Primeira fragata da Classe Tamandaré inicia testes de mar no litoral catarinense

A Fragata Tamandaré (F200), primeiro navio do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), iniciou a fase de testes de mar a partir do Estaleiro Brasil Sul, da TKMS, em Itajaí (SC), com conclusão prevista para o início de 2026.

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Primeira fragata da Classe Tamandaré inicia testes de mar no litoral catarinense

A Fragata Tamandaré (F200), primeiro navio do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), iniciou a fase de testes de mar a partir do Estaleiro Brasil Sul, da TKMS, em Itajaí (SC), com conclusão prevista para o início de 2026.

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A Fragata Tamandaré (F200), primeiro navio do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), iniciou a fase de testes de mar a partir do Estaleiro Brasil Sul, da TKMS, em Itajaí (SC), com conclusão prevista para o início de 2026. A etapa, iniciada formalmente com a saída do estaleiro em 3 de dezembro, reúne militares e técnicos civis embarcados e tem como objetivo validar o desempenho da plataforma e dos sistemas de combate antes da incorporação operacional pela Marinha do Brasil (MB), no contexto do processo de modernização da Esquadra.

Ensaios de aceitação e validação dos sistemas de combate

Os testes de mar da F200 estão em andamento desde agosto e integram a fase de aceitação do navio. De acordo com o futuro comandante da fragata, Capitão de Fragata Gustavo Cabral Thomé, as avaliações buscam confirmar a robustez estrutural, a segurança da plataforma e a confiabilidade dos sistemas embarcados. Nesta etapa específica, o foco recai sobre a aceitação de mar dos sistemas de combate, com a verificação completa das cadeias funcionais que conectam sensores, sistemas de comando e controle e os diferentes armamentos.

Lançada em agosto de 2024, a F200 é a primeira embarcação do Programa Fragatas Classe “Tamandaré” (PFCT) — Foto: 1S (EF) Ferreira

Segundo o CF Thomé, o objetivo é assegurar que o fluxo operacional entre detecção, processamento de dados e engajamento de alvos ocorra sem restrições, garantindo a plena funcionalidade e a prontidão operacional do navio. Antes dessa fase, a fragata passou por ensaios voltados exclusivamente à plataforma naval, cujos resultados permitiram a progressão para a avaliação integrada dos sistemas contratados.

Integração tecnológica e gerenciamento do combate

Responsável pela execução do PFCT, o consórcio Águas Azuis acompanha a fase atual de testes, que envolve a integração de todos os sistemas de combate. O CEO da empresa, Fernando Queiroz, destaca que estão sendo avaliadas simultaneamente as cadeias funcionais individuais e a interoperabilidade entre elas, requisito essencial para o desempenho do Combat Management System (CMS).

De acordo com Queiroz, o CMS é o núcleo decisório do navio, responsável por correlacionar informações provenientes de múltiplos sensores e apoiar a escolha do atuador mais adequado — seja um míssil, canhão ou outro meio — conforme o cenário tático e a sequência de engajamento. O sistema foi projetado para processar dados em tempo real e executar as missões de acordo com os parâmetros operacionais definidos.

Capacidades tecnológicas e arquitetura compatível com a OTAN

A Fragata Tamandaré incorpora um conjunto de tecnologias consideradas de última geração no segmento naval. O navio dispõe de um sistema de combate integrado, sensores avançados — incluindo radares de vigilância aérea e de superfície, sonar de casco e sistemas eletro-ópticos e infravermelhos — além de arquitetura compatível com os padrões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o que amplia a interoperabilidade com forças navais aliadas.

O projeto inclui ainda soluções de redução de assinaturas, com características stealth destinadas a diminuir a detecção por sensores adversários, especialmente radares, aumentando a eficácia em missões de caráter tático. Para o CEO da Águas Azuis, a F200 introduz no Brasil tecnologias já consolidadas em outras marinhas, com sistemas plenamente integrados e interconectados, o que contribui tanto para a eficiência operacional quanto para a racionalização dos custos de manutenção ao longo do ciclo de vida.

A F200 conta com um canhão de 30 mm para defesa de ponto – Foto: Agência Marinha

Automação, sensores e sistemas de armas

Segundo o Capitão de Fragata Thomé, a Tamandaré representa um salto tecnológico para a Marinha do Brasil, tendo como principal diferencial o elevado nível de automação. Essa característica permite o monitoramento e o controle remoto da maioria dos equipamentos e sistemas, aumentando a segurança, a precisão e a velocidade de resposta em operações navais.

No campo dos armamentos, as fragatas da classe estão equipadas com lançadores de mísseis antinavio, sistemas de lançamento vertical para mísseis antiaéreos, torpedos voltados à defesa contra ameaças submarinas e um canhão de 76 mm de alta cadência e precisão. O navio conta ainda com um canhão de 30 mm para defesa de ponto, duas metralhadoras de 12,7 mm e um sistema de despistamento destinado à autoproteção contra mísseis. A presença de hangar e convoo permite a operação de aeronaves embarcadas, ampliando o raio de ação e a capacidade de resposta a diferentes tipos de ameaça.

O CEO da Águas Azuis ressalta o momento único em que as quatro fragatas encontram-se em diferentes fases no estaleiro — Foto: 1S (EF) Ferreira

Conteúdo local, transferência de tecnologia e base industrial

Inserido no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), o PFCT está alinhado ao eixo de inovação da indústria de defesa e responde à necessidade de renovação da Esquadra brasileira. Considerado um dos maiores programas de construção naval militar em curso no País, o projeto se destaca pelo elevado índice de conteúdo local, pela transferência de tecnologia e pela formação de mão de obra especializada.

Desde o primeiro navio, a construção ocorre integralmente no Brasil, com participação de empresas e profissionais nacionais. Segundo representantes do programa, esse processo consolida o conhecimento técnico necessário para a construção de navios de guerra, que apresentam requisitos específicos, como chapas de menor espessura, alta manobrabilidade e padrões militares de sobrevivência. O volume de conteúdo local mobilizou mais de mil empresas fornecedoras, muitas delas voltadas exclusivamente a materiais e sistemas de uso militar.

Outro aspecto considerado estratégico é o desenvolvimento de softwares no território nacional. De acordo com a Águas Azuis, o recebimento do código-fonte dos sistemas permite a criação de soluções brasileiras, ampliando a autonomia tecnológica, a capacitação de profissionais, o fortalecimento da indústria de defesa e a retenção de conhecimento, além de abrir perspectivas para futuras exportações.

O Comandante da “Tamandaré” realiza, junto à praticagem, a saída do navio do canal para a realização dos testes — Foto: 1S Ferreira/Marinha do Brasil

Capacitação da tripulação e preparação operacional

Desde janeiro de 2024, os 154 militares designados para compor a tripulação da Tamandaré participam de cursos técnicos e operacionais voltados aos sistemas e equipamentos do navio. Em agosto, parte desse efetivo passou a atuar diretamente em Itajaí, acompanhando os testes de mar. A capacitação é considerada uma etapa crítica para que a tripulação assuma, de forma progressiva, as atividades de operação e manutenção da fragata.

Designado como o primeiro comandante da F200, o Capitão de Fragata Thomé destaca que a função envolve elevado grau de responsabilidade. Segundo ele, acompanhar a fase de construção, os processos de capacitação e a interação com as empresas envolvidas tem sido um aprendizado relevante, além de contribuir para a formação de uma tripulação coesa e preparada para operar um dos mais modernos meios navais da Esquadra.

Andamento das demais unidades da classe

O Programa Fragatas Classe Tamandaré avança simultaneamente em diferentes frentes no Estaleiro Brasil Sul. Com a conclusão dos testes de mar da F200, a entrega do navio à Marinha do Brasil está prevista para o início de 2026. A segunda unidade da classe, a Fragata Jerônimo de Albuquerque (F201), já se encontra na água e passa pela fase de instalação de sistemas e equipamentos. A terceira, Cunha Moreira (F202), segue em construção, com o casco em estágio avançado, enquanto os materiais destinados ao quarto navio já começaram a ser entregues ao estaleiro.

Segundo a Águas Azuis, o programa atingiu seu pico de produção, com as quatro fragatas em diferentes estágios de execução. Esse cenário reflete a maturidade industrial do projeto e a capacidade instalada para atender às demandas da Marinha, dentro do cronograma estabelecido para a renovação gradual da frota de escoltas.

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A Fragata Tamandaré (F200), primeiro navio do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), iniciou a fase de testes de mar a partir do Estaleiro Brasil Sul, da TKMS, em Itajaí (SC), com conclusão prevista para o início de 2026. A etapa, iniciada formalmente com a saída do estaleiro em 3 de dezembro, reúne militares e técnicos civis embarcados e tem como objetivo validar o desempenho da plataforma e dos sistemas de combate antes da incorporação operacional pela Marinha do Brasil (MB), no contexto do processo de modernização da Esquadra.

Ensaios de aceitação e validação dos sistemas de combate

Os testes de mar da F200 estão em andamento desde agosto e integram a fase de aceitação do navio. De acordo com o futuro comandante da fragata, Capitão de Fragata Gustavo Cabral Thomé, as avaliações buscam confirmar a robustez estrutural, a segurança da plataforma e a confiabilidade dos sistemas embarcados. Nesta etapa específica, o foco recai sobre a aceitação de mar dos sistemas de combate, com a verificação completa das cadeias funcionais que conectam sensores, sistemas de comando e controle e os diferentes armamentos.

Lançada em agosto de 2024, a F200 é a primeira embarcação do Programa Fragatas Classe “Tamandaré” (PFCT) — Foto: 1S (EF) Ferreira

Segundo o CF Thomé, o objetivo é assegurar que o fluxo operacional entre detecção, processamento de dados e engajamento de alvos ocorra sem restrições, garantindo a plena funcionalidade e a prontidão operacional do navio. Antes dessa fase, a fragata passou por ensaios voltados exclusivamente à plataforma naval, cujos resultados permitiram a progressão para a avaliação integrada dos sistemas contratados.

Integração tecnológica e gerenciamento do combate

Responsável pela execução do PFCT, o consórcio Águas Azuis acompanha a fase atual de testes, que envolve a integração de todos os sistemas de combate. O CEO da empresa, Fernando Queiroz, destaca que estão sendo avaliadas simultaneamente as cadeias funcionais individuais e a interoperabilidade entre elas, requisito essencial para o desempenho do Combat Management System (CMS).

De acordo com Queiroz, o CMS é o núcleo decisório do navio, responsável por correlacionar informações provenientes de múltiplos sensores e apoiar a escolha do atuador mais adequado — seja um míssil, canhão ou outro meio — conforme o cenário tático e a sequência de engajamento. O sistema foi projetado para processar dados em tempo real e executar as missões de acordo com os parâmetros operacionais definidos.

Capacidades tecnológicas e arquitetura compatível com a OTAN

A Fragata Tamandaré incorpora um conjunto de tecnologias consideradas de última geração no segmento naval. O navio dispõe de um sistema de combate integrado, sensores avançados — incluindo radares de vigilância aérea e de superfície, sonar de casco e sistemas eletro-ópticos e infravermelhos — além de arquitetura compatível com os padrões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o que amplia a interoperabilidade com forças navais aliadas.

O projeto inclui ainda soluções de redução de assinaturas, com características stealth destinadas a diminuir a detecção por sensores adversários, especialmente radares, aumentando a eficácia em missões de caráter tático. Para o CEO da Águas Azuis, a F200 introduz no Brasil tecnologias já consolidadas em outras marinhas, com sistemas plenamente integrados e interconectados, o que contribui tanto para a eficiência operacional quanto para a racionalização dos custos de manutenção ao longo do ciclo de vida.

A F200 conta com um canhão de 30 mm para defesa de ponto – Foto: Agência Marinha

Automação, sensores e sistemas de armas

Segundo o Capitão de Fragata Thomé, a Tamandaré representa um salto tecnológico para a Marinha do Brasil, tendo como principal diferencial o elevado nível de automação. Essa característica permite o monitoramento e o controle remoto da maioria dos equipamentos e sistemas, aumentando a segurança, a precisão e a velocidade de resposta em operações navais.

No campo dos armamentos, as fragatas da classe estão equipadas com lançadores de mísseis antinavio, sistemas de lançamento vertical para mísseis antiaéreos, torpedos voltados à defesa contra ameaças submarinas e um canhão de 76 mm de alta cadência e precisão. O navio conta ainda com um canhão de 30 mm para defesa de ponto, duas metralhadoras de 12,7 mm e um sistema de despistamento destinado à autoproteção contra mísseis. A presença de hangar e convoo permite a operação de aeronaves embarcadas, ampliando o raio de ação e a capacidade de resposta a diferentes tipos de ameaça.

O CEO da Águas Azuis ressalta o momento único em que as quatro fragatas encontram-se em diferentes fases no estaleiro — Foto: 1S (EF) Ferreira

Conteúdo local, transferência de tecnologia e base industrial

Inserido no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), o PFCT está alinhado ao eixo de inovação da indústria de defesa e responde à necessidade de renovação da Esquadra brasileira. Considerado um dos maiores programas de construção naval militar em curso no País, o projeto se destaca pelo elevado índice de conteúdo local, pela transferência de tecnologia e pela formação de mão de obra especializada.

Desde o primeiro navio, a construção ocorre integralmente no Brasil, com participação de empresas e profissionais nacionais. Segundo representantes do programa, esse processo consolida o conhecimento técnico necessário para a construção de navios de guerra, que apresentam requisitos específicos, como chapas de menor espessura, alta manobrabilidade e padrões militares de sobrevivência. O volume de conteúdo local mobilizou mais de mil empresas fornecedoras, muitas delas voltadas exclusivamente a materiais e sistemas de uso militar.

Outro aspecto considerado estratégico é o desenvolvimento de softwares no território nacional. De acordo com a Águas Azuis, o recebimento do código-fonte dos sistemas permite a criação de soluções brasileiras, ampliando a autonomia tecnológica, a capacitação de profissionais, o fortalecimento da indústria de defesa e a retenção de conhecimento, além de abrir perspectivas para futuras exportações.

O Comandante da “Tamandaré” realiza, junto à praticagem, a saída do navio do canal para a realização dos testes — Foto: 1S Ferreira/Marinha do Brasil

Capacitação da tripulação e preparação operacional

Desde janeiro de 2024, os 154 militares designados para compor a tripulação da Tamandaré participam de cursos técnicos e operacionais voltados aos sistemas e equipamentos do navio. Em agosto, parte desse efetivo passou a atuar diretamente em Itajaí, acompanhando os testes de mar. A capacitação é considerada uma etapa crítica para que a tripulação assuma, de forma progressiva, as atividades de operação e manutenção da fragata.

Designado como o primeiro comandante da F200, o Capitão de Fragata Thomé destaca que a função envolve elevado grau de responsabilidade. Segundo ele, acompanhar a fase de construção, os processos de capacitação e a interação com as empresas envolvidas tem sido um aprendizado relevante, além de contribuir para a formação de uma tripulação coesa e preparada para operar um dos mais modernos meios navais da Esquadra.

Andamento das demais unidades da classe

O Programa Fragatas Classe Tamandaré avança simultaneamente em diferentes frentes no Estaleiro Brasil Sul. Com a conclusão dos testes de mar da F200, a entrega do navio à Marinha do Brasil está prevista para o início de 2026. A segunda unidade da classe, a Fragata Jerônimo de Albuquerque (F201), já se encontra na água e passa pela fase de instalação de sistemas e equipamentos. A terceira, Cunha Moreira (F202), segue em construção, com o casco em estágio avançado, enquanto os materiais destinados ao quarto navio já começaram a ser entregues ao estaleiro.

Segundo a Águas Azuis, o programa atingiu seu pico de produção, com as quatro fragatas em diferentes estágios de execução. Esse cenário reflete a maturidade industrial do projeto e a capacidade instalada para atender às demandas da Marinha, dentro do cronograma estabelecido para a renovação gradual da frota de escoltas.

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