Estudo propõe retirada de 85% das forças dos EUA na Ásia e recuo para a segunda cadeia de ilhas

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Estudo propõe retirada de 85% das forças dos EUA na Ásia e recuo para a segunda cadeia de ilhas

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Um estudo recente do instituto norte-americano Defense Priorities propõe uma reestruturação drástica da presença militar dos Estados Unidos na Ásia. Isso inclui o fim das alianças de defesa com o Japão, Coreia do Sul, Filipinas e Austrália, e a adoção de uma política explícita de não intervenção em um eventual conflito por Taiwan. O documento, intitulado "A Second Island Chain Strategy for Asia", é de autoria de Jennifer Kavanagh, diretora de Análise Militar do Defense Priorities. Cientista política, Kavanagh trabalhou na Carnegie Endowment for International Peace e na RAND Corporation. O instituto defende uma política externa baseada em contenção, diplomacia e uso mais seletivo do poder militar norte-americano.

A transição estratégica: da primeira para a segunda cadeia de ilhas

A proposta visa deslocar o epicentro militar dos Estados Unidos da chamada "primeira cadeia de ilhas" – composta por Japão, Taiwan, Filipinas e territórios próximos à costa chinesa – para a "segunda cadeia". Esta inclui posições mais distantes como Guam, Ilhas Marianas do Norte, Palau, Estados Federados da Micronésia, Ilhas Marshall e Austrália. Jennifer Kavanagh justifica a mudança pela crescente vulnerabilidade das bases na primeira cadeia ao arsenal chinês de mísseis balísticos, armas de cruzeiro e drones. Essas bases, além de serem alvos primários nas primeiras horas de um conflito, aproximam Washington de pontos críticos de tensão, como o Estreito de Taiwan e o Mar do Sul da China. A segunda cadeia ofereceria maior profundidade estratégica, permitindo a dispersão de aeronaves, submarinos, sensores e unidades logísticas. Embora Guam ainda esteja ao alcance de armas chinesas, o estudo preconiza abrigos reforçados, defesas antiaéreas, capacidade de reparação rápida de pistas e a distribuição de forças entre diversas ilhas para aumentar a resiliência operacional.

Redefinindo interesses: defesa do território e acesso aos mercados

O documento parte de uma definição deliberadamente restrita dos interesses norte-americanos na Ásia, argumentando que apenas dois objetivos justificam o emprego de poder militar: proteger o território dos Estados Unidos e garantir o acesso a mercados, cadeias produtivas e rotas comerciais importantes. Para o primeiro objetivo, Kavanagh considera desnecessária uma grande presença avançada, avaliando como improvável um ataque convencional chinês ao território continental norte-americano fora do contexto de uma guerra regional mais ampla. A defesa contra ameaças nucleares, cibernéticas e espaciais seria assegurada por capacidades instaladas nos Estados Unidos, sistemas antimísseis, satélites e instrumentos diplomáticos. Para a proteção do comércio, uma presença naval e aérea em escala significativamente reduzida seria suficiente. Em caso de interdição chinesa no Mar do Sul da China ou no Estreito de Taiwan, rotas alternativas pelo Mar das Filipinas e pelos estreitos do arquipélago indonésio poderiam ser utilizadas. Forças baseadas na segunda cadeia seriam empregadas para escoltar comboios, proteger corredores temporários e enfrentar bloqueios de portos estratégicos.

Desvinculação estratégica: Taiwan e o futuro das alianças

A recomendação mais controversa do estudo é o abandono da atual "ambiguidade estratégica" sobre Taiwan, com a proposta de que os Estados Unidos anunciem claramente que não intervirão militarmente em um confronto entre Pequim e Taipé. Os aproximadamente 500 militares norte-americanos que, segundo o relatório, atuam como instrutores na ilha também seriam retirados. Kavanagh argumenta que o controle chinês sobre Taiwan, embora proporcione vantagens militares a Pequim, não alteraria decisivamente o equilíbrio de poder regional. A autora sugere que a potencial perda temporária da produção taiwanesa de semicondutores poderia ser compensada pela expansão da capacidade industrial dos Estados Unidos e de parceiros como o Japão e a Coreia do Sul. O estudo pondera que uma guerra sino-americana poderia provocar dezenas ou centenas de milhares de mortes, destruir numerosos navios e aeronaves, desorganizar o comércio mundial e criar risco de escalada nuclear, custos que seriam desproporcionais aos interesses norte-americanos envolvidos. A proposta estende-se ao fim das atuais alianças militares. Na Península Coreana, sugere-se o encerramento da aliança de defesa com Seul e a retirada das unidades de combate terrestre e dos esquadrões permanentemente estacionados, mantendo apenas destacamentos periódicos de inteligência e logística, visitas de submarinos e, eventualmente, um esquadrão de caças em sistema de rodízio. O relatório conclui que a Coreia do Sul possui recursos econômicos, tecnológicos e militares suficientes para assumir sua defesa convencional contra a Coreia do Norte. O fim da proteção norte-americana também retiraria Seul do chamado "guarda-chuva nuclear" dos Estados Unidos. Nas Filipinas, Washington encerraria ou restringiria severamente o tratado de defesa, especialmente sua aplicação às formações territoriai

As propostas apresentadas pelo Defense Priorities representam uma potencial guinada na estratégia de segurança dos Estados Unidos no Indo-Pacífico, desafiando concepções estabelecidas e provocando um debate crucial sobre o futuro das alianças e da projeção de poder. Para continuar explorando estas e outras análises aprofundadas sobre defesa, geopolítica e segurança internacional, siga as redes sociais da OP Magazine e mantenha-se informado com nosso conteúdo especializado.

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Um estudo recente do instituto norte-americano Defense Priorities propõe uma reestruturação drástica da presença militar dos Estados Unidos na Ásia. Isso inclui o fim das alianças de defesa com o Japão, Coreia do Sul, Filipinas e Austrália, e a adoção de uma política explícita de não intervenção em um eventual conflito por Taiwan. O documento, intitulado "A Second Island Chain Strategy for Asia", é de autoria de Jennifer Kavanagh, diretora de Análise Militar do Defense Priorities. Cientista política, Kavanagh trabalhou na Carnegie Endowment for International Peace e na RAND Corporation. O instituto defende uma política externa baseada em contenção, diplomacia e uso mais seletivo do poder militar norte-americano.

A transição estratégica: da primeira para a segunda cadeia de ilhas

A proposta visa deslocar o epicentro militar dos Estados Unidos da chamada "primeira cadeia de ilhas" – composta por Japão, Taiwan, Filipinas e territórios próximos à costa chinesa – para a "segunda cadeia". Esta inclui posições mais distantes como Guam, Ilhas Marianas do Norte, Palau, Estados Federados da Micronésia, Ilhas Marshall e Austrália. Jennifer Kavanagh justifica a mudança pela crescente vulnerabilidade das bases na primeira cadeia ao arsenal chinês de mísseis balísticos, armas de cruzeiro e drones. Essas bases, além de serem alvos primários nas primeiras horas de um conflito, aproximam Washington de pontos críticos de tensão, como o Estreito de Taiwan e o Mar do Sul da China. A segunda cadeia ofereceria maior profundidade estratégica, permitindo a dispersão de aeronaves, submarinos, sensores e unidades logísticas. Embora Guam ainda esteja ao alcance de armas chinesas, o estudo preconiza abrigos reforçados, defesas antiaéreas, capacidade de reparação rápida de pistas e a distribuição de forças entre diversas ilhas para aumentar a resiliência operacional.

Redefinindo interesses: defesa do território e acesso aos mercados

O documento parte de uma definição deliberadamente restrita dos interesses norte-americanos na Ásia, argumentando que apenas dois objetivos justificam o emprego de poder militar: proteger o território dos Estados Unidos e garantir o acesso a mercados, cadeias produtivas e rotas comerciais importantes. Para o primeiro objetivo, Kavanagh considera desnecessária uma grande presença avançada, avaliando como improvável um ataque convencional chinês ao território continental norte-americano fora do contexto de uma guerra regional mais ampla. A defesa contra ameaças nucleares, cibernéticas e espaciais seria assegurada por capacidades instaladas nos Estados Unidos, sistemas antimísseis, satélites e instrumentos diplomáticos. Para a proteção do comércio, uma presença naval e aérea em escala significativamente reduzida seria suficiente. Em caso de interdição chinesa no Mar do Sul da China ou no Estreito de Taiwan, rotas alternativas pelo Mar das Filipinas e pelos estreitos do arquipélago indonésio poderiam ser utilizadas. Forças baseadas na segunda cadeia seriam empregadas para escoltar comboios, proteger corredores temporários e enfrentar bloqueios de portos estratégicos.

Desvinculação estratégica: Taiwan e o futuro das alianças

A recomendação mais controversa do estudo é o abandono da atual "ambiguidade estratégica" sobre Taiwan, com a proposta de que os Estados Unidos anunciem claramente que não intervirão militarmente em um confronto entre Pequim e Taipé. Os aproximadamente 500 militares norte-americanos que, segundo o relatório, atuam como instrutores na ilha também seriam retirados. Kavanagh argumenta que o controle chinês sobre Taiwan, embora proporcione vantagens militares a Pequim, não alteraria decisivamente o equilíbrio de poder regional. A autora sugere que a potencial perda temporária da produção taiwanesa de semicondutores poderia ser compensada pela expansão da capacidade industrial dos Estados Unidos e de parceiros como o Japão e a Coreia do Sul. O estudo pondera que uma guerra sino-americana poderia provocar dezenas ou centenas de milhares de mortes, destruir numerosos navios e aeronaves, desorganizar o comércio mundial e criar risco de escalada nuclear, custos que seriam desproporcionais aos interesses norte-americanos envolvidos. A proposta estende-se ao fim das atuais alianças militares. Na Península Coreana, sugere-se o encerramento da aliança de defesa com Seul e a retirada das unidades de combate terrestre e dos esquadrões permanentemente estacionados, mantendo apenas destacamentos periódicos de inteligência e logística, visitas de submarinos e, eventualmente, um esquadrão de caças em sistema de rodízio. O relatório conclui que a Coreia do Sul possui recursos econômicos, tecnológicos e militares suficientes para assumir sua defesa convencional contra a Coreia do Norte. O fim da proteção norte-americana também retiraria Seul do chamado "guarda-chuva nuclear" dos Estados Unidos. Nas Filipinas, Washington encerraria ou restringiria severamente o tratado de defesa, especialmente sua aplicação às formações territoriai

As propostas apresentadas pelo Defense Priorities representam uma potencial guinada na estratégia de segurança dos Estados Unidos no Indo-Pacífico, desafiando concepções estabelecidas e provocando um debate crucial sobre o futuro das alianças e da projeção de poder. Para continuar explorando estas e outras análises aprofundadas sobre defesa, geopolítica e segurança internacional, siga as redes sociais da OP Magazine e mantenha-se informado com nosso conteúdo especializado.

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