O setor de defesa indiano, representado pela Organização de Pesquisa e Desenvolvimento em Defesa (DRDO), alcançou uma série de demonstrações tecnológicas significativas. Recentemente, foram realizados com sucesso múltiplos testes de sistemas de mísseis, evidenciando um avanço notável nas capacidades defensivas e ofensivas do país. As demonstrações incluíram a validação de um sistema de defesa contra mísseis balísticos (BMD) de múltiplas camadas, uma nova capacidade antinavio de médio alcance e o aprimoramento de mísseis de ataque terrestre, incluindo variantes hipersônicas.
Aprofundando a defesa contra mísseis balísticos
Nos dias 10 e 11 de junho de 2026, a Índia conduziu uma série de três testes de voo consecutivos com os interceptadores AD-1 e AD-2, componentes cruciais do seu programa BMD de Fase 2. Estes interceptadores demonstraram a capacidade de engajar com sucesso seus respectivos alvos, validando uma defesa multicamadas projetada para neutralizar mísseis balísticos de longo alcance, incluindo ameaças como mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs). O AD-1 é um míssil de curto alcance, operando em ambiente endoatmosférico, ou seja, dentro da atmosfera terrestre, enquanto o AD-2 possui um alcance maior e opera em ambiente exoatmosférico, fora da atmosfera. O programa BMD indiano já progrediu para a Fase 3, com o desenvolvimento dos mísseis AD-AH e AD-AM em andamento. Espera-se que esses sistemas sejam capazes de contrapor ameaças mais avançadas, como mísseis hipersônicos manobráveis e ogivas múltiplas e independentemente direcionáveis (MIRV). A Marinha Indiana, por sua vez, é vista como uma potencial utilizadora desses sistemas BMD, especialmente diante da proliferação de ameaças emergentes como o míssil DF-26B. Em 2023, a Índia já havia testado um míssil BMD endoatmosférico da Fase 1, denominado AAD, a partir do INS Anvesh.
O míssil antinavio naval de médio alcance (NASM-MR)
Um marco significativo foi o voo inaugural bem-sucedido do Míssil Antinavio Naval de Médio Alcance (NASM-MR). Este míssil possui um alcance de aproximadamente 300 quilômetros e incorpora um sistema de guiagem de meio curso que combina navegação inercial (INS) e GPS, além de um altímetro de radar para capacidade de voo rente ao mar (sea-skimming), dificultando sua detecção. A guiagem terminal do NASM-MR utiliza um buscador de radiofrequência (RF) AESA de banda X, o que o diferencia do NASM-SR, que emprega um buscador de infravermelho (IIR). O NASM-MR é equipado com um datalink bidirecional e uma ogiva de penetração e explosão. Para sua produção em larga escala, o míssil deverá ser impulsionado por um motor turbofan DRDO ATGG, embora os testes iniciais tenham sido realizados com um motor Safran. Originalmente concebido como uma arma ar-superfície para o caça MiG-29K, que pode transportar até quatro mísseis, o projeto do NASM-MR foi oficialmente aprovado em 2023. Espera-se que a integração do míssil seja estendida a outras aeronaves, como o Tejas Mk1A, capaz de portar até cinco unidades, e o C-295 MRMR. Contudo, o teste inaugural foi realizado a partir de um lançador baseado em um caminhão Tata 8×8. Uma variante terrestre deste míssil, equipada com um grande propulsor de foguete sólido, deve ser futuramente oferecida como produto. Uma versão lançada por navio, denominada MRAShM (Medium Range Anti-Ship Missile), também está prevista, com uma expectativa de aquisição de 450 unidades para uso embarcado. Adicionalmente, um projeto para mísseis 'Glidefire' está em desenvolvimento, inserindo-se em uma categoria similar ao NASM-MR.
Capacidades de ataque terrestre e hipersônico em evolução
Em 2 de junho de 2026, o míssil Rudram-2 foi testado com sucesso a partir de um Su-30 MKI da Força Aérea Indiana (IAF). Este míssil, de quase hipersônico, possui um alcance de 300 quilômetros e emprega buscadores de RF e IIR, sendo projetado tanto para missões antirradar quanto para ataque ao solo. Atualmente, o MiG-29K está equipado com os mísseis Rampage e Kh-35E, mas, no futuro, os mísseis NASM-MR e Rudram-2 serão integrados a esta plataforma. Em 15 de junho, o míssil subsônico LRLACM (Long Range Land Attack Cruise Missile) também foi testado. Tendo sua primeira demonstração em 2024, espera-se que os mísseis LRLACM e Rudram-2 se tornem elementos integrais das operações de ataque da Marinha e da IAF. O LRLACM é impulsionado por um motor turbofan DRDO STFE, consolidando a capacidade indiana de desenvolver sistemas de propulsão avançados para seus mísseis de cruzeiro.
Os recentes testes da DRDO sublinham a dedicação da Índia em fortalecer sua postura de defesa e ataque por meio de tecnologia de ponta. Para um acompanhamento contínuo e aprofundado dos desenvolvimentos mais críticos em defesa, geopolítica e segurança, convidamos nossos leitores a seguir a OP Magazine em nossas redes sociais. Mantenha-se à frente com análises exclusivas e reportagens detalhadas que abordam o cenário global de segurança.










