O exército francês busca enganar adversários em campo de batalha transparente

|

O exército francês busca enganar adversários em campo de batalha transparente

|

Em um cenário global de conflitos cada vez mais monitorados e tecnologicamente avançados, o Comando de Combate Futuro do Exército Francês está ativamente desenvolvendo estratégias para introduzir a “opacidade” em um campo de batalha que se torna progressivamente transparente. O objetivo central é claro: restaurar a capacidade de manobra ofensiva, um elemento tático crucial que foi significativamente limitado pela evolução tecnológica. Essa busca envolve uma ampla gama de abordagens, desde o uso de iscas físicas e sistemas de camuflagem até táticas sofisticadas de guerra eletrônica e dissimulação eletromagnética, conforme detalhado pelo general Bruno Baratz, chefe do comando, em um evento recente em Besançon, França.

A combinação da transparência do campo de batalha – impulsionada por sensores avançados e monitoramento ininterrupto – com o poder destrutivo e a precisão das armas modernas criou uma verdadeira “zona de morte” ao longo da linha de frente. Nessas condições, aproximar-se do inimigo tornou-se uma empreitada “muito, muito perigosa”, nas palavras do general Baratz, durante um dia de inovação promovido pela 7ª Brigada Blindada francesa no leste do país. A necessidade mais premente do exército, em termos de novas tecnologias, é encontrar meios eficazes para romper esse impasse tático que atualmente favorece as defesas.

A busca pela opacidade em um cenário de transparência

A situação observada na linha de frente ucraniana serve como um exemplo contundente desse dilema tático. A observação quase contínua por drones, de ambos os lados do conflito, significa que nem a Ucrânia nem a Rússia podem concentrar suas forças de forma significativa sem expô-las à destruição imediata e maciça. O general Baratz estabeleceu um paralelo direto entre essa realidade e as condições da Primeira Guerra Mundial, quando a letalidade da artilharia moderna e das metralhadoras tornava as operações ofensivas de manobra extremamente custosas, frequentemente resultando em um número exorbitante de baixas sem ganhos territoriais significativos. A analogia ressalta a natureza cíclica de certas dinâmicas de combate, onde a tecnologia defensiva ocasionalmente supera a ofensiva.

O general Baratz reforçou a percepção de que “estamos em um sistema de impasse tático, onde os sistemas defensivos são mais poderosos que os ofensivos”. Essa constatação, feita à margem do dia de inovação em Besançon, em 9 de setembro, sublinha a urgência de uma mudança de paradigma. “Precisamos ser capazes de sair deste sistema”, afirmou Baratz. “Então, hoje, temos que ser capazes de recriar o que chamamos de um pouco de opacidade neste mundo de transparência.” A capacidade de esconder movimentos, intenções e a real composição das forças é vista como o fator-chave para restabelecer a vantagem ofensiva e permitir ações decisivas no campo de batalha moderno.

Estratégias de dissimulação e a guerra eletrônica

O general Baratz enfatizou que existem “inúmeras maneiras” de abordar a dissimulação no contexto militar. Entre elas, destacam-se as iscas físicas, que consistem em réplicas de equipamentos militares destinadas a enganar o reconhecimento inimigo, e a dissimulação eletromagnética, que pode envolver a simulação de postos de comando para confundir as análises de inteligência do adversário. O dia de inovação, por exemplo, apresentou cópias infláveis de equipamentos utilizados pela 7ª Brigada Blindada, incluindo um obuseiro Caesar e um veículo blindado leve VBL. Essas réplicas, muitas vezes indetectáveis por sensores aéreos ou satélites de reconhecimento, têm o potencial de desviar ataques inimigos ou mascarar a verdadeira localização de ativos críticos.

Além das iscas físicas e da dissimulação, o comandante ressaltou a importância estratégica da perturbação eletromagnética, da guerra eletrônica (GE) e da guerra cibernética, especialmente à medida que as forças armadas se tornam cada vez mais interconectadas e dependentes de redes digitais. Essas capacidades são essenciais para “cegar o adversário”, “enganá-lo sobre nossas intenções” e “criar uma vulnerabilidade temporária” que permita restaurar o ímpeto e a ação ofensiva. A guerra eletrônica, em particular, pode neutralizar os sensores inimigos, interromper suas comunicações e sistemas de comando e controle, criando janelas de oportunidade para manobras de ataque.

O foco principal dessas estratégias, segundo Baratz, é “acima de tudo, enganar seus sensores ou garantir que seus sensores não vejam as coisas certas, permitindo a concentração de força”. A lógica é direta: “Porque hoje, não podemos nos concentrar se formos destruídos, e então não há a massa necessária para poder desequilibrar o adversário”. A capacidade de concentrar efetivos e equipamentos sem ser detectado é fundamental para gerar o poder de combate necessário para romper linhas defensivas, realizar avanços significativos e desestabilizar as posições inimigas, transformando a transparência em uma arma contra o próprio adversário.

Inovação e a transformação do combate moderno

Outras tecnologias emergentes têm o potencial de remodelar radicalmente o campo de batalha. O general Baratz citou a tecnologia quântica, que oferece possibilidades tanto para comunicações seguras e criptografadas, essenciais em um ambiente de guerra cibernética, quanto para sensoriamento avançado, capaz de detectar ameaças de maneiras inéditas. Além disso, a análise de imagens multiespectrais está começando a permitir a detecção de elementos “sob árvores, sob cobertura”, o que representa um desafio significativo para as táticas de camuflagem tradicionais. Essas novas capacidades, frequentemente impulsionadas pela inteligência artificial (IA), proporcionam insights e ferramentas que eram inimagináveis até recentemente, alterando as dinâmicas de ocultação e detecção.

O ritmo acelerado da mudança tecnológica em algumas áreas, agora medido em semanas em vez de anos ou meses, impõe desafios complexos para as forças armadas. Baratz exemplificou isso com o setor de telecomunicações, onde os militares estão “muito atrasados” em relação ao setor civil em termos de largura de banda e capacidade de transmissão de dados, mesmo com o campo de batalha moderno sendo cada vez mais organizado em torno do processamento e intercâmbio de dados. Essa defasagem pode comprometer a velocidade de decisão e a eficácia das operações em ambientes de combate de alta intensidade, onde a informação é um recurso vital.

O general sugeriu que o exército pode estar à beira de uma revolução na guerra, comparável àquela de 1920, quando a mecanização e as comunicações por rádio aceleraram drasticamente o ritmo da manobra. O crescente uso de dados no campo de batalha pode, em última análise, acelerar tanto a tomada de decisões estratégicas quanto a capacidade de destruição do adversário. Baratz observou que o campo de batalha moderno “mudou radicalmente” em comparação com o passado, quando as táticas militares eram predominantemente organizadas em torno da geografia, isto é, da “linha de cume que definia o campo de tiro ou o campo de visão”. A necessidade de “reinventar-se taticamente” é, portanto, imperativa, com Baratz lembrando que os franceses “não se reinventaram de verdade” em 1940, pagando um alto preço.

Nesse contexto, a inovação tornou-se um elemento crucial da superioridade operacional para os exércitos, e a capacidade de adaptar sistemas continuamente e incorporar novas tecnologias é fundamental. O Comando de Combate Futuro adotou uma “lógica inteiramente diferente” da abordagem tradicional e hierárquica do Exército, incentivando “testes, experimentação e improvisação” no nível regimental. Esse modelo visa tornar a força mais eficiente, mais flexível, mais adaptável e mais criativa, descentralizando o processo de inovação. Embora programas de grande escala continuem a ser necessários, o Exército também precisa ser capaz de reaproveitar tecnologias civis para fins militares e avançar cada vez mais em direção a sistemas de arquitetura aberta, que permitem maior interoperabilidade e flexibilidade.

Para estimular essa inovação de base, o Exército Francês atualmente destina 150.000 euros (aproximadamente 172.000 dólares) por ano a cada regimento para que invistam em seus próprios projetos ou adquiram equipamentos prontos. A conta do Exército, que totaliza 20 milhões de euros para esses “créditos de subsidiariedade”, está programada para ser aumentada em 35 milhões de euros adicionais no orçamento de defesa de 2027, conforme indicado pelo general Baratz. Esse investimento demonstra o compromisso em capacitar as unidades no terreno a desenvolver e implementar soluções criativas, impulsionando a adaptabilidade militar para os desafios futuros.

A busca incessante por inovação e a capacidade de adaptação são pilares para a sobrevivência e eficácia das forças armadas em um cenário global em constante mutação. A reinvenção tática e a incorporação de tecnologias disruptivas, como as abordadas pelo Exército Francês, são cruciais para manter a relevância e a capacidade operacional frente aos desafios da guerra moderna. Para aprofundar-se em análises sobre defesa, geopolítica e as inovações que moldam os conflitos internacionais, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e acompanhe nossas publicações diárias, onde oferecemos conteúdo aprofundado e exclusivo.

Share this content on your social networks:

Translate your content for a better experience:

Em um cenário global de conflitos cada vez mais monitorados e tecnologicamente avançados, o Comando de Combate Futuro do Exército Francês está ativamente desenvolvendo estratégias para introduzir a “opacidade” em um campo de batalha que se torna progressivamente transparente. O objetivo central é claro: restaurar a capacidade de manobra ofensiva, um elemento tático crucial que foi significativamente limitado pela evolução tecnológica. Essa busca envolve uma ampla gama de abordagens, desde o uso de iscas físicas e sistemas de camuflagem até táticas sofisticadas de guerra eletrônica e dissimulação eletromagnética, conforme detalhado pelo general Bruno Baratz, chefe do comando, em um evento recente em Besançon, França.

A combinação da transparência do campo de batalha – impulsionada por sensores avançados e monitoramento ininterrupto – com o poder destrutivo e a precisão das armas modernas criou uma verdadeira “zona de morte” ao longo da linha de frente. Nessas condições, aproximar-se do inimigo tornou-se uma empreitada “muito, muito perigosa”, nas palavras do general Baratz, durante um dia de inovação promovido pela 7ª Brigada Blindada francesa no leste do país. A necessidade mais premente do exército, em termos de novas tecnologias, é encontrar meios eficazes para romper esse impasse tático que atualmente favorece as defesas.

A busca pela opacidade em um cenário de transparência

A situação observada na linha de frente ucraniana serve como um exemplo contundente desse dilema tático. A observação quase contínua por drones, de ambos os lados do conflito, significa que nem a Ucrânia nem a Rússia podem concentrar suas forças de forma significativa sem expô-las à destruição imediata e maciça. O general Baratz estabeleceu um paralelo direto entre essa realidade e as condições da Primeira Guerra Mundial, quando a letalidade da artilharia moderna e das metralhadoras tornava as operações ofensivas de manobra extremamente custosas, frequentemente resultando em um número exorbitante de baixas sem ganhos territoriais significativos. A analogia ressalta a natureza cíclica de certas dinâmicas de combate, onde a tecnologia defensiva ocasionalmente supera a ofensiva.

O general Baratz reforçou a percepção de que “estamos em um sistema de impasse tático, onde os sistemas defensivos são mais poderosos que os ofensivos”. Essa constatação, feita à margem do dia de inovação em Besançon, em 9 de setembro, sublinha a urgência de uma mudança de paradigma. “Precisamos ser capazes de sair deste sistema”, afirmou Baratz. “Então, hoje, temos que ser capazes de recriar o que chamamos de um pouco de opacidade neste mundo de transparência.” A capacidade de esconder movimentos, intenções e a real composição das forças é vista como o fator-chave para restabelecer a vantagem ofensiva e permitir ações decisivas no campo de batalha moderno.

Estratégias de dissimulação e a guerra eletrônica

O general Baratz enfatizou que existem “inúmeras maneiras” de abordar a dissimulação no contexto militar. Entre elas, destacam-se as iscas físicas, que consistem em réplicas de equipamentos militares destinadas a enganar o reconhecimento inimigo, e a dissimulação eletromagnética, que pode envolver a simulação de postos de comando para confundir as análises de inteligência do adversário. O dia de inovação, por exemplo, apresentou cópias infláveis de equipamentos utilizados pela 7ª Brigada Blindada, incluindo um obuseiro Caesar e um veículo blindado leve VBL. Essas réplicas, muitas vezes indetectáveis por sensores aéreos ou satélites de reconhecimento, têm o potencial de desviar ataques inimigos ou mascarar a verdadeira localização de ativos críticos.

Além das iscas físicas e da dissimulação, o comandante ressaltou a importância estratégica da perturbação eletromagnética, da guerra eletrônica (GE) e da guerra cibernética, especialmente à medida que as forças armadas se tornam cada vez mais interconectadas e dependentes de redes digitais. Essas capacidades são essenciais para “cegar o adversário”, “enganá-lo sobre nossas intenções” e “criar uma vulnerabilidade temporária” que permita restaurar o ímpeto e a ação ofensiva. A guerra eletrônica, em particular, pode neutralizar os sensores inimigos, interromper suas comunicações e sistemas de comando e controle, criando janelas de oportunidade para manobras de ataque.

O foco principal dessas estratégias, segundo Baratz, é “acima de tudo, enganar seus sensores ou garantir que seus sensores não vejam as coisas certas, permitindo a concentração de força”. A lógica é direta: “Porque hoje, não podemos nos concentrar se formos destruídos, e então não há a massa necessária para poder desequilibrar o adversário”. A capacidade de concentrar efetivos e equipamentos sem ser detectado é fundamental para gerar o poder de combate necessário para romper linhas defensivas, realizar avanços significativos e desestabilizar as posições inimigas, transformando a transparência em uma arma contra o próprio adversário.

Inovação e a transformação do combate moderno

Outras tecnologias emergentes têm o potencial de remodelar radicalmente o campo de batalha. O general Baratz citou a tecnologia quântica, que oferece possibilidades tanto para comunicações seguras e criptografadas, essenciais em um ambiente de guerra cibernética, quanto para sensoriamento avançado, capaz de detectar ameaças de maneiras inéditas. Além disso, a análise de imagens multiespectrais está começando a permitir a detecção de elementos “sob árvores, sob cobertura”, o que representa um desafio significativo para as táticas de camuflagem tradicionais. Essas novas capacidades, frequentemente impulsionadas pela inteligência artificial (IA), proporcionam insights e ferramentas que eram inimagináveis até recentemente, alterando as dinâmicas de ocultação e detecção.

O ritmo acelerado da mudança tecnológica em algumas áreas, agora medido em semanas em vez de anos ou meses, impõe desafios complexos para as forças armadas. Baratz exemplificou isso com o setor de telecomunicações, onde os militares estão “muito atrasados” em relação ao setor civil em termos de largura de banda e capacidade de transmissão de dados, mesmo com o campo de batalha moderno sendo cada vez mais organizado em torno do processamento e intercâmbio de dados. Essa defasagem pode comprometer a velocidade de decisão e a eficácia das operações em ambientes de combate de alta intensidade, onde a informação é um recurso vital.

O general sugeriu que o exército pode estar à beira de uma revolução na guerra, comparável àquela de 1920, quando a mecanização e as comunicações por rádio aceleraram drasticamente o ritmo da manobra. O crescente uso de dados no campo de batalha pode, em última análise, acelerar tanto a tomada de decisões estratégicas quanto a capacidade de destruição do adversário. Baratz observou que o campo de batalha moderno “mudou radicalmente” em comparação com o passado, quando as táticas militares eram predominantemente organizadas em torno da geografia, isto é, da “linha de cume que definia o campo de tiro ou o campo de visão”. A necessidade de “reinventar-se taticamente” é, portanto, imperativa, com Baratz lembrando que os franceses “não se reinventaram de verdade” em 1940, pagando um alto preço.

Nesse contexto, a inovação tornou-se um elemento crucial da superioridade operacional para os exércitos, e a capacidade de adaptar sistemas continuamente e incorporar novas tecnologias é fundamental. O Comando de Combate Futuro adotou uma “lógica inteiramente diferente” da abordagem tradicional e hierárquica do Exército, incentivando “testes, experimentação e improvisação” no nível regimental. Esse modelo visa tornar a força mais eficiente, mais flexível, mais adaptável e mais criativa, descentralizando o processo de inovação. Embora programas de grande escala continuem a ser necessários, o Exército também precisa ser capaz de reaproveitar tecnologias civis para fins militares e avançar cada vez mais em direção a sistemas de arquitetura aberta, que permitem maior interoperabilidade e flexibilidade.

Para estimular essa inovação de base, o Exército Francês atualmente destina 150.000 euros (aproximadamente 172.000 dólares) por ano a cada regimento para que invistam em seus próprios projetos ou adquiram equipamentos prontos. A conta do Exército, que totaliza 20 milhões de euros para esses “créditos de subsidiariedade”, está programada para ser aumentada em 35 milhões de euros adicionais no orçamento de defesa de 2027, conforme indicado pelo general Baratz. Esse investimento demonstra o compromisso em capacitar as unidades no terreno a desenvolver e implementar soluções criativas, impulsionando a adaptabilidade militar para os desafios futuros.

A busca incessante por inovação e a capacidade de adaptação são pilares para a sobrevivência e eficácia das forças armadas em um cenário global em constante mutação. A reinvenção tática e a incorporação de tecnologias disruptivas, como as abordadas pelo Exército Francês, são cruciais para manter a relevância e a capacidade operacional frente aos desafios da guerra moderna. Para aprofundar-se em análises sobre defesa, geopolítica e as inovações que moldam os conflitos internacionais, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e acompanhe nossas publicações diárias, onde oferecemos conteúdo aprofundado e exclusivo.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

últimas notícias