
O Comando Militar do Leste (CML) realizou, em 10 de junho de 2026, a cerimônia alusiva ao Dia da Artilharia no Campo de Parada Brigadeiro Sampaio, na Vila Militar, no Rio de Janeiro. A solenidade reuniu todas as organizações militares de Artilharia do Comando Militar do Leste e do Departamento de Educação e Cultura do Exército, englobando tropas do Rio de Janeiro, Niterói, Juiz de Fora e Pouso Alegre, além do Batalhão de Artilharia do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil.
A solenidade foi presidida pelo Gen Ex Kleber Nunes de Vasconcellos, Comandante de Operações Terrestres; e contou com a presença do Comandandante Militar do Leste, Gen Ex Pedro Celso Coelho Montenegro; do Comandante da 1ª Divisão de Exército, Gen Div Fabiano Lima de Carvalho, além de oficiais-generais, comandantes de organizações militares e convidados. Os pontos de destaque neste momento de celebração foram as presenças de duas gerações de descendentes diretos do Marechal Mallet: os Srs Emilio Antonio Mallet e Emilio Antonio Salles Mallet, simbolizando o encontro de diferentes gerações ligadas à história e às tradições da Arma de Artilharia; e do 2° Ten Sylvio Siqueira, veterano da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial.

Tradição e prontidão operacional no âmbito do Comando Militar do Leste
A celebração realizada na Vila Militar também evidenciou a importância estratégica da Artilharia na área de responsabilidade do Comando Militar do Leste. As capacidades da Arma na região são centralizadas e coordenadas pela Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Exército (AD/1), sediada em Niterói (RJ), grande unidade responsável pelo planejamento, coordenação e integração do apoio de fogo às forças subordinadas à 1ª Divisão de Exército.
Sob a coordenação da AD/1, encontram-se algumas das mais tradicionais e especializadas organizações de Artilharia do Exército Brasileiro. Entre elas está o 31º Grupo de Artilharia de Campanha (Escola), sediado no Rio de Janeiro, unidade que desempenha papel fundamental na formação, especialização e atualização doutrinária dos artilheiros da Força Terrestre. Também na capital fluminense estão sediados o 11º Grupo de Artilharia de Campanha e o 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista, este último responsável por prover apoio de fogo às operações da Brigada de Infantaria Paraquedista, constituindo uma das principais capacidades de apoio aeroterrestre do Exército Brasileiro.
Em Niterói, além do Quartel-General da AD/1, encontra-se o 21º Grupo de Artilharia de Campanha, unidade que integra o sistema de apoio de fogo da Divisão de Exército e contribui para a manutenção da prontidão operacional das forças terrestres na região. Complementando as capacidades voltadas à proteção da força, a 21ª Bateria de Artilharia Antiaérea Paraquedista desempenha missão essencial na defesa antiaérea da Brigada de Infantaria Paraquedista, ampliando a proteção de tropas e instalações contra ameaças aéreas.

No estado de Minas Gerais, a presença da Artilharia no âmbito do CML é representada pelo 4º Grupo de Artilharia de Campanha Leve de Montanha, sediado em Juiz de Fora, organização especializada no apoio de fogo em terrenos montanhosos e ambientes operacionais de difícil acesso, e pelo 14º Grupo de Artilharia de Campanha, em Pouso Alegre, tradicional unidade conhecida como “Grupo Fernão Dias”, que integra as capacidades de apoio de fogo da Força Terrestre na região Sudeste.
A estrutura de defesa antiaérea do Comando Militar do Leste também possui capacidades especializadas voltadas tanto para o emprego operacional quanto para a formação de recursos humanos. Nesse contexto, destaca-se o 1º Grupo de Artilharia Antiaérea (1º GAAAe), sediado no Rio de Janeiro, uma das principais unidades de defesa antiaérea do Exército Brasileiro. Integrante do Sistema de Defesa Antiaérea do Exército (SISDABRA), o grupo é responsável por prover proteção contra ameaças aéreas a forças terrestres, instalações estratégicas e infraestruturas críticas, contribuindo para a preservação da liberdade de ação das tropas em operações. Sua capacidade de vigilância, detecção, acompanhamento e engajamento de alvos aéreos constitui elemento fundamental para a proteção da Força Terrestre em um ambiente operacional cada vez mais marcado pela presença de aeronaves, mísseis e sistemas aéreos não tripulados.
Complementando essas capacidades, a 21ª Bateria de Artilharia Antiaérea Paraquedista, unidade orgânica da Brigada de Infantaria Paraquedista, é responsável por prover proteção antiaérea às tropas aeroterrestres em operações. Sua missão consiste em assegurar a defesa de forças, instalações e pontos sensíveis contra ameaças aéreas, garantindo maior liberdade de manobra e ampliando a capacidade de sobrevivência da brigada em cenários de elevada mobilidade e pronta resposta.
No campo da formação e do desenvolvimento doutrinário, a 9ª Bateria de Artilharia Antiaérea (Escola), sediada em Macaé (RJ), desempenha papel fundamental na capacitação e especialização de militares da Artilharia Antiaérea. Esse esforço é complementado pela Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea (EsACosAAe), centro de excelência responsável pela formação de recursos humanos, aperfeiçoamento doutrinário e desenvolvimento das capacidades relacionadas à defesa antiaérea, contribuindo diretamente para a modernização e a evolução tecnológica da Arma no Exército Brasileiro.
O conjunto dessas organizações militares confere ao Comando Militar do Leste uma das mais relevantes concentrações de capacidades de apoio de fogo, defesa antiaérea, ensino e desenvolvimento doutrinário do Exército Brasileiro. Além de assegurar elevado nível de prontidão operacional às forças terrestres da região, essas unidades contribuem diretamente para a formação de especialistas, a modernização da Arma e a manutenção das capacidades estratégicas necessárias ao emprego da Força Terrestre nos mais diversos cenários operacionais.

Mallet: o patrono que transformou o fogo em instrumento decisivo do combate
O Dia da Artilharia é celebrado em 10 de junho em homenagem ao nascimento de Marechal Emílio Luiz Mallet, ocorrido em 1801. Nascido em Dunquerque, na França, Mallet estabeleceu-se no Brasil ainda jovem e construiu uma carreira militar que o levaria a ocupar posição de destaque na história do Exército Brasileiro.
Sua atuação tornou-se particularmente relevante durante a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), conflito que mobilizou Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai. À frente das forças de Artilharia brasileiras, Mallet destacou-se pela competência técnica, capacidade de planejamento e emprego eficiente do apoio de fogo em operações de grande escala.
Em Tuiuti, a maior batalha campal da América do Sul, suas bocas-de-fogo foram batizadas “artilharia revólver”, tal a precisão e a rapidez de seus fogos. Ainda nessa batalha, a previsão e a criatividade do chefe militar assegurou importante vitória do Exército Imperial. O profundo fosso que Mallet fez construir para proteção de suas peças constituiu-se em eficiente obstáculo que impediu o avanço da tropa inimiga. Esse fato passo entrou para a história com a célebre frase do Comandante da Artilharia Brasileira: “Eles que venham. Por aqui não passarão!”
Poucos militares exerceram influência tão duradoura sobre uma Arma quanto o Marechal Emílio Luiz Mallet. Seu legado transcende os feitos registrados nos campos de batalha do século XIX e permanece incorporado à identidade profissional dos artilheiros brasileiros. Mais do que um comandante vitorioso, Mallet tornou-se símbolo da combinação entre conhecimento técnico, liderança e capacidade de adaptação às exigências do combate. Sua trajetória ajudou a consolidar a Artilharia como elemento indispensável das operações militares e referência permanente de eficiência no apoio às forças terrestres.
Ao celebrar o Dia da Artilharia, o Exército Brasileiro não apenas reverencia a memória de seu patrono, mas também reafirma a continuidade de uma tradição construída ao longo de mais de dois séculos de história militar. Uma tradição que une passado e futuro sob o mesmo compromisso: fornecer, com precisão e oportunidade, o poder de fogo necessário para o êxito das operações. É com fogo que se ganham as batalhas!

































