Rússia reafirma intenção de recuperar drone americano derrubado no Mar Negro

Incidente envolvendo aeronave de vigilância dos Estados Unidos no mar negro em março de 2023 elevou tensões bilaterais a um novo patamar de confronto entre forças russas e americanas.

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Rússia reafirma intenção de recuperar drone americano derrubado no Mar Negro

Incidente envolvendo aeronave de vigilância dos Estados Unidos no mar negro em março de 2023 elevou tensões bilaterais a um novo patamar de confronto entre forças russas e americanas.

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Em 14 de março de 2023, um caça russo Sukhoi Su-27 forçou a queda de um drone de vigilância militar norte-americano MQ-9 Reaper sobre o mar Negro, em espaço aéreo internacional, intensificando um já sensível atrito entre Moscou e Washington. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos afirmou que a manobra russa cortou a hélice do veículo aéreo remotamente pilotado, que em seguida caiu em águas internacionais, perdendo sustentação controlada de forma programada para evitar captura de sistemas críticos. O incidente levou os Estados Unidos a convocarem o embaixador russo em Washington para explicações formais sobre a ação considerada “insegura e pouco profissional” por autoridades norte-americanas, e a porta-vozes russos afirmaram que as relações entre os dois países atingiram um “ponto mais baixo”.

Aeronave russa realiza manobra para derrubar mais um drone de vigilância dos EUA. (US European Command)

No dia seguinte ao episódio, em declarações à emissora estatal Rossiya-1, o secretário do Conselho de Segurança do Kremlin, Nikolai Patrushev, afirmou que “não sei se seremos capazes de recuperá-lo ou não, mas isso deve ser feito”, referindo-se aos restos da aeronave de vigilância dos EUA no fundo do mar Negro e sublinhando que “certamente trabalharemos nisso”. Ele também acusou os Estados Unidos de, apesar de declarações públicas de não participação direta, estarem envolvidos nas operações militares relacionadas à guerra na Ucrânia. Do lado norte-americano, a Casa Branca, por meio de seu porta-voz, indicou que o Reaper poderia nunca ser recuperado, mas que medidas haviam sido tomadas para limitar o valor de inteligência que a Rússia poderia extrair caso obtivesse os destroços.

Analistas observam que o episódio não é isolado no contexto de frequentes interceptações e confrontos aéreos entre aeronaves russas e ativos dos Estados Unidos ou de aliados da OTAN em zonas de tensão como o mar Negro e o Báltico, mas assumiu maior repercussão pelo risco de escalada entre potências com capacidades nucleares e interesses estratégicos divergentes. As tensões acumuladas remontam a pelo menos a anexação da península da Crimeia pela Rússia em 2014, passando pela intervenção militar de Moscou na Síria e culminando na invasão em larga escala da Ucrânia em 2022, que transformou o mar Negro em um importante teatro de operações e vigilância aérea para os dois blocos rivais.

Embora as informações originais não indiquem detalhes operacionais sobre eventuais esforços de recuperação dos destroços ou sobre a profundidade exata e condições das águas onde o drone caiu — fatores que complicam qualquer operação de busca subaquática — o episódio permanece como um indicador das vulnerabilidades e riscos inerentes à vigilância estratégica de longo alcance em áreas de forte presença militar russa, bem como das implicações políticas que tais incidentes carregam para a diplomacia entre Washington e moscou.

Os EUA informaram que mesmo o Reaper sendo recuperado, foram adotadas medidas para limitar o valor de inteligência que a Rússia poderia extrair dos destroços. (Reprodução)

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Em 14 de março de 2023, um caça russo Sukhoi Su-27 forçou a queda de um drone de vigilância militar norte-americano MQ-9 Reaper sobre o mar Negro, em espaço aéreo internacional, intensificando um já sensível atrito entre Moscou e Washington. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos afirmou que a manobra russa cortou a hélice do veículo aéreo remotamente pilotado, que em seguida caiu em águas internacionais, perdendo sustentação controlada de forma programada para evitar captura de sistemas críticos. O incidente levou os Estados Unidos a convocarem o embaixador russo em Washington para explicações formais sobre a ação considerada “insegura e pouco profissional” por autoridades norte-americanas, e a porta-vozes russos afirmaram que as relações entre os dois países atingiram um “ponto mais baixo”.

Aeronave russa realiza manobra para derrubar mais um drone de vigilância dos EUA. (US European Command)

No dia seguinte ao episódio, em declarações à emissora estatal Rossiya-1, o secretário do Conselho de Segurança do Kremlin, Nikolai Patrushev, afirmou que “não sei se seremos capazes de recuperá-lo ou não, mas isso deve ser feito”, referindo-se aos restos da aeronave de vigilância dos EUA no fundo do mar Negro e sublinhando que “certamente trabalharemos nisso”. Ele também acusou os Estados Unidos de, apesar de declarações públicas de não participação direta, estarem envolvidos nas operações militares relacionadas à guerra na Ucrânia. Do lado norte-americano, a Casa Branca, por meio de seu porta-voz, indicou que o Reaper poderia nunca ser recuperado, mas que medidas haviam sido tomadas para limitar o valor de inteligência que a Rússia poderia extrair caso obtivesse os destroços.

Analistas observam que o episódio não é isolado no contexto de frequentes interceptações e confrontos aéreos entre aeronaves russas e ativos dos Estados Unidos ou de aliados da OTAN em zonas de tensão como o mar Negro e o Báltico, mas assumiu maior repercussão pelo risco de escalada entre potências com capacidades nucleares e interesses estratégicos divergentes. As tensões acumuladas remontam a pelo menos a anexação da península da Crimeia pela Rússia em 2014, passando pela intervenção militar de Moscou na Síria e culminando na invasão em larga escala da Ucrânia em 2022, que transformou o mar Negro em um importante teatro de operações e vigilância aérea para os dois blocos rivais.

Embora as informações originais não indiquem detalhes operacionais sobre eventuais esforços de recuperação dos destroços ou sobre a profundidade exata e condições das águas onde o drone caiu — fatores que complicam qualquer operação de busca subaquática — o episódio permanece como um indicador das vulnerabilidades e riscos inerentes à vigilância estratégica de longo alcance em áreas de forte presença militar russa, bem como das implicações políticas que tais incidentes carregam para a diplomacia entre Washington e moscou.

Os EUA informaram que mesmo o Reaper sendo recuperado, foram adotadas medidas para limitar o valor de inteligência que a Rússia poderia extrair dos destroços. (Reprodução)

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