O submarino ROKS Dosan Ahn Changho, pertencente à classe KSS-III da Marinha da República da Coreia, fez uma chegada histórica à Base das Forças Canadenses Esquimalt, em Victoria, Colúmbia Britânica, no dia 23 de maio. Esta missão notável assinala a conclusão da primeira travessia transpacífica realizada por um submarino sul-coreano, um marco significativo que sublinha o avanço das capacidades navais da Coreia do Sul em operações de longo alcance. O evento não só demonstra a crescente projeção de poder da Marinha sul-coreana mas também estabelece um precedente para futuras operações submarinas em águas distantes de seu teatro tradicional.
O deslocamento histórico e o significado operacional
Este deslocamento representa a mais longa viagem já empreendida por um submarino da Marinha da República da Coreia, evidenciando a robustez e a autonomia da plataforma. O submarino de 3.000 toneladas percorreu aproximadamente 14.000 quilômetros, partindo da Base Naval de Jinhae, na Coreia do Sul, e navegando até a costa oeste do Canadá. Durante sua jornada, o ROKS Dosan Ahn Changho realizou paradas logísticas estratégicas em Guam e no Havaí, antes de alcançar Victoria. A magnitude desta travessia não apenas valida o design e a engenharia do submarino KSS-III, construído domesticamente, mas também expande o entendimento operacional da Marinha sul-coreana em ambientes de águas azuis, distantes de suas zonas costeiras habituais.
A missão do ROKS Dosan Ahn Changho, que teve início em 25 de março com sua partida de Jinhae, visava a participação em atividades de cooperação naval planejadas e exercícios combinados com a Real Marinha Canadense. Um aspecto crucial dessa colaboração foi o embarque de dois submarinistas da Real Marinha Canadense a partir do Havaí, que acompanharam o submarino no trecho final até Victoria. Esta iniciativa permitiu que o pessoal canadense observasse diretamente as operações do KSS-III em ambiente marítimo, promovendo um intercâmbio valioso de conhecimentos e experiências sobre a tecnologia e os procedimentos operacionais de uma embarcação submarina de última geração. Segundo um dos submarinistas canadenses, a experiência em uma plataforma tão avançada “demonstrou um grande futuro à frente” e uma “transição muito fácil”, com a familiaridade dos sistemas e ambientes a bordo.
Interoperabilidade e reorientação estratégica
Além do alcance geográfico, o deslocamento destacou avanços significativos na interoperabilidade de comunicações entre as duas marinhas. Em 18 de maio, o ROKS Dosan Ahn Changho estabeleceu com sucesso comunicação com as Forças Marítimas do Pacífico do Canadá, utilizando o sistema combinado de comando e controle C4I instalado a bordo. Esta foi a primeira vez que um submarino de construção sul-coreana conseguiu estabelecer comunicações com o comando naval do Pacífico do Canadá através de um sistema C4I combinado. Tal feito é uma prova da capacidade da Marinha da República da Coreia de estender sua conectividade de comando e controle para além de sua tradicional rede de alianças centrada nos Estados Unidos, abrindo caminho para parcerias estratégicas com outros atores globais importantes.
O submarino foi acompanhado pela fragata ROKS Daejeon, uma fragata da classe Daegu de 3.100 toneladas da Marinha da República da Coreia. A chegada conjunta em Esquimalt foi marcada por uma cerimônia onde as tripulações do ROKS Dosan Ahn Changho (SS-083) e do ROKS Daejeon (FFG-823) prestaram honras navais a autoridades canadenses e sul-coreanas presentes no cais, incluindo o comandante das forças navais do Pacífico do Canadá e o embaixador da Coreia do Sul no Canadá. Este protocolo diplomático e militar reforça os laços bilaterais e a importância estratégica da visita.
Implicações para o projeto de submarinos do Canadá
O significado operacional e estratégico da chegada é profundo. Enquanto submarinos sul-coreanos já haviam chegado ao Havaí anteriormente, esta é a primeira vez que uma embarcação da Marinha da República da Coreia cruzou o Oceano Pacífico para alcançar a América do Norte. Este deslocamento demonstra a capacidade de resistência de longo alcance da força submarina da Coreia do Sul, que é construída domesticamente, e serve como uma vitrine da plataforma KSS-III em um ambiente operacional de águas azuis, ressaltando sua adequação para missões globais.
A visita foi complementada por conversações navais de alto nível em Ottawa. Em 22 de maio, o Chefe de Operações Navais da Marinha da República da Coreia, Almirante Kim Kyung-ryul, reuniu-se com o Vice-Almirante Angus Topshee, Comandante da Real Marinha Canadense e futuro Vice-Chefe do Estado-Maior de Defesa, para discutir estratégias de fortalecimento da cooperação militar e apoio à colaboração industrial de defesa entre os dois países. As discussões abrangeram medidas práticas, como a expansão de exercícios combinados e programas de intercâmbio de pessoal, sublinhando o compromisso mútuo com o aprofundamento das relações de defesa.
A visita ganha um contexto adicional devido ao avanço do Projeto Canadense de Submarinos de Patrulha (CPSP), um programa fundamental para substituir os envelhecidos submarinos da classe Victoria da Real Marinha Canadense. O projeto KSS-III da Coreia do Sul, proposto pela Team Korea – uma colaboração entre Hanwha Ocean e HD Hyundai Heavy Industries – está em concorrência direta com o Tipo 212CD da ThyssenKrupp Marine Systems da Alemanha para atender aos futuros requisitos de submarinos do Canadá. A proposta coreana é respaldada por um apoio governamental substancial, que inclui a oferta de cooperação industrial e tecnológica, suporte de sustentação de longo prazo e um leque mais amplo de medidas de parceria industrial de defesa.
A Hanwha Ocean, em particular, tem se empenhado em fortalecer o componente industrial da campanha da Team Korea para o CPSP, estabelecendo parcerias estratégicas com instituições canadenses nos setores de construção naval, tecnologia e academia. No início deste ano, a empresa assinou acordos com a Ontario Shipyards e o Mohawk College, visando apoiar o desenvolvimento de capacidades de construção naval e a formação de mão de obra qualificada. Subsequentemente, foram anunciados acordos de colaboração adicionais e memorandos de entendimento com universidades, com o objetivo de integrar empresas e pesquisadores canadenses em sua cadeia de suprimentos global de submarinos, demonstrando um compromisso de longo prazo e mútuo benefício.
O engajamento entre as duas marinhas está previsto para continuar durante a visita do navio da Marinha da República da Coreia a Esquimalt, agendada de 23 de maio a 2 de junho, solidificando ainda mais os laços e a cooperação estratégica entre Coreia do Sul e Canadá. Para análises aprofundadas sobre defesa, geopolítica e segurança, convidamos você a seguir as redes sociais da OP Magazine e manter-se atualizado com nossas publicações exclusivas.










