O garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami representa uma das mais graves e persistentes crises socioambientais e humanitárias do Brasil. Impulsionada pela alta demanda e valorização do ouro no mercado clandestino, essa atividade predatória tem avançado profundamente sobre o território, causando desmatamento massivo, poluição dos recursos hídricos e, mais criticamente, um cenário de calamidade para as comunidades indígenas. A presença de milhares de garimpeiros ilegais não apenas viola a soberania territorial dos Yanomami, mas introduz um ciclo devastador de doenças, violência e desestruturação social que ameaça a sobrevivência cultural e física deste povo.
Os impactos do garimpo são alarmantes e multifacetados. A contaminação por mercúrio, elemento amplamente utilizado na separação do ouro, envenena os rios e, consequentemente, contamina peixes e outros animais que servem de alimento aos indígenas. Isso resulta em sérios problemas de saúde, como doenças neurológicas, renais e gastrointestinais, detectadas em níveis alarmantes na população Yanomami. Além disso, a invasão traz consigo a proliferação de doenças infectocontagiosas como malária, tuberculose e infecções respiratórias para as quais os indígenas possuem baixa imunidade, sobrecarregando e colapsando os precários serviços de saúde na região. A desnutrição também se agrava pela destruição das fontes de alimento tradicionais e pela dificuldade de acesso a áreas de caça e coleta.

Do ponto de vista ambiental, o garimpo ilegal é sinônimo de destruição em larga escala. A abertura de clareiras para acampamentos e pistas de pouso clandestinas, aliada à dragagem dos rios, provoca um desmatamento severo e irreversível. Isso causa erosão do solo, assoreamento dos rios e alterações drásticas nos ecossistemas locais, comprometendo a biodiversidade e os recursos hídricos vitais. Socialmente, a presença dos garimpeiros fomenta a violência, o tráfico de drogas, a exploração sexual e a desagregação das estruturas sociais Yanomami, criando um ambiente de insegurança e medo. A complexidade do problema exige uma atuação contínua e integrada das forças de segurança e órgãos ambientais para coibir essa ameaça constante e garantir a proteção dos povos indígenas e de seus territórios.
Detalhes da Operação Catrimani II e a interdição de pistas clandestinas
O Comando Operacional Conjunto Catrimani II, em uma ação decisiva nos dias 23 e 24 de dezembro de 2025, realizou a interdição de duas pistas de pouso clandestinas na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. As estruturas, localizadas nas proximidades do rio Couto de Magalhães, eram pontos estratégicos para a logística de garimpos ilegais que operam na região. A operação demonstra a capacidade das Forças Armadas de atuarem em locais de difícil acesso, reforçando a vigilância e o combate a atividades ilícitas que ameaçam gravemente o meio ambiente e a vida das comunidades indígenas.
A execução da interdição contou com a infiltração aeromóvel de militares de Engenharia do Exército Brasileiro (EB), que foram transportados por um helicóptero H-60 Black Hawk da Força Aérea Brasileira (FAB). Os especialistas empregaram explosivos para inutilizar permanentemente as duas pistas, impedindo sua reativação por grupos criminosos. Esta coordenação entre as diferentes forças militares não só evidenciou a interoperabilidade e o esforço conjunto das Forças Armadas, mas também sua prontidão como diferencial estratégico no combate aos ilícitos ambientais e na proteção da soberania nacional em territórios sensíveis.
A Operação Catrimani II é parte de uma ação conjunta mais ampla, envolvendo órgãos de Segurança Pública, Agências Governamentais e as Forças Armadas, e é coordenada diretamente com a Casa de Governo no Estado de Roraima. Ela cumpre os objetivos da Portaria GM-MD N° 5.831, de 20 de dezembro de 2024, que visa agir de modo preventivo e repressivo contra o garimpo ilegal, os ilícitos transfronteiriços e os crimes ambientais na Terra Indígena Yanomami. A presença constante e a ação dissuasória das Forças Armadas são cruciais para dificultar a reorganização do garimpo e proteger as comunidades indígenas, cuja sobrevivência é diretamente afetada pela entrada não autorizada de pessoas, conforme proibido pela Portaria nº 1/2023 da FUNAI.

As pistas clandestinas eram utilizadas por garimpeiros ilegais. – Foto: Exercito Brasileiro
O papel estratégico das Forças Armadas na proteção ambiental e indígena
As Forças Armadas desempenham um papel estratégico e multifacetado que transcende as fronteiras da defesa territorial convencional, estendendo-se crucialmente à proteção ambiental e dos povos indígenas. Em contextos como a Terra Indígena Yanomami, a complexidade dos desafios impostos por atividades ilícitas, como o garimpo ilegal, exige uma capacidade operacional e logística que poucas outras instituições possuem. Essa atuação é vital para a salvaguarda da soberania nacional sobre seus recursos naturais e para a garantia dos direitos territoriais e culturais das comunidades originárias, representando um pilar essencial da segurança nacional e da política socioambiental brasileira.
A prontidão e a presença constante das Forças Armadas em locais de difícil acesso, como demonstrado nas recentes operações de interdição de pistas clandestinas, são um diferencial estratégico no combate aos ilícitos ambientais. Utilizando aeronaves como o helicóptero H-60 Black Hawk e equipes de engenharia especializadas em infiltração aeromóvel, as tropas conseguem desarticular a infraestrutura de grupos criminosos, empregando, por exemplo, explosivos para inutilizar bases logísticas. Essa capacidade de dissuasão e repressão dificulta a reorganização de redes ilegais e assegura uma vigilância contínua, fundamental para a manutenção da ordem e a proteção de áreas vulneráveis e sensíveis.
O impacto da atuação militar na proteção ambiental e indígena é profundo e abrangente. Ao coibir a entrada de pessoas não autorizadas em terras indígenas e combater o garimpo ilegal, as Forças Armadas protegem diretamente a saúde, a cultura e a própria sobrevivência de populações, incluindo aquelas em isolamento voluntário, que são extremamente vulneráveis a doenças e conflitos externos. Sua presença reforça a aplicação de portarias e normativos que visam a proteção dessas áreas e de seus habitantes, contribuindo decisivamente para a preservação de ecossistemas únicos e para a estabilidade regional em coordenação com outras agências e órgãos de segurança.










