A Força Aérea Argentina (FAA) está programada para receber o segundo lote de seis caças F-16 Fighting Falcon adquiridos da Dinamarca na segunda quinzena de setembro. O porta-voz presidencial, Adrián Ravier, confirmou a informação em coletiva de imprensa na Casa Rosada, destacando a continuidade do programa de modernização da capacidade de defesa aérea do país. Esta aquisição é vista como um passo fundamental para restabelecer a capacidade de interceptação supersônica da Argentina, um objetivo estratégico de longo prazo para as suas forças armadas.
Antecipação da entrega e composição estratégica da frota
O novo contingente de aeronaves será composto por quatro caças F-16AM monopostos e dois F-16BM bipostos. Com essa adição, o número de aeronaves operacionais eleva-se para 12, integrando-se ao programa mais amplo de aquisição de um total de 24 caças. A chegada antecipada em setembro representa uma aceleração significativa em relação ao planejamento inicial, que previa o recebimento deste grupo apenas para o fim de 2026, evidenciando o empenho em agilizar a capacidade operacional da FAA. Em abril, a própria Força Aérea Argentina já havia comunicado a intenção de adiantar o transporte, repetindo a estrutura logística bem-sucedida da entrega inicial. As aeronaves passaram por uma rigorosa inspeção técnica para garantir a conformidade com os padrões estabelecidos no contrato com a Agência de Aquisições e Logística de Defesa da Dinamarca (DALO).
O primeiro lote, entregue em dezembro de 2025, possuía uma composição invertida: quatro F-16BM bipostos e dois F-16AM monopostos. Com a segunda entrega, a frota operacional argentina alcançará uma distribuição equilibrada de seis aeronaves de cada versão. Os F-16BM, com dois assentos, são cruciais para a formação avançada e conversão operacional de pilotos, enquanto os F-16AM monopostos serão prioritariamente empregados em missões operacionais de defesa aérea e ataque, otimizando a capacidade de resposta e treinamento da força.
Operação logística internacional e integração na força aérea
A operação de traslado, conhecida como voo ferry, é uma iniciativa logística internacional complexa, demandada pela autonomia dos caças e pelas grandes distâncias entre a Dinamarca e a América do Sul. Segundo Ravier, os aviões farão escalas técnicas na Espanha e no Brasil antes de chegarem à Argentina. A travessia do Atlântico será apoiada por aeronaves-tanque KC-135 Stratotanker da Força Aérea dos Estados Unidos, responsáveis pelos reabastecimentos em voo indispensáveis para a conclusão do percurso. A participação norte-americana é essencial, uma vez que o F-16 é uma aeronave de origem dos Estados Unidos, e a transferência dos exemplares dinamarqueses requer autorização e apoio governamental de Washington.
Na primeira entrega, a rota incluiu escalas em Zaragoza e nas Ilhas Canárias, na Espanha, seguida pela travessia oceânica com o suporte de três KC-135R da Força Aérea dos Estados Unidos. A formação também realizou uma parada estratégica em Natal, Rio Grande do Norte, antes de prosseguir para o Área Material Río Cuarto, na província argentina de Córdoba. Além dos reabastecedores, o voo inaugural contou com um KC-130H Hercules argentino em função de busca e salvamento, e um Boeing 737-700 T-99 Islas Malvinas, utilizado para transporte de pessoal e apoio logístico. Os detalhes exatos da composição da missão para setembro ainda estão sendo finalizados.
Após a chegada, os seis novos F-16 serão inicialmente incorporados à estrutura do Área Material Río Cuarto, local que serviu para a recepção e os primeiros voos do lote anterior. Contudo, essa permanência em Córdoba é transitória. O destino definitivo da frota será a VI Brigada Aérea, em Tandil, uma base tradicionalmente dedicada à aviação de caça supersônica argentina. Atualmente, a base passa por obras de infraestrutura extensivas, que incluem a modernização de hangares, instalações de manutenção, áreas operacionais, sistemas de segurança, depósitos e estruturas essenciais para o treinamento de pilotos e técnicos, visando a plena integração do novo sistema de armas. Os primeiros F-16 iniciaram voos na Argentina em abril de 2026, com instrutores e tripulações em processo de conversão, e em julho, pilotos argentinos já realizaram o primeiro voo solo no modelo, um marco importante para o avanço da formação operacional.
Restabelecimento da capacidade de defesa supersônica argentina
A Argentina assinou o acordo para adquirir os 24 F-16 modernizados da Real Força Aérea Dinamarquesa em abril de 2024. O pacote completo abrange não apenas as aeronaves monopostas e bipostas, mas também quatro simuladores de voo avançados, oito motores adicionais, equipamentos de apoio, treinamento especializado e o fornecimento de peças de reposição por um período de cinco anos. O objetivo primordial desta aquisição é reconstruir a capacidade de interceptação supersônica da Força Aérea Argentina, uma lacuna que se abriu após a retirada dos últimos caças Mirage em 2015. Desde então, a Argentina tem operado sem um interceptor supersônico de primeira linha, e os F-16 estão projetados para se tornarem a espinha dorsal de sua defesa aérea.
A chegada desses caças representa um avanço estratégico fundamental para a Força Aérea Argentina, marcando a revitalização de sua capacidade de defesa e o posicionamento de uma plataforma moderna no cenário regional. Para análises aprofundadas sobre defesa, geopolítica e segurança, continue acompanhando a OP Magazine em nossas redes sociais e site, e mantenha-se informado sobre os desdobramentos mais relevantes.








