A Marinha dos Estados Unidos, conhecida globalmente como US Navy, conduziu a formal cerimônia de desativação do submarino nuclear de ataque rápido USS Alexandria (SSN 757), marcando o encerramento de uma notável trajetória operacional de 35 anos. Esta unidade, pertencente à prolífica classe Los Angeles, representa um capítulo importante na história naval recente, e sua saída de serviço simboliza tanto a evolução tecnológica quanto as constantes adaptações estratégicas da frota submarina norte-americana.
O evento solene ocorreu em 29 de junho de 2026, na prestigiada Naval Base Point Loma, localizada em San Diego, Califórnia. A ocasião reuniu uma audiência significativa, composta por tripulantes que serviram a bordo do submarino em diferentes épocas, incluindo a tripulação original que o comissionou, seus familiares e amigos próximos, bem como ex-comandantes que lideraram a embarcação. A data da desativação foi escolhida simbolicamente, pois coincidiu exatamente com os 35 anos de sua comissão, ocorrida em 29 de junho de 1991. Agora, o USS Alexandria será direcionado para o Puget Sound Naval Shipyard, no estado de Washington, onde será submetido ao processo formal e detalhado de descomissionamento, que envolve a remoção e o descarte seguro de seus componentes nucleares e o desmantelamento da estrutura.
O USS Alexandria se destaca como a 46ª unidade da classe Los Angeles a ser construída e a terceira embarcação da US Navy a carregar o nome Alexandria. Esta homenagem reflete uma dupla distinção às cidades de Alexandria, na Virgínia, e Alexandria, na Louisiana, ambas nos Estados Unidos. O lema do submarino, “Twice as Strong” (Duas vezes mais forte), é uma referência direta e um tributo a essa dupla nomeação, simbolizando a força e a resiliência associadas a essas comunidades e, por extensão, à própria embarcação e suas tripulações.
Legado operacional e estratégico do USS Alexandria
Durante a cerimônia, o contra-almirante Todd Weeks, que comandou o USS Alexandria entre 2011 e 2013, ressaltou o significativo legado construído pelo submarino e por suas diversas tripulações ao longo de mais de três décadas de ininterruptas operações. Em sua vasta vida operacional, o USS Alexandria completou um total de 14 desdobramentos no exterior, atuando em cenários estratégicos e geograficamente distintos, como o Mar Mediterrâneo, o gélido Oceano Ártico, as águas do Golfo Pérsico e a vasta região do Indo-Pacífico. Entre os marcos mais notáveis de sua carreira, destaca-se uma histórica comissão ao redor do mundo, realizada em 2004, que incluiu uma crucial passagem pelo Ártico, demonstrando sua capacidade de operar em condições extremas e em áreas de crescente importância geopolítica.
Além dessas missões de projeção de poder, o submarino forneceu suporte vital a operações militares de grande escala, como a Enduring Freedom e a Iraqi Freedom, contribuindo discretamente para os esforços de segurança e estabilização nessas regiões. Participou ativamente de exercícios no Ártico, fundamentais para o aprimoramento das táticas de guerra submarina em ambientes hostis, e executou missões de segurança marítima e de presença estratégica no Indo-Pacífico, uma área de vital interesse para a política de defesa dos Estados Unidos. Conforme dados da própria US Navy, a embarcação percorreu uma distância superior a um milhão de milhas náuticas durante sua carreira, uma prova irrefutável de sua intensa atividade e abrangência operacional.
Como um submarino nuclear de ataque rápido, o Alexandria foi meticulosamente projetado para executar uma gama diversificada de missões. Suas capacidades incluíam a guerra antissubmarino (ASW), visando a detecção e engajamento de submarinos inimigos, e a guerra antissuperfície (ASuW), para combater embarcações de superfície. Dotado de mísseis Tomahawk, possuía uma formidável capacidade de ataque terrestre, permitindo projeção de força a longas distâncias contra alvos em terra. Adicionalmente, era empregado no apoio a forças de operações especiais, facilitando missões sigilosas, e na coleta de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), fornecendo dados cruciais para a tomada de decisões. Sua versatilidade também se estendia ao suporte a grupos de batalha navais, integrando-se como um elemento-chave na defesa e projeção de poder de frotas maiores.
Desativação e o futuro da frota submarina
Em sua fase final de serviço, o USS Alexandria estava subordinado ao Commander, Submarine Squadron 11, uma esquadra sediada em San Diego. Esta unidade é responsável por reunir e operar submarinos nucleares de ataque rápido da classe Los Angeles, os quais, apesar de sua longevidade, ainda são considerados ativos estratégicos e de elevada importância para a força submarina norte-americana. A desativação do Alexandria se insere em um contexto mais amplo de redução gradual da frota de submarinos da classe Los Angeles, um movimento estratégico da US Navy que visa modernizar sua capacidade subaquática. Essas unidades vêm sendo substituídas progressivamente por submarinos mais modernos e avançados da classe Virginia, que incorporam as mais recentes tecnologias navais e de armamentos.
Apesar da transição para novas classes, a classe Los Angeles mantém-se como uma das mais numerosas e influentes na história da força submarina dos Estados Unidos, com um legado de serviço que moldou as capacidades operacionais e a doutrina naval por décadas. Com sua saída definitiva de serviço, o USS Alexandria encerra uma trajetória distinguida, caracterizada por operações discretas, longos e desafiadores períodos submersos e um papel estratégico insubstituível em diversas fases da política de defesa norte-americana. Desde a era pós-Guerra Fria, passando pelas complexas operações no Oriente Médio e chegando à crescente e competitiva disputa por influência no Indo-Pacífico, o submarino foi um instrumento silencioso, mas poderoso, da projeção de poder dos EUA.
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