O dia em que a fragata União quase abalroou um submarino nuclear dos EUA no litoral da Bahia

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O dia em que a fragata União quase abalroou um submarino nuclear dos EUA no litoral da Bahia

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Em um cenário de elevada tensão geopolítica global, marcado pelo auge da Guerra Fria e pela recente e impactante Guerra das Malvinas, um evento de grande sigilo no Atlântico Sul, em 11 de outubro de 1984, por pouco não culminou em uma grave colisão entre unidades navais da Marinha do Brasil e da Marinha dos Estados Unidos. A Fragata União (F45), uma das principais unidades da esquadra brasileira, viu-se a escassos metros de abalroar o submarino nuclear de ataque USS Snook (SSN-592) da Marinha norte-americana. Este incidente ocorreu durante os exercícios conjuntos da Operação Unitas XXV, uma rotina de adestramento naval que visava a interoperabilidade e o fortalecimento das relações estratégicas entre as duas nações.

O episódio teve lugar por volta das 15h, horário de Brasília, em uma área estratégica a aproximadamente 115 milhas náuticas a leste do Arquipélago de Abrolhos, na costa sul da Bahia. Dois dias antes da quase colisão, uma força-tarefa naval composta por cinco navios brasileiros e cinco norte-americanos havia zarpado da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, com destino a Salvador. O propósito dessa travessia era a realização de um intensivo adestramento naval, que envolvia diversas manobras e simulações de combate em águas abertas, fundamentais para a prontidão operacional das marinhas.

A frota brasileira destacava-se pela presença da Fragata União (F45) e da Fragata Liberal (F43), ambas embarcações de superfície com capacidades antissubmarino e antiaérea. Completavam o grupo o porta-aviões Minas Gerais (A11), peça central para a projeção de poder aéreo naval, o navio-tanque Marajó (G27), crucial para o reabastecimento em alto-mar, e um contratorpedeiro, especializado em defesa aérea e de superfície. Do lado norte-americano, participavam o USS MacDonough (DDG-39), um destróier de mísseis guiados, o USS Thorn (DD-988), um destróier, o USS Talbot (FFG-4), uma fragata, o USS Concord (AFS-5), um navio de apoio ao combate, e o protagonista do incidente, o submarino nuclear de ataque USS Snook (SSN-592), uma unidade de vanguarda para sua época.

O USS Snook pertencia à renomada classe “Skipjack”, lançada em um período crucial da Guerra Fria e comissionada em 1961. Este tipo de submarino era impulsionado por propulsão nuclear, o que lhe conferia uma autonomia praticamente ilimitada e a capacidade de operar a altíssimas velocidades submersas. Sua concepção visava o desempenho de missões críticas de ataque a outras unidades navais, vigilância sigilosa e o acompanhamento de forças navais adversárias, representando uma ferramenta tática de grande valor. Vale ressaltar que o Snook já possuía um histórico de operações com a Marinha do Brasil, tendo participado da Operação Unitas XXI em 1980. Naquela ocasião, o submarino foi utilizado como alvo em um exercício de guerra antissubmarino, sendo “atacado” por um míssil antissubmarino Ikara, lançado pela fragata Defensora, também da classe “Niterói”, demonstrando a complexidade e o realismo dos adestramentos conjuntos.

O alerta e a manobra decisiva

No dia 11 de outubro, a bordo da Fragata União, encontravam-se aproximadamente 220 homens, um contingente misto de militares brasileiros e norte-americanos. O submarino USS Snook, por sua vez, transportava 83 tripulantes, igualmente incluindo elementos de ambas as nações. As unidades estavam engajadas em exercícios de ataque e defesa, nos quais o submarino tinha o papel de simular ações de ameaça contra o corpo principal da esquadra. Nesse contexto, o submarino poderia estar “atacando” alvos de alto valor como o porta-aviões Minas Gerais ou o navio-tanque Marajó, testando as capacidades de detecção e resposta das unidades de superfície.

Conforme os protocolos de segurança e as táticas antissubmarino, o Snook estava sendo ativamente monitorado pelos sistemas de sonar da Fragata União, que detectam alvos submersos por meio de ondas sonoras. Contudo, em um desenvolvimento inesperado e repentino, o submarino, em vez de manter-se em profundidade operacional, emergiu abruptamente à cota periscópica – uma profundidade rasa que permite a elevação do periscópio acima da superfície para observação – posicionando-se à frente da fragata brasileira e em rota de colisão iminente. Este surgimento inesperado em uma área monitorada representou uma falha grave na coordenação ou na execução do exercício.

O primeiro e crucial alerta foi emitido pelo vigia, militar posicionado em um ponto elevado do navio, responsável pela observação visual do horizonte. Ao avistar o periscópio do submarino emergir inesperadamente na proa, o vigia comunicou ao passadiço, o centro de comando do navio: “Alvo a zero, zero, zero”. Esta expressão na terminologia naval indica que o contato visual ou radarizado está exatamente à frente da embarcação, ou seja, na linha de proa. Inicialmente, a informação foi recebida com descrença, pois os radares da fragata, embora operando normalmente, não haviam detectado o periscópio, um alvo pequeno e de baixo perfil, difícil de identificar por esse meio. Segundos de tensão se seguiram até que o vigia, em um tom agora carregado de urgência, confirmasse a natureza do contato: era, de fato, um submarino, e a colisão parecia inevitável.

A reação do comando da Fragata União foi determinante para evitar uma catástrofe. O então comandante da embarcação, capitão-de-mar-e-guerra Carlos Edmundo de Lacerda Freire, agiu com extrema rapidez e decisão, ordenando uma guinada de emergência à bombordo, isto é, para o lado esquerdo da embarcação. Esta manobra evasiva, realizada sob pressão, foi o fator crucial que impediu o choque direto. Apesar da guinada, a aproximação foi tão crítica que o bordo de boreste da fragata – o lado direito do navio – passou a uma distância ínfima do casco do USS Snook, evidenciando a extrema proximidade do incidente.

A margem de segurança alcançada foi mínima, com relatos indicando que a distância entre os dois navios chegou a menos de dois metros. As consequências de uma colisão nessa situação teriam sido potencialmente devastadoras. A Fragata União, com um deslocamento de quase 4 mil toneladas, poderia ter passado sobre o submarino, causando danos catastróficos e incontroláveis à embarcação norte-americana, que se tornaria altamente vulnerável em sua superfície. Simultaneamente, o impacto poderia ter atingido partes sensíveis da própria fragata, como a região do domo do sonar, uma estrutura vital para a detecção subaquática, comprometendo seriamente a integridade estrutural e a flutuabilidade do navio.

O registro fotográfico e o sigilo do incidente

Em meio à tensão do momento, um registro visual único foi capturado. O então sargento Marco Antônio Gomes, que estava de folga no passadiço da Fragata União e participava de um concurso de fotografia naval, tinha uma câmera fotográfica consigo. Já havia utilizado a maior parte do filme, mas, por uma feliz coincidência, restava apenas uma chapa na máquina quando o periscópio do submarino surgiu à frente do navio. Em meio ao susto e à urgência, a fotografia foi tirada, transformando-se em um dos raros e mais importantes registros visuais desse quase-incidente naval.

Posteriormente, o comandante da fragata solicitou todas as imagens tiradas a bordo, com especial interesse nas que registravam o encontro com o submarino. O assunto foi tratado com o mais alto grau de sigilo na época, uma prática comum em incidentes militares, especialmente aqueles envolvendo forças navais de diferentes países durante períodos de alta sensibilidade geopolítica. Por quase três décadas, o caso permaneceu fora do conhecimento público, oculto por classificações de segurança. Somente muitos anos depois, os protagonistas do episódio, aqueles que vivenciaram a tensão a bordo, começaram a relatar os detalhes da ocorrência, revelando ao mundo a gravidade do que por pouco não se tornou uma tragédia internacional. Para os tripulantes que estavam no Centro de Operações de Combate da fragata, os segundos que antecederam a quase colisão foram descritos como momentos de intensa tensão e adrenalina, características de uma situação de combate real.

Este incidente, que permaneceu nas sombras por décadas, é um lembrete vívido da complexidade e dos riscos inerentes às operações navais, mesmo em contextos de adestramento. A rápida reação do comando da Fragata União evitou uma crise internacional e preservou vidas, demonstrando a importância da doutrina e da prontidão militar. Para se aprofundar em análises exclusivas sobre defesa, geopolítica e segurança, acompanhe a OP Magazine em nossas redes sociais. Siga-nos para não perder nenhum detalhe dos fatos que moldam o cenário global.

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Em um cenário de elevada tensão geopolítica global, marcado pelo auge da Guerra Fria e pela recente e impactante Guerra das Malvinas, um evento de grande sigilo no Atlântico Sul, em 11 de outubro de 1984, por pouco não culminou em uma grave colisão entre unidades navais da Marinha do Brasil e da Marinha dos Estados Unidos. A Fragata União (F45), uma das principais unidades da esquadra brasileira, viu-se a escassos metros de abalroar o submarino nuclear de ataque USS Snook (SSN-592) da Marinha norte-americana. Este incidente ocorreu durante os exercícios conjuntos da Operação Unitas XXV, uma rotina de adestramento naval que visava a interoperabilidade e o fortalecimento das relações estratégicas entre as duas nações.

O episódio teve lugar por volta das 15h, horário de Brasília, em uma área estratégica a aproximadamente 115 milhas náuticas a leste do Arquipélago de Abrolhos, na costa sul da Bahia. Dois dias antes da quase colisão, uma força-tarefa naval composta por cinco navios brasileiros e cinco norte-americanos havia zarpado da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, com destino a Salvador. O propósito dessa travessia era a realização de um intensivo adestramento naval, que envolvia diversas manobras e simulações de combate em águas abertas, fundamentais para a prontidão operacional das marinhas.

A frota brasileira destacava-se pela presença da Fragata União (F45) e da Fragata Liberal (F43), ambas embarcações de superfície com capacidades antissubmarino e antiaérea. Completavam o grupo o porta-aviões Minas Gerais (A11), peça central para a projeção de poder aéreo naval, o navio-tanque Marajó (G27), crucial para o reabastecimento em alto-mar, e um contratorpedeiro, especializado em defesa aérea e de superfície. Do lado norte-americano, participavam o USS MacDonough (DDG-39), um destróier de mísseis guiados, o USS Thorn (DD-988), um destróier, o USS Talbot (FFG-4), uma fragata, o USS Concord (AFS-5), um navio de apoio ao combate, e o protagonista do incidente, o submarino nuclear de ataque USS Snook (SSN-592), uma unidade de vanguarda para sua época.

O USS Snook pertencia à renomada classe “Skipjack”, lançada em um período crucial da Guerra Fria e comissionada em 1961. Este tipo de submarino era impulsionado por propulsão nuclear, o que lhe conferia uma autonomia praticamente ilimitada e a capacidade de operar a altíssimas velocidades submersas. Sua concepção visava o desempenho de missões críticas de ataque a outras unidades navais, vigilância sigilosa e o acompanhamento de forças navais adversárias, representando uma ferramenta tática de grande valor. Vale ressaltar que o Snook já possuía um histórico de operações com a Marinha do Brasil, tendo participado da Operação Unitas XXI em 1980. Naquela ocasião, o submarino foi utilizado como alvo em um exercício de guerra antissubmarino, sendo “atacado” por um míssil antissubmarino Ikara, lançado pela fragata Defensora, também da classe “Niterói”, demonstrando a complexidade e o realismo dos adestramentos conjuntos.

O alerta e a manobra decisiva

No dia 11 de outubro, a bordo da Fragata União, encontravam-se aproximadamente 220 homens, um contingente misto de militares brasileiros e norte-americanos. O submarino USS Snook, por sua vez, transportava 83 tripulantes, igualmente incluindo elementos de ambas as nações. As unidades estavam engajadas em exercícios de ataque e defesa, nos quais o submarino tinha o papel de simular ações de ameaça contra o corpo principal da esquadra. Nesse contexto, o submarino poderia estar “atacando” alvos de alto valor como o porta-aviões Minas Gerais ou o navio-tanque Marajó, testando as capacidades de detecção e resposta das unidades de superfície.

Conforme os protocolos de segurança e as táticas antissubmarino, o Snook estava sendo ativamente monitorado pelos sistemas de sonar da Fragata União, que detectam alvos submersos por meio de ondas sonoras. Contudo, em um desenvolvimento inesperado e repentino, o submarino, em vez de manter-se em profundidade operacional, emergiu abruptamente à cota periscópica – uma profundidade rasa que permite a elevação do periscópio acima da superfície para observação – posicionando-se à frente da fragata brasileira e em rota de colisão iminente. Este surgimento inesperado em uma área monitorada representou uma falha grave na coordenação ou na execução do exercício.

O primeiro e crucial alerta foi emitido pelo vigia, militar posicionado em um ponto elevado do navio, responsável pela observação visual do horizonte. Ao avistar o periscópio do submarino emergir inesperadamente na proa, o vigia comunicou ao passadiço, o centro de comando do navio: “Alvo a zero, zero, zero”. Esta expressão na terminologia naval indica que o contato visual ou radarizado está exatamente à frente da embarcação, ou seja, na linha de proa. Inicialmente, a informação foi recebida com descrença, pois os radares da fragata, embora operando normalmente, não haviam detectado o periscópio, um alvo pequeno e de baixo perfil, difícil de identificar por esse meio. Segundos de tensão se seguiram até que o vigia, em um tom agora carregado de urgência, confirmasse a natureza do contato: era, de fato, um submarino, e a colisão parecia inevitável.

A reação do comando da Fragata União foi determinante para evitar uma catástrofe. O então comandante da embarcação, capitão-de-mar-e-guerra Carlos Edmundo de Lacerda Freire, agiu com extrema rapidez e decisão, ordenando uma guinada de emergência à bombordo, isto é, para o lado esquerdo da embarcação. Esta manobra evasiva, realizada sob pressão, foi o fator crucial que impediu o choque direto. Apesar da guinada, a aproximação foi tão crítica que o bordo de boreste da fragata – o lado direito do navio – passou a uma distância ínfima do casco do USS Snook, evidenciando a extrema proximidade do incidente.

A margem de segurança alcançada foi mínima, com relatos indicando que a distância entre os dois navios chegou a menos de dois metros. As consequências de uma colisão nessa situação teriam sido potencialmente devastadoras. A Fragata União, com um deslocamento de quase 4 mil toneladas, poderia ter passado sobre o submarino, causando danos catastróficos e incontroláveis à embarcação norte-americana, que se tornaria altamente vulnerável em sua superfície. Simultaneamente, o impacto poderia ter atingido partes sensíveis da própria fragata, como a região do domo do sonar, uma estrutura vital para a detecção subaquática, comprometendo seriamente a integridade estrutural e a flutuabilidade do navio.

O registro fotográfico e o sigilo do incidente

Em meio à tensão do momento, um registro visual único foi capturado. O então sargento Marco Antônio Gomes, que estava de folga no passadiço da Fragata União e participava de um concurso de fotografia naval, tinha uma câmera fotográfica consigo. Já havia utilizado a maior parte do filme, mas, por uma feliz coincidência, restava apenas uma chapa na máquina quando o periscópio do submarino surgiu à frente do navio. Em meio ao susto e à urgência, a fotografia foi tirada, transformando-se em um dos raros e mais importantes registros visuais desse quase-incidente naval.

Posteriormente, o comandante da fragata solicitou todas as imagens tiradas a bordo, com especial interesse nas que registravam o encontro com o submarino. O assunto foi tratado com o mais alto grau de sigilo na época, uma prática comum em incidentes militares, especialmente aqueles envolvendo forças navais de diferentes países durante períodos de alta sensibilidade geopolítica. Por quase três décadas, o caso permaneceu fora do conhecimento público, oculto por classificações de segurança. Somente muitos anos depois, os protagonistas do episódio, aqueles que vivenciaram a tensão a bordo, começaram a relatar os detalhes da ocorrência, revelando ao mundo a gravidade do que por pouco não se tornou uma tragédia internacional. Para os tripulantes que estavam no Centro de Operações de Combate da fragata, os segundos que antecederam a quase colisão foram descritos como momentos de intensa tensão e adrenalina, características de uma situação de combate real.

Este incidente, que permaneceu nas sombras por décadas, é um lembrete vívido da complexidade e dos riscos inerentes às operações navais, mesmo em contextos de adestramento. A rápida reação do comando da Fragata União evitou uma crise internacional e preservou vidas, demonstrando a importância da doutrina e da prontidão militar. Para se aprofundar em análises exclusivas sobre defesa, geopolítica e segurança, acompanhe a OP Magazine em nossas redes sociais. Siga-nos para não perder nenhum detalhe dos fatos que moldam o cenário global.

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