Nos prestigiosos DALO Industry Days de 2026, a OSK Design, uma renomada empresa no setor de engenharia naval, apresentou seu mais recente e inovador projeto: o conceito de uma corveta costeira de 95 metros. Esta embarcação foi especificamente concebida para oferecer à Marinha Real Dinamarquesa uma solução robusta e altamente adaptável, caracterizada por um armamento substancial e uma arquitetura modular. O principal objetivo deste desenvolvimento é preencher uma lacuna de capacidade identificada na estrutura da frota dinamarquesa, que busca uma plataforma que se posicione estrategicamente entre as fragatas tradicionais e os modernos sistemas navais não tripulados.
Durante o evento, que serve como um ponto de encontro crucial para inovadores da indústria de defesa, a equipe da Naval News teve a oportunidade de dialogar com Lars Povl Jensen, o Chefe de Defesa da OSK Design. Jensen detalhou a visão por trás do conceito da corveta costeira, enfatizando que o projeto é uma resposta direta à necessidade de uma embarcação que não se encaixa nas categorias existentes da frota dinamarquesa. Ele explicou que a corveta de 95 metros foi meticulosamente concebida para ocupar um espaço operacional intermediário, combinando a capacidade de combate de uma embarcação tripulada com a flexibilidade operacional exigida pelos cenários contemporâneos de guerra naval, posicionando-se assim entre a capacidade de patrulha e combate de fragatas e as missões especializadas de sistemas não tripulados.
O desenvolvimento desta nova corveta costeira não parte do zero; ela é profundamente influenciada por um projeto anterior de navio-patrulha que a OSK Design havia criado para a Marinha da Lituânia, conhecido como Pakunas. Para atender às demandas operacionais mais amplas e complexas da Marinha Real Dinamarquesa, a equipe de engenharia da OSK Design realizou modificações significativas no design original. Estas incluíram o alongamento do casco e uma ligeira redução na boca (largura) da embarcação. Tais alterações foram estrategicamente implementadas para otimizar a velocidade e a agilidade da corveta, resultando em um combatente de superfície ágil, capaz de superar a marca de 25 nós. Este desempenho é garantido por um sistema de propulsão CODLAD (Combined Diesel-Electric And Diesel) avançado, que integra motores a diesel, geradores elétricos e motores elétricos, acionando tanto dois propulsores convencionais quanto sistemas de propulsão tipo pod drive, oferecendo redundância e eficiência. Adicionalmente, o arranjo de propulsão incorpora um pacote de baterias de alta capacidade, concebido para permitir operações de baixo ruído, essenciais para missões de vigilância e inteligência, e para assegurar um armazenamento eficiente de energia, contribuindo para a sustentabilidade operacional da embarcação.
Analisando as especificações técnicas principais, a corveta costeira de 95 metros se destaca por suas dimensões cuidadosamente equilibradas para versatilidade e desempenho. A embarcação possui um comprimento total de 95 metros, uma boca (largura) de 14 metros e um calado de 4,5 metros, o que lhe confere uma presença imponente e, ao mesmo tempo, adequada para operações em águas costeiras e mais profundas. No que diz respeito à propulsão, a plataforma é equipada com um robusto sistema CODLAD de 20 MW. Este sistema, como mencionado, permite à corveta atingir uma velocidade máxima superior a 25 nós, oferecendo a agilidade necessária para responder rapidamente a diversas situações operacionais, seja por meio de dois propulsores tradicionais ou pela maior manobrabilidade proporcionada pelos sistemas de propulsão tipo pod.
Capacidades operacionais e suíte de armamento avançada
Apesar de seu porte de corveta, a OSK Design concebeu esta plataforma com uma suíte de armamento substancial, desafiando as expectativas para embarcações desta categoria. Lars Povl Jensen destacou que a corveta apresenta capacidades de autodefesa e poder de fogo consideravelmente superiores às encontradas em navios de tamanho similar. Esta é uma escolha de design intencional e estratégica, pensada para fazer face às ameaças em constante evolução, como drones e táticas de guerra assimétrica, que caracterizam o cenário da guerra litorânea moderna. A intenção é prover à Marinha Real Dinamarquesa uma ferramenta capaz de operar com eficácia em ambientes de combate complexos, onde a capacidade de resposta rápida e o poder de dissuasão são cruciais.
A proposta de armamentos para a corveta costeira reflete essa filosofia de poder de fogo ampliado. Inclui um canhão principal de até 76 mm, que oferece capacidade de ataque contra alvos de superfície e apoio de fogo. Para defesa de ponto e enfrentamento de ameaças aéreas e de superfície próximas, a embarcação pode ser equipada com um sistema de armas de aproximação (CIWS) de até 35 mm. Complementando a defesa, de duas a quatro estações de armas remotas (RWS) podem ser integradas para engajamento de alvos menores ou em cenários de combate assimétrico. No que tange à capacidade ofensiva, a corveta prevê de oito a dezesseis lançadores de mísseis antinavio, conferindo-lhe um poder de ataque significativo contra embarcações inimigas. Um Sistema de Lançamento Vertical (VLS) com até dezesseis células está também no projeto, permitindo o uso de uma vasta gama de mísseis, incluindo defesas antiaéreas e, potencialmente, mísseis de ataque a alvos terrestres ou antissubmarino, dependendo da configuração. Para guerra antissubmarina (ASW), o design incorpora tubos de torpedo dedicados, essenciais para a detecção e engajamento de submarinos inimigos, reforçando suas capacidades em um dos domínios mais desafiadores da guerra naval moderna.
Para complementar e otimizar este poder de fogo ofensivo, a corveta é dotada de uma suíte de sensores e um sistema de gerenciamento de combate robustos e integrados. O arranjo proposto inclui um radar de vigilância aérea 3D, com capacidade de detecção que ultrapassa 120 milhas náuticas, crucial para a consciência situacional em amplas áreas marítimas. Um radar de controle de fogo integrado assegura a precisão no engajamento de alvos. Sistemas de apoio e contramedidas eletrônicas (ESM/ECM) são essenciais para detecção, classificação e neutralização de ameaças baseadas em emissões eletromagnéticas. Sensores eletro-ópticos/infravermelhos (EO/IR) fornecem capacidade de vigilância passiva e de identificação de alvos em diversas condições climáticas e de iluminação. Para a dimensão subaquática, a corveta dispõe de um sonar de casco, complementado por um sonar de profundidade variável (VDS) opcional, que expande significativamente as capacidades de detecção e rastreamento de submarinos, permitindo operações mais eficazes em diferentes perfis de profundidade.
Modularidade, tripulação e alcance estratégico
A flexibilidade e a modularidade constituem a espinha dorsal da arquitetura desta corveta costeira, um pilar fundamental para sua adaptabilidade a uma vasta gama de missões. A seção de popa da embarcação é projetada com um espaçoso e configurável compartimento de missão, capaz de acomodar até seis posições para contêineres ISO de 20 pés. Esta área foi meticulosamente concebida para permitir uma reconfiguração rápida e eficiente, o que é vital para o apoio contínuo à implantação, recuperação e gerenciamento de sistemas não tripulados, sejam eles veículos de superfície (USVs), veículos subaquáticos (UUVs) ou drones aéreos. Além disso, a versatilidade deste compartimento se estende à capacidade de lançamento de minas marítimas, oferecendo uma camada adicional de capacidades estratégicas. Para operações aéreas, o navio integra um convés de aviação robusto, dimensionado para operar com helicópteros de médio porte de até 10 toneladas. Este convés é complementado por instalações de hangar, um centro de controle dedicado a veículos aéreos não tripulados (UAVs) e capacidade de reabastecimento no próprio convés, garantindo autonomia e suporte contínuo para missões de reconhecimento, busca e salvamento, ou ataque.
Para operar eficientemente todas essas capacidades avançadas e complexas, a corveta foi projetada com uma pegada de tripulação principal enxuta. A embarcação é concebida para uma tripulação permanente de 45 militares, otimizando a eficiência operacional e reduzindo custos. Além disso, dispõe de acomodações adicionais para até 25 especialistas da equipe de missão, que podem ser integrados conforme a natureza da operação, elevando a capacidade total para até 70 pessoas. Esta abordagem permite que a Marinha Real Dinamarquesa personalize a composição da tripulação de acordo com as exigências específicas de cada missão, seja ela de patrulha, combate, vigilância ou apoio a operações especiais.
É digno de nota que o conceito da corveta costeira se insere em uma família mais ampla e emergente de embarcações com classificação para gelo desenvolvidas pela OSK Design. Esses navios compartilham semelhanças arquitetônicas fundamentais, incluindo conceitos previamente propostos para atender aos requisitos de fragatas árticas. Embora suas principais áreas de atuação estejam inicialmente previstas para o Mar Báltico, Mar do Norte e Mar Mediterrâneo, o design da corveta mantém a flexibilidade e a robustez necessárias para transitar e operar em águas do Atlântico Norte. Esta capacidade sublinha a versatilidade estratégica da plataforma, permitindo que a Marinha Dinamarquesa a utilize em uma variedade de teatros operacionais, adaptando-se às dinâmicas geopolíticas e aos desafios de segurança marítima que podem surgir em diferentes regiões.
Ao harmonizar sensores de nível de fragata e uma adaptabilidade modular sem precedentes com os custos operacionais mais reduzidos de uma corveta, a OSK Design está oferecendo à Marinha Real Dinamarquesa uma resposta altamente versátil e econômica para os complexos desafios de segurança marítima do futuro. Esta abordagem inovadora promete uma plataforma capaz de maximizar o impacto operacional e a flexibilidade estratégica dentro do orçamento de defesa. Acompanhe a OP Magazine em nossas redes sociais para ficar por dentro das últimas análises sobre defesa, geopolítica e segurança, e não perca nossos próximos conteúdos aprofundados sobre as inovações que moldam o cenário militar global.










