Em um movimento estratégico que sublinha a crescente importância dos sistemas autônomos na defesa naval moderna, a Agência de Inovação de Defesa da França (AID) e a Marinha Nacional Francesa (Marine nationale) anunciaram a seleção oficial dos três parceiros industriais que avançarão no desenvolvimento do programa de Veículos de Superfície Não Tripulados (USV) armados DANAE. Esta iniciativa representa um passo fundamental na modernização das capacidades marítimas francesas, visando a integração de tecnologias de ponta para enfrentar desafios contemporâneos e futuros no ambiente operacional naval.
O programa DANAE: impulsionando a autonomia naval
O programa DANAE, cujo acrônimo significa “Drone de superfície Autônomo Naval avec capacité d’Armement Embarqué”, foi lançado em janeiro de 2026 sob a liderança da Direção Geral de Armamentos (DGA), conforme detalhado pelo portal Naval News. Seu objetivo primordial é implantar rapidamente uma frota de veículos de superfície autônomos armados, projetados para executar missões críticas como a proteção de portos, tanto para infraestruturas militares quanto civis, e a escolta de unidades de alto valor ou navios de guerra. A necessidade de salvaguardar essas instalações e ativos marítimos contra ameaças variadas, incluindo as assimétricas, é uma prioridade estratégica para a segurança nacional.
Após uma fase inicial de avaliação rigorosa, conduzida em janeiro de 2026 na costa de Saint-Mandrier, próximo a Toulon, sete soluções de drones existentes foram submetidas a uma série de testes. Estas avaliações se concentraram em aspectos cruciais de desempenho, como capacidade de navegação em diferentes condições marítimas, autonomia de energia para missões de longa duração e a proficiência na tomada de decisões autônomas em cenários complexos. Com base nos resultados desses ensaios, a DGA e a AID reduziram o número de competidores para as três equipes que agora avançarão no programa.
Os parceiros industriais e suas inovações
A segunda fase do programa DANAE, que teve início em setembro de 2026 e se estenderá até o final de 2027, prevê que os três parceiros industriais selecionados recebam financiamento para o desenvolvimento e teste de protótipos maiores ao longo dos próximos 12 meses. As equipes pré-selecionadas e suas propostas são:
• **SEAir & The ORCAS Group:** Esta parceria, com a SEAir atuando como plataforma e integradora principal, propõe uma plataforma multimissão inovadora denominada 'Flying USV'. Operando sobre hidrofólios, este sistema se distingue por oferecer vantagens significativas em termos de velocidade superior, furtividade, maior resistência operacional e estabilidade aprimorada para sensores e armamentos, mesmo em condições de mar agitado. Além disso, seu design compacto permite o destacamento direto de fragatas, conferindo uma flexibilidade tática e operacional valiosa para a Marinha Francesa.
• **SeaOwl:** Apresentando o sistema NEMEZIS, a SeaOwl introduz uma arquitetura dual-mode inovadora, permitindo operação tripulada e autônoma. Esta versatilidade expande consideravelmente o leque operacional da embarcação EDO 4G MN. Equipado com um conjunto avançado de sensores para consciência situacional aprimorada e uma torre de dissuasão não letal para resposta graduada, o NEMEZIS é otimizado para operações de patrulha, vigilância e escolta contínuas, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Sua capacidade de ser controlado por um único operador, aliada a altos níveis de integração de carga útil e tomada de decisão autônoma, destaca sua eficiência e simplicidade operacional.
• **SIREHNA, Couach & Naval Group:** Este consórcio apresenta o Seaquest S, um USV modular e versátil de 9 metros, concebido desde o início como um drone. Seu formato intermediário permite uma integração perfeita em sistemas de combate navais existentes e a capacidade de operar eficazmente em estados de mar degradados. O Seaquest S pode ser rapidamente desdobrado de embarcações da marinha, seja de forma independente ou em operações de enxame cooperativo, oferecendo uma capacidade de cobertura e resposta expandida contra múltiplas ameaças.
Ao término desta segunda fase, que terá uma duração total de 12 a 18 meses, um único vencedor será selecionado e receberá um contrato para fornecer à Marinha Francesa um USV para “produção em massa”. A escolha final está prevista para o final de 2027, sendo precedida por uma fase de testes no mar mais extensa e abrangente do que a realizada em janeiro de 2026.
Autonomia, soberania e a futura marinha francesa
Os pilares técnicos do projeto DANAE são fortemente focados em autonomia de navegação, gerenciamento de energia para garantir resistência estendida em missão, classificação autônoma de ameaças e autonomia na tomada de decisões. É crucial ressaltar que a autoridade final de disparo e o controle sobre os sistemas de armamento permanecerão estritamente nas mãos de operadores humanos, garantindo a ética e a responsabilidade nas operações. Conforme observado por Jean-François Thomas, gerente de aceleração da inovação na AID e líder do projeto DANAE, os três parceiros demonstraram as soluções mais maduras e alinhadas com os rigorosos requisitos operacionais da Marinha. Com a janela de desenvolvimento de protótipos de 12 meses já em andamento, apoiada pela expertise técnica naval da DGA, a iniciativa DANAE consolida o esforço da França em direção à soberania tecnológica e à supremacia operacional contra as ameaças marítimas assimétricas emergentes.
Este programa não é um esforço isolado, mas corre em paralelo com outros marcos importantes na autonomia naval francesa. Um exemplo é a licitação lançada pela DGA para drones de superfície embarcados de longa duração, dedicados a missões de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR). Essas iniciativas conjuntas indicam uma abordagem faseada da Marinha Francesa para a construção de um modelo de 'marinha híbrida', que integra harmoniosamente plataformas tripuladas e não tripuladas para otimizar suas capacidades em todos os domínios marítimos.
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