As fragatas da classe Krivak, conhecidas na União Soviética como Projeto 1135 Burevestnik, representaram um pilar da Marinha Soviética a partir de 1970. Construídas em 40 unidades por três estaleiros – Zhdanov (Leningrado), Yantar (Kaliningrado) e Kamysh-Burun (Crimeia) – estas embarcações atravessaram a Guerra Fria, protagonizaram incidentes notáveis como um motim e um choque de cascos com a Marinha dos EUA, e foram divididas entre Rússia e Ucrânia após a dissolução da URSS. Sua influência perdura, inspirando designs que a Índia ainda recebia em 2025. A silhueta distintiva da Krivak era tão reconhecível que a Marinha americana utilizava uma rima para identificação, destacando o lançador quádruplo de mísseis na proa ("caixa de salsicha"), a chaminé e o mastro inclinado como elementos visuais únicos, facilitando o reconhecimento em ambientes operacionais.
A designação ocidental "Krivak" provém do nome de código da OTAN, subdividida em Krivak I, II e IV para a Marinha e Krivak III para a guarda costeira, totalizando 32 navios para a Marinha e 8 da versão Nerey (Krivak III) para a Guarda de Fronteira Marítima da KGB. O projeto, iniciado em 1956 como escolta antissuperfície, transformou-se na década de 1960 em um navio antissubmarino dedicado, uma resposta estratégica à crescente ameaça submarina da OTAN. Movido por turbinas a gás e armado com o míssil SS-N-14, foi concebido como um complemento mais acessível aos grandes navios antissubmarino (BPK) das classes Kresta II e Kara. O primeiro navio, o Bditelny, incorporado em 1970, causou um equívoco inicial no Ocidente, que interpretou o proeminente lançador na proa como arma ofensiva de superfície, ignorando que o sistema Metel (SS-N-14 “Silex”) era primariamente antissubmarino.
Armamento e variantes da classe
A configuração de armamento da Krivak I era predominantemente antissubmarino, centrada em quatro mísseis Metel, apoiados por oito tubos de torpedo de 533 mm em reparos quádruplos e dois lançadores de foguetes antissubmarino RBU-6000. Para defesa e escolta, possuía dois lançadores do sistema antiaéreo Osa-M (SA-N-4 “Gecko”) com 40 mísseis e duas torres duplas de 76 mm AK-726, além de capacidade para 18 minas. As Krivak I deslocavam cerca de 2.810 toneladas padrão (3.200 a plena carga), com 123 metros de comprimento. A propulsão COGAG (quatro turbinas a gás, arranjo M7K) conferia 32 nós de velocidade e autonomia de 4.000 milhas náuticas a 14 nós. A tripulação, no último navio da primeira série, era de 192 homens, incluindo 23 oficiais.
A evolução da classe Krivak incluiu a **Krivak II (Projeto 1135M)**, com 11 unidades construídas entre 1975 e 1982, que substituiu os canhões de 76 mm por dois canhões simples AK-100 de 100 mm, apresentando maior deslocamento e capacidade antinavio. Reclassificados como "Navios de Guarda" (SKR) em 1977, visavam proteger os "bastiões" de submarinos soviéticos. A **Krivak III (Projeto 11351 Nerey)**, oito unidades para a Guarda de Fronteira da KGB (1982-1992), sacrificou armamento pesado (incluindo o lançador Metel e um canhão) por um convoo e hangar para um helicóptero Ka-27PS, otimizando-a para patrulha e busca e salvamento. Quatro Krivak I foram modernizadas para a versão **Krivak IV (Projetos 11352/11353)**, recebendo mísseis antinavio SS-N-25 e novos radares, sonares e contramedidas eletrônicas, prolongando sua relevância operacional.
Legado e desafios operacionais
A Krivak destacou-se por sua capacidade antissubmarino, antes restrita a cruzadores, em um casco compacto, e pela velocidade de 32 nós, tornando-a uma das escoltas mais numerosas e vitais da frota soviética. No entanto, a compacidade do projeto resultou em um ponto fraco notável: a falta de helicóptero orgânico nas versões Krivak I e II, limitando sua eficácia em operações ASW de longo alcance e sustentadas, um fator crítico para a guerra naval moderna. Apesar disso, a classe Krivak consolidou um legado duradouro, desde sua inspiração para a cultura pop em obras de Tom Clancy até a continuidade de seu design em navios modernos da Índia, demonstrando sua influência estratégica e durabilidade no cenário naval global.
O legado da classe Krivak demonstra a complexidade da inovação naval e as adaptações estratégicas em períodos de alta tensão. Para análises aprofundadas como esta e para se manter informado sobre defesa, geopolítica e segurança, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e não perca nossos próximos artigos exclusivos.










