal unidade formadora. Entre 1957 e 1967, os militares brasileiros do Batalhão Suez integraram a Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF I) que tinha como missão garantir o fim da “Crise de Suez”, atuando como uma força de paz neutra entre o Egito e Israel.
Após ter feito parte da primeira operação militar de paz da história da ONU, o emprego em missões de paz passaram a fazer parte da história da 1ª DE, com operações conduzidas em Moçambique, de 1993 a 1994, em Angola, de 1995 a 1997, e na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), entre 2004 e 2017. A unidade também integrou, em 1965, o contingente militar da Força Armada Interamericana, empregado na estabilização da República Dominicana.
No âmbito interno, as tropas da 1ª Divisão de Exército desempenharam diversas missões de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), além de ações de natureza subsidiária e humanitária, prestando apoio a comunidades atingidas por catástrofes naturais na região Sudeste do país sempre que acionadas. Nas ações de pacificação e do restabelecimento da ordem pública, destacam-se a Força de Pacificação dos Complexos do Alemão e da Penha, conduzida a partir de 2010 por meio da Operação Arcanjo; a ocupação do Complexo da Maré, em 2014 e 2015, na Operação São Francisco; o emprego durante a greve dos órgãos de segurança do Espírito Santo, em 2017, na chamada Operação Capixaba; e a atuação como braço operacional do Comando Conjunto do Gabinete de Intervenção Federal na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, em 2018.

Atuando na segurança de importantes eventos internacionais realizados no país, a 1ª DE atuou na Conferência Mundial para o Meio Ambiente (Rio-92), nos Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos de 2007, nos V Jogos Mundiais Militares de 2011, na Conferência Rio+20, em 2012, na Jornada Mundial da Juventude e na Copa das Confederações, ambas em 2013, na Copa do Mundo FIFA de 2014 e nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.
Entre 2020 e 2022, em um dos momentos mais complexos da história sanitária brasileira, a 1ª DE somou mais uma missão a seu histórico operacional ao se engajar no esforço nacional de enfrentamento à pandemia de covid-19. As ações incluíram desinfecção de locais, doações de sangue, arrecadação de mantimentos e transporte logístico de materiais médicos.
Nos próximos dias, a revista Operacional vai acompanhar de perto a Operação Membeca, o maior exercício conduzido pelo Comando Militar do Leste, oportunidade em que será possível conhecer, na prática, toda a capacidade operacional da 1ª Divisão de Exército em campo. Fique de olho no portal e nas redes sociais da revista para não perder nenhum detalhe dessa cobertura.
























