Em um cenário de operações futuras, situado em desertos austeros ou ilhas isoladas, o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos busca a capacidade de pousar aeronaves em aeródromos operacionais em até 90 minutos após o desembarque do equipamento necessário, transportado por um MV-22 Osprey ou CH-53 King Stallion. Essa visão ambiciosa impulsiona a busca pela “Expeditionary Precision Approach Landing Capability” (EPALC). O Comando de Sistemas Aéreos Navais (NAVAIR) lançou recentemente uma solicitação de informações (RFI), convidando a indústria a apresentar detalhes sobre sistemas de navegação de linha de voo que permitam o pouso de qualquer aeronave do Corpo, tripulada ou não, em todas as condições climáticas. O sistema deve ser facilmente transportado e configurado, refletindo a crescente ênfase em operações expedicionárias em ambientes desafiadores.

Sistema de navegação para pousos de precisão
O principal objetivo dessa iniciativa é equipar os fuzileiros navais com um sistema de navegação que possa ser rapidamente implantado e operacional em locais remotos. Esse sistema, a ser transportado por aeronaves como o MV-22, CH-53 ou C-130, deve ser configurado por uma equipe de quatro pessoas em no máximo 90 minutos.
Requisitos técnicos e operacionais
Além da rapidez na implantação, o sistema precisa fornecer orientação de aproximação de precisão para aeronaves em condições climáticas adversas, com visibilidade limitada a cerca de 800 metros. Seu alcance operacional deve ser de pelo menos 37 quilômetros. A durabilidade é crucial, com especificações exigindo características “ambientalmente reforçadas” capazes de operar em temperaturas extremas, variando de -29°C a 63°C, e em níveis de umidade de até 85%.
Alinhamento com a Estratégia de Operações Expedicionárias Avançadas
Esses requisitos estão alinhados com a doutrina de “Expeditionary Advanced Base Operations” (EABO) do Corpo de Fuzileiros Navais, um conceito operacional desenvolvido ao longo da última década. A EABO enfatiza operações dispersas com pequenas unidades autossuficientes em regiões litorâneas, com o objetivo de negar o acesso marítimo ao inimigo, apoiar o controle do mar ou permitir o sustento da frota.
A ideia de operar em áreas contestadas influencia os requisitos de segurança do sistema. Isso inclui um sistema de identificação amigo-inimigo, resistência a interferências e falsificações, e a capacidade de operar silenciosamente, com uma assinatura detectável mínima.
Paralelo com o Sistema JPALS baseado em navios
A nova capacidade descrita na RFI é semelhante ao sistema Joint Precision Approach and Landing (JPALS) baseado em navios, que revolucionou os pousos em porta-aviões, fornecendo orientação baseada em GPS para o convés de voo. O JPALS, fabricado pela Collins Aerospace (uma empresa da RTX), também desenvolveu o sistema expedicionário terrestre Joint Precision Approach Landing System (eJPALS), projetado para implantação rápida e funcionalidade total em 90 minutos.
Os sistemas eJPALS terrestres e JPALS navais complementam-se, trabalhando em conjunto com o software aerotransportado JPALS e fornecendo aos pilotos instrumentação familiar. O sistema pode incluir um recurso de vigilância opcional para apoiar o controle de tráfego aéreo.
Testes e avaliações anteriores
O Corpo de Fuzileiros Navais já teve a oportunidade de testar uma versão do eJPALS. Em 2021, o sistema foi enviado para a Estação Aérea do Corpo de Fuzileiros Navais de Yuma, Arizona, para uma demonstração de três semanas envolvendo 50 pousos, incluindo as aproximações verticais realizadas pelos caças F-35B Joint Strike Fighters. A Collins Aerospace também propôs o eJPALS à Força Aérea dos EUA.
A nova RFI representa um passo inicial para investir e implantar a tecnologia. As empresas interessadas têm até 16 de janeiro para responder com descrições de tecnologias que atendam aos requisitos do NAVAIR.
A busca pelo sistema EPALC reflete o compromisso dos fuzileiros navais em modernizar suas capacidades e se adaptar a ambientes operacionais desafiadores. Ao investir em tecnologia de ponta, como sistemas de pouso de precisão portáteis, o Corpo de Fuzileiros Navais busca garantir a capacidade de projetar poder e sustentar operações em qualquer lugar do mundo. O sistema EPALC, quando implementado, representará um avanço significativo na capacidade expedicionária dos fuzileiros navais, permitindo operações mais seguras e eficientes em ambientes remotos e hostis.









