A França finalizou a encomenda de sua quinta Fragata de Defesa e Intervenção (FDI) junto ao estaleiro Naval Group, marcando a conclusão do número de embarcações atualmente planejadas para esta classe na Marinha Francesa. Reconhecível por seu distintivo arco invertido, um elemento de design que otimiza a hidrodinâmica e o desempenho em mar agitado, a FDI representa um pilar fundamental na modernização da frota francesa. Esta aquisição, efetuada no final de março, assegura a entrega do navio em 2032, conforme comunicado pelo Ministério das Forças Armadas francês. A quarta embarcação desta classe havia sido encomendada em dezembro do ano anterior, e ambas serão construídas nas instalações da Naval Group em Lorient, no oeste da França.
O programa FDI e seu cronograma
A entrega da quinta e última fragata FDI em 2032 marcará o fechamento de um importante ciclo para o programa naval francês, que visa estabelecer uma frota de 15 fragatas de primeira linha. Essa meta de quinze navios, embora seja um avanço significativo, foi determinada por restrições orçamentárias, conforme apontado pelo Almirante Nicolas Vaujour, comandante da Marinha Francesa. O Almirante Vaujour tem reiterado que, para um "formato coerente" e uma capacidade operacional otimizada, a Marinha necessitaria de 18 fragatas. Paralelamente, alguns legisladores franceses têm defendido o aumento da encomenda de fragatas FDI para um total de oito embarcações, evidenciando um debate sobre a dimensão ideal da força naval do país.
O programa completo das cinco fragatas FDI foi orçado em €4,28 bilhões (equivalente a $4,9 bilhões) nas contas francesas de 2019. Contudo, a entrega da quinta embarcação ocorrerá três anos após o cronograma original de 2029. Este atraso acumulado é atribuído a uma série de fatores interligados, incluindo dificuldades industriais encontradas na construção da primeira unidade, os impactos da pandemia de Covid-19 que afetaram a cadeia de suprimentos e os prazos de produção, demoras na integração de sistemas de armas avançados e a realocação de slots de produção para acomodar uma encomenda priorizada pela Grécia. Essa flexibilidade demonstra a importância das parcerias estratégicas no setor de defesa, mas também seus desafios na gestão de cronogramas complexos.
Capacidades técnicas e desempenho em campo
A primeira fragata da classe, a Amiral Ronarc’h, foi entregue em outubro e está atualmente em um período de desdobramento de longa duração, essencial para a validação de suas capacidades operacionais em um ambiente real. Em fevereiro, a Amiral Ronarc’h integrou-se ao grupo de batalha do porta-aviões Charles de Gaulle no Atlântico Norte, onde realizou testes intensivos de seus radares, do conjunto de guerra eletrônica e do sistema de combate em um ambiente tático. Essas avaliações são cruciais para confirmar a eficácia dos sistemas da embarcação em condições operacionais exigentes. O Naval Group destacou a notável capacidade da FDI em operar em mares agitados, com a tripulação da Amiral Ronarc’h tendo a oportunidade de observar seu desempenho em testes sob condições de "Estado de Mar 6" no Oceano Atlântico, que, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial, corresponde a um mar "muito agitado" com ondas de 4 a 6 metros de altura.
Com 122 metros de comprimento e um deslocamento de aproximadamente 4.500 toneladas, a FDI é projetada especificamente para combate de alta intensidade. Embora seja menor em porte do que as novas gerações de fragatas que estão sendo construídas ou planejadas no Reino Unido, Espanha, Itália e Alemanha, seu design foca na agilidade e na potência de fogo concentrada. A fragata está equipada com um arsenal robusto que inclui mísseis antinavio Exocet, mísseis de defesa aérea Aster, torpedos MU90 para guerra antissubmarino e um canhão de 76 mm. Complementando seu poder ofensivo e defensivo, a FDI é dotada de um radar Thales Sea Fire com quatro painéis fixos, que fornece cobertura de vigilância aérea e de superfície de alta precisão. O projeto da fragata é descrito como totalmente digital, com uma "potência computacional significativa" para processar rapidamente as informações coletadas pelos diversos sensores a bordo, e um centro de dados redundante, o que garante robustez e resiliência em operações críticas.
Contexto internacional e perspectivas de exportação
A configuração dos lançadores verticais (VLS) nas fragatas FDI varia conforme a encomenda e o orçamento inicial. Enquanto as duas primeiras embarcações francesas da classe serão equipadas com 16 células de lançamento vertical, devido a decisões orçamentárias tomadas previamente, as unidades de três a cinco, incluindo a recém-encomendada, contarão com 32 células, uma configuração similar à adotada pela Grécia. O governo francês, contudo, planeja uma atualização futura para as duas primeiras fragatas, a fim de dobrar o número de suas células de lançamento, padronizando a capacidade de mísseis em toda a frota.
No cenário de exportação, a FDI da Naval Group está em concorrência por uma encomenda sueca de quatro fragatas, com uma decisão aguardada para os próximos meses. A França tem promovido sua capacidade de fornecer uma fragata totalmente equipada e armada até 2030, prazo estabelecido pelo governo sueco para as primeiras entregas, com a Naval Group afirmando em outubro que seu estaleiro é capaz de produzir duas fragatas FDI por ano. No entanto, a Noruega, em agosto do ano passado, selecionou a fragata Type 26 do Reino Unido, primariamente fabricada pela BAE Systems, em detrimento do projeto francês, que era menor. Por outro lado, a Grécia, em novembro, exerceu uma opção para uma quarta fragata FDI, além das três embarcações já encomendadas, e em março enviou a fragata Kimon, a primeira de sua classe para a marinha grega, para a região de Chipre, demonstrando a confiança no projeto francês para suas necessidades de defesa.
A aquisição da última fragata FDI reforça a capacidade naval da França em um cenário geopolítico complexo, consolidando seu compromisso com a defesa e a projeção de poder marítimo. Para se manter atualizado sobre os desenvolvimentos estratégicos na defesa, geopolítica e segurança internacional, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e acompanhe nossas análises aprofundadas.










