A porta-batel é um componente essencial para o funcionamento de um dique seco, garantindo a segurança das operações
Uma comitiva da Marinha do Brasil (MB) esteve, em outubro, na sede da Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. (Nuclep), em Itaguaí (RJ), para discutir a possibilidade de cooperação técnica voltada à futura construção de uma nova porta-batel para o Dique Almirante Régis, a mais importante infraestrutura de reparo do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ). O encontro marcou mais um capítulo da histórica parceria entre as duas instituições, que há mais de quatro décadas compartilham projetos estratégicos para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa.
Segundo o Diretor do AMRJ, Contra-Almirante (Engenheiro Naval) Mauro Nicoloso Bonotto, “a ideia de trazer este projeto à Nuclep é uma iniciativa que busca aproveitar a experiência dessa instituição em obras de grande complexidade técnica.”
O Dique Almirante Régis é o maior da MB e tem papel central nas manutenções dos principais meios operativos da Força, como o Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) “Atlântico” e o futuro Navio Doca Multipropósito (NDM) “Oiapoque”.
O Almirante Bonotto explica que “a substituição da porta-batel significa um avanço na segurança operacional do Dique Almirante Régis, considerando que a atual foi construída na década de 1920, utilizando elementos estruturais rebitados. A nova proposta pretende substituir o modelo centenário por uma versão moderna, alinhada às demandas de eficiência e segurança da engenharia contemporânea.”

Com mais de 260 anos de história, o AMRJ segue como um dos pilares da engenharia naval nacional — e a cooperação com a Nuclep reafirma a importância da integração entre Defesa e indústria pesada para o domínio tecnológico e a autonomia estratégica do País.
A visita à Nuclep também reflete o cenário positivo do setor naval brasileiro, que vive um movimento de reativação. Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) e do SENAI, o setor pode gerar até 100 mil empregos até 2027, impulsionado por investimentos do Fundo da Marinha Mercante, que prevê cerca de R$ 37 bilhões para projetos de construção, reparo e modernização de embarcações.
A porta-batel
A porta-batel é a estrutura responsável por permitir a docagem, a manutenção e o reparo de embarcações. Trata-se de uma grande barreira móvel que veda a entrada do dique, isolando o espaço interno da água do mar. Quando fechada, a porta-batel contém a coluna d’água que garante que o dique possa ser esvaziado com segurança, permitindo o acesso às partes submersas do navio para inspeções e reparos.
Por desempenhar essa função de vedação e sustentação, a porta-batel precisa suportar elevadas pressões hidrostáticas e resistir à corrosão e às intempéries do ambiente marítimo. É uma estrutura de alta complexidade. Sua preservação impacta, portanto, diretamente na segurança e na eficiência das operações navais.No caso do Dique Almirante Régis, essa importância é ainda mais significativa, uma vez que é nele que são realizadas as docagens dos principais meios operativos da Esquadra.










