A construtora naval francesa OCEA, especializada na concepção e construção de embarcações de alumínio de alta performance, prepara-se para iniciar a entrega do primeiro lote de embarcações de patrulha rápida à Guarda Costeira Filipina (PCG) ainda este ano. Este passo marca um avanço significativo no programa de modernização da frota do país, que contempla um total de 40 novas embarcações. O anúncio foi feito pelo comandante da PCG, Ronnie Gil Gavan, durante uma coletiva de imprensa recente, sublinhando a importância estratégica desta aquisição para a segurança marítima do arquipélago.
Segundo Gavan, a entrega inicial está prevista para a segunda metade do ano, caso todas as etapas do planejamento sejam cumpridas. "Se tudo correr conforme o planejado, a entrega inicial começará na segunda parte deste ano. Ainda não estamos na fase final", declarou o comandante, indicando que o processo está em andamento, mas com a cautela necessária diante de projetos de grande envergadura e complexidade logística e técnica.
O vultoso contrato e suas implicações
O contrato entre o Departamento de Transportes das Filipinas e a OCEA foi assinado em maio de 2025, um acordo robusto avaliado em 438 milhões de dólares (equivalente a 25,8 bilhões de pesos filipinos). Este montante destina-se à aquisição de 40 unidades de embarcações multifuncionais de alta velocidade, com 35 metros de comprimento, projetadas para ampliar drasticamente a presença marítima da PCG em todo o vasto arquipélago filipino. Um aspecto notável do acordo é a divisão da construção: 20 das embarcações serão construídas localmente nas Filipinas, fomentando a indústria naval nacional e a transferência de tecnologia, enquanto as 20 restantes serão fabricadas na França, aproveitando a expertise da OCEA.
Suporte logístico integrado e experiência prévia
Complementando a aquisição, o contrato inclui um Plano de Suporte Logístico Integrado (ILS) de nove anos. Este plano é fundamental para garantir a prontidão operacional contínua das embarcações e a manutenção de longo prazo dos ativos, assegurando que os novos meios navais permaneçam eficazes e disponíveis para missões críticas ao longo de sua vida útil. A OCEA não é uma parceira nova para a PCG; a empresa francesa foi também a responsável pela construção da BRP Gabriela Silang, uma embarcação de 83 metros de comprimento, reconhecida internacionalmente como um dos maiores navios com casco de alumínio do mundo, o que atesta a capacidade e a qualidade da construtora.
Expansão multifacetada da frota
A modernização da Guarda Costeira Filipina não se limita apenas ao acordo com a OCEA. O comandante Gavan informou que a PCG também aguarda a chegada de cinco navios do Japão. Tratam-se de cinco embarcações de resposta multifuncionais de 97 metros, cuja entrega está programada para ocorrer entre 2027 e 2028. Essa série de aquisições reflete um esforço coordenado para fortalecer a capacidade naval do país.
Em um balanço geral, Gavan destacou a magnitude do programa de expansão: "No total, adicionaremos 50 navios à frota da Guarda Costeira nos próximos cinco anos", afirmando um salto quantitativo e qualitativo na capacidade de patrulha e resposta da instituição.
Fortalecimento aéreo e sistemas não tripulados
Além das aquisições navais, a PCG também está reforçando sua capacidade aérea. Na semana anterior, a Guarda Costeira anunciou que receberá em breve três aeronaves Beechcraft King Air dos Estados Unidos. Manila e o Pentágono formalizaram este acordo em 16 de fevereiro, através de uma Carta de Oferta e Aceitação (LOA), que integra esses novos ativos à frota aérea da PCG. Essas aeronaves multiuso são vitais para missões de vigilância, busca e salvamento, e transporte.
Gavan também revelou que a agência estabeleceu recentemente unidades de sistemas não tripulados, tanto para sua frota de aviação quanto para a superfície. Embora tenha se abstido de fornecer detalhes específicos sobre essas unidades, a criação delas indica um investimento em tecnologias avançadas para aumentar a eficiência das operações de patrulha e vigilância, permitindo a coleta de informações e a projeção de presença em áreas de difícil acesso ou de alto risco, sem expor tripulações.
A importância estratégica para as Filipinas
A Guarda Costeira Filipina está imersa em um processo de modernização acelerada de sua frota e capacidades. Este esforço estratégico visa, primordialmente, reforçar sua presença e atuação no Mar do Oeste das Filipinas – a zona econômica exclusiva (ZEE) de Manila no Mar do Sul da China. Esta região é de vital importância geopolítica, sendo palco de disputas territoriais e um corredor marítimo crucial para o comércio internacional. O aumento da capacidade da PCG é, portanto, fundamental para fortalecer a habilidade do país em defender seus domínios marítimos, proteger seus recursos naturais e assegurar a soberania nacional, em conformidade com as leis internacionais e os interesses estratégicos das Filipinas.
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