A Força Aérea dos EUA projeta adquirir mais de 11.000 novos mísseis de cruzeiro JASSM (Joint Air-to-Surface Standoff Missile) e LRASM (Long Range Anti-Ship Missile) ao longo dos próximos cinco a sete anos, conforme um aviso de intenção divulgado recentemente. Essa iniciativa representa uma expansão drástica dos objetivos de inventário do Pentágono para ambos os sistemas de armas, cujas metas já vinham sendo periodicamente elevadas na última década. A medida insere-se no contexto de uma reconstituição militar em larga escala, subsequente à Operação Epic Fury, e reflete os fortes sinais de demanda do Pentágono para que fornecedores invistam internamente no suporte a taxas de produção mais elevadas de armamentos cruciais, visando um potencial conflito na região do Pacífico. Este movimento estratégico indica um esforço para escalar a capacidade de produção a níveis próximos dos tempos de guerra, com o objetivo de triplicar ou expandir significativamente a disponibilidade desses mísseis.
Expansão estratégica e avanços tecnológicos nos sistemas de mísseis
A aquisição planejada abrangerá os Lotes 27 a 33 do JASSM e os Lotes 13 a 19 do LRASM, consolidando um total de até 11.200 mísseis em múltiplas variantes. Esta ampla encomenda, que se estenderá pelos próximos cinco a sete anos, não se restringe apenas à compra de novas unidades, mas também contempla um aumento substancial na capacidade de sustentação, na infraestrutura de reparo de mísseis, no suporte de software e na produção nas duas instalações fabris existentes da Lockheed Martin. A expectativa é que as entregas comecem aproximadamente 27 meses após a adjudicação do contrato, demonstrando o longo ciclo de planejamento e execução envolvido em programas de defesa de tal magnitude.
O escopo do contrato abarca todas as variantes atuais e futuras dos mísseis LRASM e JASSM, incluindo os recém-desenvolvidos LRASM-ER (Extended Range) e JASSM-XR (Extended Range). Estas duas novas variantes, pertencentes à mesma família de mísseis, incorporam as mais recentes tecnologias de anti-spoofing e equipamentos de sobrevivência desenvolvidos pela Lockheed Martin, essenciais para operar em ambientes de combate cada vez mais complexos e com alta densidade de contramedidas inimigas. O LRASM-ER, em particular, integra uma série de atualizações de sensores que a Lockheed Martin considera fundamentais para o crescimento futuro do sistema. Um porta-voz da Lockheed Martin, em comentários à Naval News durante o Sea Air Space Symposium em abril, destacou que: “O LRASM C-3 é uma nova variante para a Marinha dos EUA, com capacidades aprimoradas de tecnologia e alcance. Seu pacote de sensores atualizado é a chave para o crescimento futuro do nosso sistema de guerra antissuperfície. O C-3 também oferece um link de dados seguro para manter o combatente fora de perigo.” Esta capacidade de link seguro é vital para a comunicação robusta e resistente à interferência, protegendo a equipe operacional.
Investimentos industriais e o imperativo estratégico do pentágono
Autoridades da Força Aérea reconhecem que expandir a produção para atender a esta aquisição de larga escala exigirá um investimento inicial substancial e uma prolongada fase de aceleração da manufatura. O aviso de intenção especifica que o equipamento de produção de propriedade do governo permanecerá, provisoriamente, comprometido com os contratos existentes de JASSM e LRASM da Lockheed Martin. Essa alocação temporária apoia a iniciativa da empresa em investir intensivamente em suas cadeias de suprimentos e linhas de produção atuais, com o objetivo de satisfazer as novas demandas de fabricação e evitar interrupções. A Lockheed Martin, por sua vez, já demonstrou proatividade em responder a essa demanda, efetuando pesados investimentos em sua cadeia de suprimentos e em seus principais centros de manufatura.
Conforme um porta-voz da Lockheed Martin informou à Naval News: “A Lockheed Martin investiu mais de US$ 7 bilhões desde o primeiro mandato do Presidente Donald Trump para expandir a capacidade de sistemas prioritários, incluindo aproximadamente US$ 2 bilhões dedicados à aceleração da produção de munições. Esses investimentos em instalações, ferramentas, fornecedores e força de trabalho estão permitindo taxas de produção mais elevadas com velocidade e escala.” A família de mísseis JASSM consolidou-se como o principal sistema de ataque do Pentágono para operações de combate em larga escala. Os planejadores do Pentágono continuam a desenvolver projeções de aquisição de longo prazo, focadas em um cenário hipotético de um grande conflito regional no Pacífico, posicionando o JASSM e o LRASM na vanguarda de praticamente todos os grandes conflitos simulados. Essa estratégia ressalta a importância crítica desses sistemas para a projeção de poder e a dissuasão em regiões de alto interesse geoestratégico.
O volume de aquisição delineado no aviso da Força Aérea excede consideravelmente os objetivos de inventário publicamente divulgados para ambas as famílias de mísseis. Isso reflete claramente o objetivo do Pentágono de elevar a produção de seus armamentos mais críticos a níveis que se aproximam dos tempos de guerra, garantindo uma capacidade robusta para sustentar operações de combate prolongadas, caso necessário. Essa escalada de produção é um indicativo da seriedade com que as ameaças potenciais são avaliadas e da determinação em garantir superioridade tática e estratégica em cenários futuros.
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