A IDV, empresa italiana de defesa integrante do Grupo Leonardo, marcou sua presença na Eurosatory 2026, uma das principais exposições internacionais do setor, para apresentar suas mais recentes tecnologias em veículos terrestres não tripulados (UGVs). No evento, a companhia revelou versões atualizadas de sua plataforma VIKING e fez a estreia pública do CL2X, um veículo de combate híbrido sobre lagartas, consolidando sua posição no desenvolvimento de sistemas autônomos para a defesa e segurança global.
Em entrevista ao Defensehere, o Dr. Geoff Davis, Diretor Executivo da IDV, destacou o foco da empresa em sistemas autônomos altamente móveis, projetados para executar missões de logística, reconhecimento e combate, minimizando o risco para o pessoal militar. Davis mencionou que a plataforma VIKING, em sua iteração mais recente, já é empregada por aliados da OTAN e que a IDV firmou um contrato para fornecer oito unidades ao Exército Italiano, sublinhando a confiança estratégica na tecnologia e na capacidade operacional do UGV.
VIKING: versatilidade autônoma e capacidades multitarefa no terreno
O VIKING 6×6 é um UGV desenvolvido para versatilidade, permitindo o transporte de duas unidades em um helicóptero CH-47 Chinook para rápida implantação. Sua configuração com tração nas seis rodas, direção nas quatro rodas e suspensão independente garante alta mobilidade em terrenos desafiadores, protegendo cargas sensíveis. Equipado com um sistema de propulsão híbrido-elétrico, o VIKING alcança 30 quilômetros em modo silencioso, ideal para discrição, e uma autonomia total de mais de 250 quilômetros com seu motor extensor, que também alimenta os sistemas de missão. A plataforma integra inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina para navegação autônoma e processamento de dados na borda, utilizando câmeras de visão estéreo, termovisores, sensores eletro-ópticos dia/noite e LiDAR, priorizando sistemas passivos para otimizar a consciência situacional.
O VIKING aprimorado foi exibido em duas configurações de missão. Uma delas apresentava a estação de armas remotamente controlada HITROLE C-UAS da Leonardo, com um canhão Blaze de 30×113 mm para defesa contra drones. A segunda configuração incluía um lançador de três mísseis, desenvolvido com a MBDA, para missões anticarro, oferecendo a capacidade de "atirar e evadir" (shoot-and-scoot), que permite ao UGV reposicionar-se autonomamente e engajar alvos enquanto mantém os operadores seguros. Além do combate, o VIKING é modular para logística, evacuação de feridos, ISTAR (inteligência, vigilância, aquisição de alvos e reconhecimento) e missões CBRN (química, biológica, radiológica e nuclear), demonstrando sua ampla adaptabilidade operacional.
CL2X: o futuro da integração tripulada-não tripulada no combate
A IDV também introduziu o CL2X, um "tanque leve não tripulado híbrido" de 16 toneladas sobre lagartas, fazendo sua estreia pública na exibição. Projetado para atuar em operações MUM-T (equipe tripulada-não tripulada) ao lado de carros de combate principais, o CL2X pode transportar cargas úteis de até cinco toneladas. Seu sistema de propulsão híbrido-elétrico garante um alcance operacional de até 500 quilômetros, incluindo aproximadamente 30 quilômetros em modo silencioso, proporcionando flexibilidade tática. O veículo exposto estava equipado com a torre não tripulada HITFIST 30 UL da Leonardo, armada com o canhão ITAR-free de 30 mm X-Gun, e o sistema de mira Janus-D para vigilância, aquisição de alvos e contra-UAS.
A IDV enfatiza que a plataforma CL2X é concebida para controle remoto, teleoperação e futuras funções totalmente autônomas, permitindo que um único veículo de comando coordene múltiplos UGVs simultaneamente no campo de batalha. "Estamos utilizando IA e aprendizado de máquina para realmente aprimorar a missão", afirmou Davis, ressaltando a centralidade da autonomia para o futuro dessas plataformas na identificação de alvos e em tarefas complexas. Esta visão foi concretizada na Eurosatory com uma demonstração de ambiente digital de comando e controle, que ilustrava a coordenação eficiente de diversos UGVs por um único operador, refletindo a estratégia da empresa para as futuras operações terrestres em rede.
As inovações apresentadas pela IDV na Eurosatory 2026 demonstram o impacto transformador da tecnologia autônoma no cenário da defesa global. Para análises aprofundadas sobre defesa, geopolítica e segurança internacional, e para se manter atualizado sobre os mais recentes desenvolvimentos, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e acesse nosso site. Acompanhe-nos para insights exclusivos e análises relevantes!










