Os caças F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB) realizaram o percurso de retorno à Base Aérea de Anápolis (BAAN), em Goiás, concluindo a primeira participação do moderno vetor brasileiro em um exercício multinacional de grande escala conduzido no exterior. Este evento, que marca o encerramento do Exercício Multidomínio Salitre 2026 no norte do Chile, representa um marco significativo no processo de desdobramento operacional e na validação das capacidades da nova aeronave de combate da FAB.
Um marco operacional para a Força Aérea Brasileira
As seis aeronaves F-39E Gripen que compuseram o destacamento no Chile pertencem ao Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), conhecido como Esquadrão Jaguar. Esta unidade, sediada estrategicamente em Anápolis, é a força motriz por trás da operação de primeira linha do Gripen em território nacional. A mobilização para o Salitre 2026 não apenas representou o maior deslocamento internacional do modelo F-39E realizado pela FAB até o momento, mas também validou a capacidade logística e operacional para projetar esse vetor de defesa para além das fronteiras brasileiras, demonstrando a prontidão do esquadrão e o alcance do sistema.
O voo de retorno dos caças Gripen, partindo da Base Aérea Cerro Moreno, em Antofagasta, até a BAAN em Anápolis, foi completado em aproximadamente 2 horas e 50 minutos. Este deslocamento sublinha a capacidade expedicionária do sistema F-39 e a meticulosa preparação das equipes envolvidas, englobando as áreas de voo, manutenção, logística e apoio, essenciais para operações bem-sucedidas em um cenário internacional. A distância em linha reta entre os dois aeródromos é de cerca de 2.382 quilômetros, ou 1.286 milhas náuticas, calculada com base em coordenadas precisas e na rota ortodrômica, que representa o caminho mais eficiente sobre a superfície terrestre. Com esse tempo de voo, os F-39E Gripen mantiveram uma velocidade média aproximada de 841 km/h (454 nós), considerando-se um trajeto sem desvios significativos ou procedimentos que alterariam a velocidade de cruzeiro, evidenciando o desempenho e a autonomia da aeronave em missões de longa distância.
Salitre 2026: interoperabilidade e cenário multidomínio
A participação no Exercício Multidomínio Salitre 2026 marcou a primeira vez que o F-39E Gripen da FAB foi desdobrado em um exercício multinacional fora do Brasil com uma estrutura operacional completa do Esquadrão Jaguar. Até então, o caça havia atuado em treinamentos e operações exclusivamente em território nacional. Organizado pela Força Aérea do Chile, o Salitre 2026 foi um complexo evento que mobilizou cerca de 1.500 militares e 60 aeronaves provenientes de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Estados Unidos e Paraguai. O balanço oficial chileno revelou que foram completadas 379 missões e acumuladas 601 horas de voo, com um índice de execução impressionante de 91,5% e, notavelmente, sem nenhum acidente registrado, atestando o alto nível de profissionalismo e segurança das forças envolvidas.
As operações foram estruturadas em grandes pacotes de força, integrando diversas aeronaves e capacidades sob uma coordenação centralizada, simulando cenários de combate aéreo contemporâneo. Estes cenários abrangeram uma vasta gama de missões críticas, incluindo superioridade aérea, combate ar-ar e ar-superfície, varredura de caças, interdição de alvos, apoio aéreo aproximado (CAS), supressão de defesas antiaéreas inimigas (SEAD), reabastecimento em voo e inteligência, vigilância, aquisição de alvos e reconhecimento (ISR). Adicionalmente, o exercício incluiu operações de forças especiais, lançamento de paraquedistas, evacuação aeromédica (EVAM), transporte aerologístico, missões de ajuda humanitária e o emprego de capacidades espaciais e cibernéticas, com o objetivo primordial de testar e aprimorar a interoperabilidade entre as forças aéreas dos países participantes em um ambiente operacional complexo e dinâmico, simulando o planejamento e a execução de grandes exercícios internacionais.
Nos céus do Deserto do Atacama, os F-39E brasileiros operaram em conjunto com uma variedade de aeronaves de combate e apoio. Entre elas, destacam-se os caças F-16 das forças aéreas do Chile e dos Estados Unidos, os F-5 Tigre III chilenos, os IA-63 Pampa III argentinos e os A-29 Super Tucano operados por Chile, Colômbia e Paraguai. O exercício contou ainda com a presença de aviões de transporte C-130 Hercules, o reabastecedor aéreo KC-135E Stratotanker, aeronaves de vigilância U-28A Draco, drones MQ-9 Reaper e diversos modelos de helicópteros, proporcionando um ambiente rico para o intercâmbio tático e técnico entre as tripulações.
Avaliando a prontidão para o futuro
Além do treinamento tático e das simulações de combate, a missão no Salitre 2026 proporcionou à FAB uma oportunidade inestimável para avaliar aspectos cruciais de futuras operações expedicionárias. Estes incluíram o planejamento detalhado de deslocamentos internacionais de grande porte, a logística de transporte de pessoal e equipamentos, a capacidade de manutenção de aeronaves longe da base de origem, a taxa de disponibilidade dos caças e a integração eficaz com estruturas estrangeiras de comando e controle. O desdobramento também permitiu que o Gripen brasileiro tivesse contato direto e realizasse exercícios com diferentes versões do F-16, o principal caça operado no exercício, promovendo um aprendizado mútuo e aprofundado em táticas e capacidades.
Durante as atividades de apresentação à imprensa, o F-39E Gripen foi um dos destaques na formação multinacional aérea realizada sobre o Deserto do Atacama, chamando a atenção para a modernidade e as capacidades que o Brasil está incorporando à sua defesa aérea. O encerramento formal do Salitre 2026 ocorreu após a conclusão do último ciclo de operações aéreas combinadas da fase LIVEX (Live Exercise), onde os cenários foram executados em tempo real. Na avaliação final do exercício, a Força Aérea do Chile ressaltou o elevado nível de interoperabilidade alcançado entre os seis países participantes e as valiosas lições operacionais produzidas pelas tripulações e equipes de apoio. Com o pouso seguro em Anápolis, o Esquadrão Jaguar conclui uma etapa fundamental em sua jornada de consolidação operacional e projeção internacional.
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