A aquisição de fragatas de defesa aérea pela Suécia marca um retorno significativo à "capacidade de águas azuis" da Marinha Real Sueca (RSwN), habilitando-a a contribuir de forma mais substancial para as tarefas marítimas da OTAN. Esta declaração foi feita pelo Contra-Almirante Johan Norlén, Chefe da Marinha, na conferência Navy Tech 2026, em Gotemburgo, em 3 de fevereiro. Os quatro novos navios da classe Luleå, programados para entrar em serviço a partir de 2030, representam uma mudança estratégica fundamental na mentalidade operacional da nação.
Reposicionamento estratégico e capacidades da classe Luleå
A transição estratégica da RSwN, conforme articulado por Norlén, move-se de uma postura de "negar a liberdade de ação do adversário" para "estabelecer e sustentar o controle em toda a região do Mar Báltico". A Administração de Material de Defesa da Suécia (FMV) avaliou propostas de fragatas da Babcock, Naval Group e Navantia, e a decisão governamental final é iminente. As embarcações, nomeadas HMS Luleå, HMS Norrköping, HMS Trelleborg e HMS Halmstad, integrarão capacidade de defesa aérea de área utilizando mísseis da família MBDA Aster 30, com consideração para as variantes Block 1 e Block 1NT, fortalecendo a proteção contra ameaças aéreas.
Legado da Marinha Sueca no Báltico e o imperativo da OTAN
A RSwN aposentou suas últimas fragatas no início dos anos 1980, concentrando-se desde então em combatentes de superfície menores, como lanchas de ataque e corvetas da classe Visby, otimizadas para as águas do Báltico. Norlén descreveu a doutrina anterior: "não dominar o mar, mas negar seu uso e limitar a liberdade de ação de um oponente no Mar Báltico, criando tempo para a mobilização do exército". Essa abordagem priorizava "sobrevivência mais do que visibilidade" e "agilidade mais do que massa", resultando em investimentos em stealth, guerra eletrônica, controle de emissões, decepção e resiliência, utilizando os arquipélagos como elementos-chave para ocultação e mobilidade costeira.
A mudança para fragatas maiores e mais capazes, diferente do plano inicial de corvetas maiores sob o programa Ytstridsfartyg 2030, foi impulsionada pela adesão da Suécia à OTAN e pela invasão russa da Ucrânia. Norlén enfatizou que esta é uma "capacidade fundamentalmente nova" para as Forças Armadas e a nação, fortalecendo a defesa e o controle aéreo. A incorporação de helicópteros orgânicos também aprimorará o papel de guerra antissubmarino (ASW), permitindo apoio total aos aliados. Ele concluiu que a Suécia está "completando nossas capacidades de águas verdes e marrons e estendendo um pé ou uma perna na capacidade de águas azuis" como um aliado.
Transparência e celeridade no processo de aquisição
A FMV, que anteriormente financiou a Saab para um novo projeto de combatente, iniciou uma pesquisa de mercado internacional em maio do ano passado para opções de fragatas "off-the-shelf". O Contra-Almirante Fredrik Lindén, Diretor da Divisão de Sistemas Navais da FMV, explicou que a "velocidade era essencial para a entrega", visando as duas primeiras unidades até o final de 2030 e mitigando riscos. Ele detalhou que a pesquisa buscou "o que está disponível… o que está sendo construído, o que está na água e o que funciona", com foco especial na capacidade do sistema de mísseis Aster 30. As três propostas finais vieram da Navantia, Naval Group e Babcock, avaliadas por "tempo, capacidade e preço". A Suécia incentivou a comunalidade com sistemas existentes na RSwN, como o míssil antinavio Saab RBS 15, o torpedos leve Saab Torpedo 47 e o canhão BAE Systems 57 Mk3.
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