O outro programa iraniano de armas de destruição em massa desmantelado após ataques de Israel e dos EUA

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O outro programa iraniano de armas de destruição em massa desmantelado após ataques de Israel e dos EUA

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Instalações iranianas ligadas à pesquisa de armas químicas e biológicas (CBW) foram alvo de ataques dos Estados Unidos e de Israel, em operações realizadas com discreta publicidade. Análises de imagens de satélite e fotografias divulgadas em mídias sociais confirmam que esses ataques, intensificados nas últimas semanas, atingiram locais chave operados pelo Ministério da Defesa do Irã, pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e por entidades híbridas com aplicações civis e militares. Em alguns casos, as Forças Armadas de Israel divulgaram os ataques como alertas ou pós-eventos; em outros, a detecção dependeu exclusivamente de pesquisadores que utilizaram imagens de satelite e registros de campo que emergiram do Irã.

A relevância estratégica desses ataques, no entanto, é vista com ceticismo por especialistas. Jim Lamson, ex-analista da CIA com 23 anos de experiência e atualmente pesquisador visitante no Departamento de Estudos de Guerra do King’s College London e associado sênior no Center for Nonproliferation Studies, sugere que as ações podem ter sido consideradas de menor prioridade pelos planejadores de guerra. 'Quase parece uma reflexão tardia e de menor prioridade para os planejadores de guerra', afirma Lamson. Ele expressa dúvidas sobre uma campanha focada em CBW: 'Para mim, não parece uma campanha robusta e específica para armas químicas e biológicas.' Essa interpretação é reforçada pela comunicação israelense, que frequentemente indicava que locais atingidos, como a sede da Organização de Inovação e Pesquisa Defensiva (SPND) ou a Universidade de Tecnologia Malek Ashtar, eram alvo por seu papel nos programas nuclear e de mísseis, e não primariamente pela pesquisa química e biológica.

Ataques iniciais e o ceticismo de especialistas sobre o programa iraniano

A ausência de um foco exclusivo nas capacidades CBW do Irã pode ter um motivo. Lamson sugere que a ameaça química e biológica iraniana pode não ser tão substancial quanto alguns analistas e comentaristas políticos têm propagado, alinhando-se à avaliação de longa data do governo dos EUA. Washington, embora alerte sobre o envolvimento de Teerã em pesquisas de armas de destruição em massa (ADM), não menciona um arsenal, estoque ou capacidade de implantação significativa dessas ferramentas há décadas. O Irã é membro pleno da Convenção sobre Armas Biológicas e da Convenção sobre Armas Químicas. A pesquisa defensiva – para desenvolver contramedidas e antídotos – é permitida por esses pactos, mas a linha entre aplicações defensivas e ofensivas é reconhecidamente tênue.

O programa de armas químicas e biológicas do Irã sob escrutínio internacional e as divergências de avaliação

Em suas publicações, o governo dos EUA declara repetidamente que o Irã não cumpre plenamente suas obrigações da Convenção sobre Armas Químicas (CWC). Contudo, Washington evitou acusar abertamente Teerã de possuir um arsenal químico. Desde os anos 2000, o Departamento de Estado e a CIA suavizaram a linguagem para 'mantém a capacidade de produzir agentes de armas químicas'. Os relatórios anuais de conformidade dos EUA destacam transferências históricas para a Líbia (1970s-80s), a falha em declarar agentes de controle de distúrbios (legais para uso doméstico, mas proibidos como arma de guerra) e a declaração incompleta de instalações de produção. Em 2024, foi adicionado que o Irã supostamente transformou agentes farmacêuticos como o fentanil em armas. Em contraste, *think tanks* frequentemente veem o programa iraniano como uma 'ameaça real'. Um memorando da Foundation for Defense of Democracies, pré-ataques de Trump em fevereiro, alertou sobre a pesquisa e acesso do Irã a armas químicas, citando riscos de proliferação a *proxies* e uso contra sua própria população. Andrea Stricker, subdiretora do programa de não proliferação da fundação, referenciou avaliações de inteligência de meados dos anos 2000 indicando estoques não declarados de armas químicas no Irã.

Capacidade de limiar do Irã e o temor de uma guerra química

Jim Lamson, que acompanha os locais iranianos desde antes das primeiras ondas de ataques em 2025, teoriza que os programas CBW do Irã buscam uma 'capacidade de limiar', similar à sua postura nuclear pré-guerra. Isso significa ter indústrias e pesquisas de dupla utilização estabelecidas para uma rápida fabricação de armas, caso a decisão seja tomada. Contudo, sua análise atual reitera: 'No momento, isso não se parece com um programa ofensivo dedicado de armas químicas e biológicas com produção, agentes e sistemas de entrega para mim.' No próprio Irã, o temor de que os EUA ou Israel – este último não signatário da Convenção sobre Armas Biológicas e não ratificante da Convenção sobre Armas Químicas – possam usar ADM contra o país é muito real. Esse medo é historicamente enraizado na Guerra Irã-Iraque na década de 1980, quando o Iraque, apoiado por muitos países ocidentais, lançou milhares de ataques químicos contra soldados e civis iranianos, uma memória crucial para a República Islâmica.

Para análises aprofundadas sobre defesa, geopolítica e segurança internacional, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e mantenha-se informado sobre os desdobramentos mais críticos no cenário global. Sua perspectiva informada é fundamental.

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Instalações iranianas ligadas à pesquisa de armas químicas e biológicas (CBW) foram alvo de ataques dos Estados Unidos e de Israel, em operações realizadas com discreta publicidade. Análises de imagens de satélite e fotografias divulgadas em mídias sociais confirmam que esses ataques, intensificados nas últimas semanas, atingiram locais chave operados pelo Ministério da Defesa do Irã, pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e por entidades híbridas com aplicações civis e militares. Em alguns casos, as Forças Armadas de Israel divulgaram os ataques como alertas ou pós-eventos; em outros, a detecção dependeu exclusivamente de pesquisadores que utilizaram imagens de satelite e registros de campo que emergiram do Irã.

A relevância estratégica desses ataques, no entanto, é vista com ceticismo por especialistas. Jim Lamson, ex-analista da CIA com 23 anos de experiência e atualmente pesquisador visitante no Departamento de Estudos de Guerra do King’s College London e associado sênior no Center for Nonproliferation Studies, sugere que as ações podem ter sido consideradas de menor prioridade pelos planejadores de guerra. 'Quase parece uma reflexão tardia e de menor prioridade para os planejadores de guerra', afirma Lamson. Ele expressa dúvidas sobre uma campanha focada em CBW: 'Para mim, não parece uma campanha robusta e específica para armas químicas e biológicas.' Essa interpretação é reforçada pela comunicação israelense, que frequentemente indicava que locais atingidos, como a sede da Organização de Inovação e Pesquisa Defensiva (SPND) ou a Universidade de Tecnologia Malek Ashtar, eram alvo por seu papel nos programas nuclear e de mísseis, e não primariamente pela pesquisa química e biológica.

Ataques iniciais e o ceticismo de especialistas sobre o programa iraniano

A ausência de um foco exclusivo nas capacidades CBW do Irã pode ter um motivo. Lamson sugere que a ameaça química e biológica iraniana pode não ser tão substancial quanto alguns analistas e comentaristas políticos têm propagado, alinhando-se à avaliação de longa data do governo dos EUA. Washington, embora alerte sobre o envolvimento de Teerã em pesquisas de armas de destruição em massa (ADM), não menciona um arsenal, estoque ou capacidade de implantação significativa dessas ferramentas há décadas. O Irã é membro pleno da Convenção sobre Armas Biológicas e da Convenção sobre Armas Químicas. A pesquisa defensiva – para desenvolver contramedidas e antídotos – é permitida por esses pactos, mas a linha entre aplicações defensivas e ofensivas é reconhecidamente tênue.

O programa de armas químicas e biológicas do Irã sob escrutínio internacional e as divergências de avaliação

Em suas publicações, o governo dos EUA declara repetidamente que o Irã não cumpre plenamente suas obrigações da Convenção sobre Armas Químicas (CWC). Contudo, Washington evitou acusar abertamente Teerã de possuir um arsenal químico. Desde os anos 2000, o Departamento de Estado e a CIA suavizaram a linguagem para 'mantém a capacidade de produzir agentes de armas químicas'. Os relatórios anuais de conformidade dos EUA destacam transferências históricas para a Líbia (1970s-80s), a falha em declarar agentes de controle de distúrbios (legais para uso doméstico, mas proibidos como arma de guerra) e a declaração incompleta de instalações de produção. Em 2024, foi adicionado que o Irã supostamente transformou agentes farmacêuticos como o fentanil em armas. Em contraste, *think tanks* frequentemente veem o programa iraniano como uma 'ameaça real'. Um memorando da Foundation for Defense of Democracies, pré-ataques de Trump em fevereiro, alertou sobre a pesquisa e acesso do Irã a armas químicas, citando riscos de proliferação a *proxies* e uso contra sua própria população. Andrea Stricker, subdiretora do programa de não proliferação da fundação, referenciou avaliações de inteligência de meados dos anos 2000 indicando estoques não declarados de armas químicas no Irã.

Capacidade de limiar do Irã e o temor de uma guerra química

Jim Lamson, que acompanha os locais iranianos desde antes das primeiras ondas de ataques em 2025, teoriza que os programas CBW do Irã buscam uma 'capacidade de limiar', similar à sua postura nuclear pré-guerra. Isso significa ter indústrias e pesquisas de dupla utilização estabelecidas para uma rápida fabricação de armas, caso a decisão seja tomada. Contudo, sua análise atual reitera: 'No momento, isso não se parece com um programa ofensivo dedicado de armas químicas e biológicas com produção, agentes e sistemas de entrega para mim.' No próprio Irã, o temor de que os EUA ou Israel – este último não signatário da Convenção sobre Armas Biológicas e não ratificante da Convenção sobre Armas Químicas – possam usar ADM contra o país é muito real. Esse medo é historicamente enraizado na Guerra Irã-Iraque na década de 1980, quando o Iraque, apoiado por muitos países ocidentais, lançou milhares de ataques químicos contra soldados e civis iranianos, uma memória crucial para a República Islâmica.

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