A Marinha do Exército de Libertação Popular (PLAN) incorporou em serviço dois navios-tanque de reabastecimento de frota adicionais da série tipo 903. Imagens que circularam no serviço de mídia social "X" (anteriormente conhecido como Twitter) há aproximadamente duas semanas, mostraram as duas unidades auxiliares, também designadas como AOR (Auxiliary Oiler Replenishment), exibindo seus números de casco enquanto estavam atracadas em uma base naval da PLAN. A Marinha chinesa designou os números de amurada 892 e 893 a esses novos navios-tanque, evidenciando o prosseguimento da expansão de sua capacidade logística naval.
Localização estratégica e expansão da frota
As imagens em questão localizaram ambas as embarcações auxiliares nos cais da base naval de Zhanjiang, situada ao norte de Hainan. Zhanjiang representa uma das maiores e mais importantes instalações navais do Comando do Teatro Sul (STC) da China, servindo como base principal para a maior parte dos navios auxiliares e embarcações anfíbias atribuídas a este comando. A incorporação desses novos AORs em uma base de tamanha importância estratégica sublinha o foco da PLAN em fortalecer suas capacidades de projeção de poder e sustentação logística em uma das regiões marítimas mais dinâmicas.
Detalhes da produção e aprimoramentos do tipo 903
Conforme documentado pelo Naval News desde 2024, a Marinha chinesa iniciou recentemente a construção de navios adicionais de reabastecimento de frota da variante tipo 903. De acordo com informações e imagens de domínio público, dois estaleiros produziram, até o momento, pelo menos mais cinco embarcações deste projeto auxiliar de 20.000 toneladas. Os estaleiros envolvidos são o COMEC (antigo GSI) em Guangzhou e o Wuhu Shipbuilding na cidade homônima, localizada no rio Yangtze. A evidência pública inicial desta nova fase de construção surgiu entre novembro e dezembro de 2024, indicando um esforço contínuo e substancial para modernizar e expandir a capacidade de apoio logístico da frota.
Os novos navios-tanque tipo 903 apresentam melhorias discretas, mas significativas, em comparação com as embarcações predecessoras. A característica mais facilmente reconhecível nesse aspecto são as asas da ponte de comando redesenhadas, que agora incorporam extensões de teto niveladas a partir da ponte fechada. Anteriormente, os navios-tanque tipo 903 produzidos careciam de asas de ponte cobertas, embora pelo menos algumas embarcações tenham adicionado posteriormente uma cobertura leve e removível para aumentar o conforto do pessoal em condições climáticas adversas. Outras melhorias são prováveis, mas uma avaliação exata dependerá de imagens mais detalhadas que possam revelar modificações internas ou em outros sistemas.
Histórico operacional e evolução dos navios-tanque de reabastecimento da PLAN
A Marinha chinesa recebeu originalmente dois lotes desses navios-tanque, designados como tipo 903 e tipo 903A. A produção das duas embarcações do primeiro lote foi dividida entre o GSI e o Hudong, e esses navios entraram em serviço entre 2004 e 2005. Um segundo lote, de maior volume, incluiu sete unidades adicionais do tipo 903A, com a maior parte da produção concentrada no GSI em Guangzhou. É notável, portanto, que a produção deste novo lote tenha sido novamente redistribuída, com o estaleiro Wuhu assumindo uma parcela significativa do trabalho. Uma vez que todas as embarcações já observadas entrarem em serviço, a Marinha chinesa operará pelo menos 14 navios de reabastecimento deste tipo, fortalecendo substancialmente sua capacidade de sustentação de frota.
Adicionalmente, a PLAN mantém em serviço dois navios de apoio de combate rápido muito maiores, do tipo 901. Com uma estimativa de 45.000 toneladas, o tipo 901 é empregado primordialmente no apoio a desdobramentos de porta-aviões da PLAN. Contudo, o projeto também tem sido utilizado para suprir grupos anfíbios e grupos de ação de superfície em movimento, demonstrando sua versatilidade e importância para operações navais de grande escala.
A Marinha chinesa também continua a operar um único navio de reabastecimento tipo 908, o Qinghaihu, também conhecido como Lago Qinghai. O tipo 908, por vezes referido como tipo 905, é um projeto de 37.000 toneladas originalmente desenvolvido para a União Soviética. Após a dissolução da URSS, a Ucrânia vendeu um casco inacabado em construção em Kherson para a China por volta de 1993. A Índia, por sua vez, adquiriu um segundo casco deste projeto, construído pelo estaleiro russo Admiralty em São Petersburgo, e ambas as embarcações permanecem em serviço ativo, atestando a longevidade e utilidade deste projeto.
Demanda operacional crescente da PLAN impulsiona a construção
Nos últimos anos, a Marinha chinesa não apenas cresceu consideravelmente em tamanho geral de frota, mas também expandiu significativamente suas operações de presença no exterior próximo da China e conduziu um número crescente de visitas e outros desdobramentos em áreas mais distantes. É digno de nota, nesse sentido, o aumento da atenção chinesa à Oceania. A Marinha chinesa agora visita frequentemente várias nações insulares no Pacífico Sul, com destaque para Fiji e Vanuatu, consolidando sua presença e influência na região.
Adicionalmente, a PLAN realizou uma circunavegação da Austrália entre o final de 2024 e o início de 2025. O evento gerou considerável agitação na mídia devido aos navios de combate chineses desse grupo-tarefa realizarem exercícios de tiro real no Mar da Tasmânia. Um segundo grupo-tarefa partiu para o Pacífico Sul no final de 2025; no entanto, nesta ocasião, as embarcações ajustaram seu curso, retornando às águas próximas a Taiwan para participar de um grande exercício do Exército de Libertação Popular em dezembro de 2025. Em ambos os casos, esses grupos-tarefas foram apoiados por uma embarcação de reabastecimento tipo 903/A. Esses navios-tanque também são empregados de forma persistente nas patrulhas antidesencaminhamento que a Marinha chinesa realiza na costa da Somália, com rotações a cada quatro a seis meses aproximadamente, sublinhando sua importância vital para missões de longa duração. Todos esses exemplos demonstram a pesada dependência da PLAN em relação ao reabastecimento de frota para sustentar suas operações globais e projeção de poder marítimo.
Para análises aprofundadas sobre a evolução da Marinha chinesa, geopolítica e segurança internacional, continue acompanhando a OP Magazine. Siga-nos em nossas redes sociais para não perder nenhuma atualização e aprofundar seu conhecimento sobre os temas mais relevantes do cenário global.










