Fotografias exclusivas, obtidas e divulgadas pela CBS News, revelam a extensão dos danos causados por ataques iranianos a instalações militares essenciais utilizadas pelas forças dos Estados Unidos na Arábia Saudita e no Kuwait. Publicados no sétimo mês do conflito em curso, esses registros visuais expõem uma destruição significativa de equipamentos estratégicos e infraestruturas, levantando questões críticas sobre a transparência das informações fornecidas pelo governo estadunidense ao público.
Entre as imagens de alto impacto, destaca-se a de um E-3 Sentry completamente destruído na Base Aérea Príncipe Sultan, localizada na Arábia Saudita. Esta aeronave, conhecida por sua capacidade de alerta aéreo antecipado e controle (AWACS), representa um ativo de comando e controle de valor inestimável. Outras fotografias documentam a devastação em veículos, estruturas de apoio logístico e edifícios civis nos campos Buehring e Arifjan, ambos situados no Kuwait, sublinhando a amplitude dos impactos operacionais.
A reportagem original da CBS News, veiculada em 15 de setembro de 2026, incluiu depoimentos de militares que, sob condição de anonimato, expressaram preocupação. Eles afirmaram que a população americana não recebeu informações adequadas ou completas sobre a verdadeira dimensão dos prejuízos sofridos pelas bases, intensificando o debate sobre a prestação de contas e a divulgação de dados em tempos de guerra.
Danos estendidos em oito países e o impacto financeiro da operação
A divulgação das fotografias ocorreu logo após a publicação do primeiro relatório do inspetor-geral do Departamento de Defesa referente à Operação Epic Fury. O documento detalha que centenas de edifícios e outras estruturas foram danificados ou totalmente destruídos por ataques iranianos, expandindo-se por um arco geográfico considerável que abrange oito nações distintas: Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Omã e Jordânia. Essa disseminação geográfica ressalta a escala das operações e a vulnerabilidade das bases na região.
O relatório também quantifica as perdas em equipamentos militares, registrando dezenas de aeronaves danificadas ou destruídas, incluindo caças de combate, aviões-tanque para reabastecimento aéreo, helicópteros e veículos aéreos não tripulados (drones). Estima-se que as perdas de equipamentos atinjam um montante de US$ 3,7 bilhões. É crucial notar que este balanço compreende ocorrências de diversas naturezas, não se restringindo apenas a aparelhos atingidos diretamente pelo Irã em solo, mas também abrangendo perdas em combate e incidentes de fogo amigo, oferecendo um panorama mais abrangente dos desafios enfrentados.
Quanto aos custos da guerra, diferentes estimativas foram apresentadas, refletindo períodos distintos de avaliação. O relatório do inspetor-geral calculou um valor de US$ 33,4 bilhões para o período entre 28 de fevereiro e 30 de junho. Desse total, US$ 22,3 bilhões foram diretamente associados ao uso de munições, evidenciando o alto consumo de recursos. O mesmo documento alertou para a insuficiência dos estoques estratégicos e as dificuldades inerentes à indústria de defesa para repor o material bélico consumido em ritmo adequado.
Paralelamente, uma avaliação conduzida pelo Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), divulgada em 15 de setembro, estimou os custos em US$ 38 bilhões até 1º de agosto. O CBO projetou despesas adicionais da ordem de US$ 3 bilhões mensais, a depender da intensidade das operações militares. Subsequentemente, uma estimativa do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), encaminhada ao Congresso e reportada pela Associated Press, elevou o montante total a US$ 43,6 bilhões até 3 de setembro, indicando uma escalada contínua nos gastos.
A reconstrução das bases danificadas permanece como uma despesa com contornos ainda indefinidos. O relatório do inspetor-geral explicitamente não incorporou esses custos em seu cálculo, registrando uma significativa incerteza sobre quais instalações serão de fato reconstruídas e, de forma ainda mais crítica, sobre a origem dos fundos necessários para financiar tais trabalhos de recuperação, apontando para um ônus financeiro futuro substancial e não quantificado.
Investigação aponta possível apoio de satélites russos nos ataques
Em uma investigação jornalística separada, a CNN trouxe à tona informações cruciais sobre um possível apoio à precisão dos ataques iranianos. A emissora informou que 14 satélites russos de reconhecimento orbital foram detectados sobrevoando a Base Príncipe Sultan nos dias que antecederam o ataque iraniano de 27 de março. Autoridades americanas e fontes de inteligência consultadas pela CNN avaliaram que as informações coletadas por esses satélites russos foram, muito provavelmente, repassadas ao Irã, o que teria contribuído de forma significativa para a exatidão e eficácia do ataque.
Moscou, por sua vez, nega categoricamente ter prestado qualquer tipo de assistência ou inteligência a Teerã. É importante ressaltar que a avaliação sobre este potencial compartilhamento de inteligência entre a Rússia e o Irã constitui uma linha de investigação distinta e complementar à documentação fotográfica dos danos físicos infligidos às bases, adicionando uma camada de complexidade geopolítica ao cenário do conflito.
O Senado exige prestação de contas sobre os custos da guerra
No âmbito legislativo, a questão da transparência e dos custos da guerra ganhou força com a iniciativa de 46 integrantes da bancada democrata do Senado dos Estados Unidos. Os senadores encaminharam uma carta oficial ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, na qual exigem um levantamento pormenorizado e detalhado de todos os custos relacionados à guerra, incluindo, de forma explícita, os gastos associados a equipamentos militares e instalações que foram danificados ou destruídos. A iniciativa é liderada pela influente senadora Elissa Slotkin, representante do estado de Michigan, sublinhando a seriedade da demanda por responsabilização.
A carta, datada de 17 de setembro, estabelece o dia 30 de setembro como prazo final para o envio das informações solicitadas. Esta cobrança incisiva ocorre em um momento crítico, enquanto os parlamentares do Congresso americano se debruçam sobre a análise de um pedido do Pentágono por um aporte adicional de US$ 67 bilhões em recursos. A pressão do Senado, portanto, não apenas busca clareza sobre os gastos passados, mas também influencia diretamente as decisões sobre o financiamento futuro das operações de defesa.
A magnitude dos danos revelados, os crescentes custos do conflito e as complexas implicações geopolíticas exigem uma análise aprofundada e contínua. Para acompanhar de perto as atualizações e análises especializadas sobre defesa, geopolítica e segurança, convidamos você a seguir as redes sociais da OP Magazine e manter-se informado com conteúdo de alta qualidade.










