A França confirmou o início do treinamento de pilotos ucranianos no avançado caça Rafale a partir de novembro, um passo crucial para a modernização da força aérea da Ucrânia. A Ministra das Forças Armadas francesa, Catherine Vautrin, fez o anúncio em uma audiência parlamentar sobre o orçamento de defesa de 2027, em Paris, destacando a continuidade das discussões sobre o componente de aviação de combate. Esta notícia foi corroborada pelo Presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, que, em uma publicação no Telegram, citou uma conversa com seu homólogo francês, Emmanuel Macron, enfatizando a importância estratégica do treinamento para a aviação de combate da Ucrânia e o reforço das capacidades defensivas do país em meio ao conflito.
Acordos e diversificação da frota aérea ucraniana
A iniciativa de treinamento faz parte de um roteiro estratégico franco-ucraniano estabelecido em julho, que prevê a aquisição de dezesseis caças Rafale juntamente com seus sistemas de armamento essenciais. Este plano de compra a longo prazo complementa os esforços contínuos da Ucrânia para diversificar e modernizar sua aviação de combate, que já incluiu o recebimento de caças F-16 de diversas nações europeias e Mirage 2000 da própria França. Em maio, a Ucrânia também acordou a compra de vinte novos jatos Gripen, com a Suécia adicionalmente doando dezesseis unidades de um modelo mais antigo, ampliando e modernizando significativamente sua frota aérea. Apesar desses avanços e da projeção ambiciosa, a plena operacionalização dos Rafale nos céus ucranianos é projetada pelo Presidente Macron para 2028 ou 2029, refletindo o extenso tempo necessário para o treinamento completo de pilotos e equipes de terra, a integração logística e a infraestrutura de suporte para operar uma aeronave tão avançada e complexa.
Capacidades de defesa e autonomia de produção
A cooperação bilateral entre França e Ucrânia se estende à autonomia estratégica no setor de defesa, com ambos os países trabalhando ativamente na localização da produção de mísseis e bombas aéreas francesas em solo ucraniano. A Ministra Vautrin confirmou, em sua audiência, que um processo de licenciamento para mísseis já está em andamento, o que é crucial para fortalecer a base industrial de defesa ucraniana e reduzir a dependência de cadeias de suprimentos externas. Vautrin ressaltou a dimensão geopolítica dessa colaboração, afirmando que “Estamos plenamente cientes de que, ao apoiar a Ucrânia, estamos defendendo a Europa”. O acordo de julho inclui também a aquisição inicial de baterias de defesa aérea SAMP/T NG com seus respectivos mísseis e a aprovação de acordos de licenciamento para a produção em território ucraniano de importantes sistemas de armamento: o kit de bombas guiadas AASM, o interceptor de defesa aérea Aster 30 (que equipa o sistema SAMP/T), e o míssil de cruzeiro lançado do ar SCALP/Storm Shadow. A Ucrânia já possui experiência operacional com uma versão anterior do sistema de defesa aérea ítalo-francês SAMP/T, que utiliza a família de interceptores Aster, fabricados pela MBDA. O país também emprega a bomba guiada de precisão AASM Hammer, desenvolvida pela Safran, demonstrando familiaridade com parte dessa tecnologia francesa.
A contribuição tecnológica do Rafale para a defesa ucraniana
A escolha pelo Rafale reflete uma aspiração por capacidades aéreas de ponta e uma modernização robusta. Em novembro do ano passado, a Ucrânia já havia assinado uma carta de intenções para adquirir até cem jatos Rafale, produzidos pela Dassault Aviation. Este movimento se seguiu a uma carta de intenções similar com a Suécia, um mês antes, para a exportação de até cento e cinquenta jatos Gripen, fabricados pela Saab, indicando a ambição ucraniana de uma modernização aérea em larga escala e diversificada. O Rafale se destaca pela integração do míssil Meteor da MBDA, amplamente reconhecido por analistas militares como um dos mísseis ar-ar de longo alcance mais eficazes em serviço nas forças armadas ocidentais. A aeronave também incorpora uma suíte de guerra eletrônica avançada e um radar de última geração da Thales, ambos os quais foram aprimorados como parte do padrão F4.1 do Rafale, que foi qualificado em março de 2023, garantindo que as aeronaves estejam na vanguarda da tecnologia de combate aéreo para operar em cenários complexos.
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