As forças navais da Rússia e do Vietnã conduziram um exercício conjunto de alta complexidade focado em busca e salvamento de submarinos no estratégico Mar do Sul da China. A operação ocorreu logo após uma escala técnica de navios russos na base naval vietnamita de Cam Ranh, um ponto de apoio crucial na região. Este treinamento mobilizou ativos submarinos e de superfície de ambas as nações, incluindo o submarino diesel-elétrico Ufa, pertencente à Marinha Russa, e o HQ-183 Ho Chi Minh City, operado pela Marinha Popular do Vietnã, além do navio de salvamento Igor Belousov, uma embarcação especializada equipada com sistemas avançados capazes de operar a centenas de metros de profundidade. O intercâmbio operacional e a execução de procedimentos complexos em um cenário de emergência submarina sublinham a importância da prontidão e da cooperação em uma das rotas marítimas mais movimentadas e sensíveis do globo.
A participação russa destacou o submarino Ufa, um exemplar do Projeto 636.3, reconhecido por suas capacidades operacionais avançadas em termos de sigilo e poder de fogo, e o navio de salvamento Igor Belousov, integrante da Frota do Pacífico, projetado especificamente para missões de resgate em condições extremas. Do lado vietnamita, o exercício contou com o submarino HQ-183 Ho Chi Minh City, uma das seis unidades da classe Kilo que compõem a força submarina do Vietnã, representando um componente vital de sua capacidade de defesa marítima. A escolha de submarinos da mesma família, com o Ufa sendo do Projeto 636.3 e o HQ-183 uma versão de exportação da classe Kilo, facilita a interoperabilidade e a padronização de procedimentos, apesar das diferenças específicas entre as unidades. Esta semelhança arquitetônica e operacional simplifica a coordenação de salvamento e a troca de experiências técnicas, sendo um fator facilitador para a execução de exercícios complexos como este.
Simulação de avarias e o papel do navio Igor Belousov
O roteiro do exercício foi meticulosamente planejado para simular cenários de emergência crítica. Conforme detalhado pela assessoria de imprensa da Frota do Pacífico, tanto o Ufa quanto o HQ-183 adotaram posições no leito marinho, simulando avarias que os deixaram incapacitados e isolados. Esta etapa é fundamental para o realismo do treinamento, pois replicar as condições desafiadoras de um submarino acidentado em grandes profundidades testa a capacidade das equipes de resgate de operar sob pressão e com precisão. As equipes de salvamento tiveram, então, a tarefa de localizar e inspecionar cuidadosamente esses submarinos 'avariados', empregando veículos submarinos operados remotamente, que são essenciais para avaliação inicial de danos e para o planejamento de operações de recuperação sem colocar mergulhadores em risco iminente.
A bordo do Igor Belousov, o veículo submarino Pantera Plus foi o protagonista dessa fase. Este sistema é especificamente desenvolvido para inspeção de objetos submersos e para a realização de trabalhos complexos a profundidades que podem atingir até 1.000 metros, oferecendo uma capacidade de exploração e intervenção vital em missões de resgate. Paralelamente, equipes vietnamitas replicaram procedimentos análogos, concentrando seus esforços na inspeção do submarino russo, o que demonstra a intenção de ambos os países em padronizar e sincronizar suas metodologias de salvamento. Além da localização e inspeção física das embarcações, o treinamento incluiu um valioso intercâmbio de conhecimentos. Militares dos dois países compartilharam experiências sobre a organização de operações de resgate, a aplicação tática de sistemas submarinos e os protocolos de assistência a tripulações que se encontram isoladas em situações críticas no fundo do mar. Após a fase ativa do exercício, os participantes retornaram à base de Cam Ranh para uma análise detalhada dos resultados, um passo crucial para a avaliação da eficácia do treinamento e a identificação de áreas para aprimoramento. Posteriormente, o destacamento naval russo partiu do porto, dando continuidade à sua extensa missão de cruzeiro de longa duração.
A engenharia avançada do Igor Belousov e a força submarina vietnamita
O Igor Belousov é o navio líder do Projeto 21300, uma série de embarcações de salvamento de última geração, e foi formalmente comissionado na Marinha Russa em 25 de dezembro de 2015. Sua construção pelos renomados Estaleiros do Almirantado marcou um marco significativo, sendo a primeira embarcação russa de salvamento submarino dessa categoria a ser produzida em aproximadamente três décadas, preenchendo uma lacuna estratégica na frota. Com 97,8 metros de comprimento e um deslocamento que se aproxima de 5.037 toneladas, o navio foi meticulosamente projetado para uma gama de tarefas críticas: localizar submarinos acidentados, realizar avaliações precisas de sua condição, prestar assistência vital às tripulações e conduzir operações de evacuação seguras. Sua suíte de equipamentos essenciais inclui o veículo submarino não tripulado Pantera Plus, o veículo de resgate tripulado Bester-1, com capacidade para operar a profundidades de até 700 metros, e o complexo de mergulho profundo GVK-450, que permite trabalhos com mergulhadores a até 450 metros. Adicionalmente, o navio dispõe de câmaras de descompressão avançadas, capazes de acomodar até 60 submarinistas, e alojamentos de emergência que podem receber até 120 sobreviventes, demonstrando sua capacidade abrangente para lidar com acidentes de grande escala.
Um detalhe notável e menos divulgado sobre o Igor Belousov reside na origem internacional de parte de seu principal sistema de mergulho. O GVK-450, peça central para operações de resgate em profundidade, foi um projeto e fornecimento conjunto da empresa escocesa Divex, em colaboração estratégica com a companhia russa Tetis Pro. Esta configuração tecnológica permite manter até 12 mergulhadores em regime de saturação, uma técnica que estende significativamente o tempo de permanência em profundidade, e enviar até três profissionais por vez, dentro de um sino de mergulho, a profundidades de até 450 metros. A complexidade do sistema GVK-450 reflete uma cadeia de suprimentos globalizada da época: embora o fornecedor principal estivesse sediado em Aberdeen, Escócia, as câmaras de descompressão, o sino e parte dos controles foram fabricados em Perth, Austrália; os sistemas de lançamento, suporte à vida e gerenciamento de gases foram produzidos na Escócia; e equipamentos de controle ambiental vieram das instalações da empresa na África do Sul. A integração dessa tecnologia ocidental em um dos navios de resgate submarino mais importantes da Rússia ilustra um período anterior à imposição de sanções abrangentes a Moscou, quando empresas europeias ainda participavam ativamente de programas navais russos de alta complexidade, evidenciando uma era de maior cooperação tecnológica internacional.
O HQ-183 Ho Chi Minh City e o contexto estratégico do Vietnã
O submarino HQ-183 Ho Chi Minh City é o segundo das seis unidades da classe Kilo adquiridas pelo Vietnã junto à Rússia, representando um pilar fundamental na modernização de sua Marinha. Esta embarcação foi oficialmente incorporada em abril de 2014, em conjunto com o HQ-182 Hanoi. As duas unidades formaram o núcleo inicial da Brigada de Submarinos 189 da Marinha Popular do Vietnã, estrategicamente sediada na base naval de Cam Ranh. A utilização de submarinos derivados da mesma família de projetos pela Rússia e pelo Vietnã é um facilitador primordial para a condução de exercícios conjuntos de salvamento, otimizando a compatibilidade de equipamentos e procedimentos. Embora o Ufa pertença ao Projeto 636.3 e a unidade vietnamita seja uma versão de exportação, as semelhanças fundamentais na arquitetura, nos protocolos operacionais e nos sistemas de salvamento permitem uma coordenação eficaz e uma troca de conhecimentos de alto valor. Este treinamento, portanto, não apenas aprimora as capacidades de resgate, mas também oferece ao Vietnã uma oportunidade crucial para testar e validar sua estrutura de resposta a acidentes envolvendo sua principal força submarina, em uma região notoriamente caracterizada por um tráfego naval intenso e por complexas disputas marítimas, elevando o perfil de segurança e prontidão operacional do país.
Acompanhados de perto pelas forças navais de outras nações, como o Japão, os navios russos e vietnamitas desempenharam um papel significativo ao conduzir este exercício. Este cenário sublinha a relevância e a visibilidade de tais operações em um ambiente geopolítico dinâmico. Para a OP Magazine, é fundamental continuar aprofundando a análise desses eventos que moldam a segurança global. Mantenha-se informado sobre as últimas análises e reportagens exclusivas sobre defesa, geopolítica e segurança, seguindo-nos em nossas redes sociais para não perder nenhuma atualização e fazer parte da nossa comunidade de leitores engajados.








