
A 5ª Brigada de Cavalaria Blindada transportou 32 viaturas especializadas em um comboio rodoviário. – Foto: ST Sionir (CCOMSEx)
O Exército Brasileiro consolidou, em 2025, os avanços operacionais obtidos no contexto da Operação Atlas, exercício militar conjunto coordenado pelo Ministério da Defesa com o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, direcionado ao aperfeiçoamento do planejamento, coordenação, deslocamento estratégico e emprego de capacidades de defesa na Amazônia brasileira. A iniciativa reuniu cerca de 4 mil militares e 105 organizações militares de todos os Comandos Militares de Área, com foco na interoperabilidade, comando e controle (C2) e projeção estratégica em teatro operacional complexo.
A operação foi estruturada em três fases sequenciais: uma etapa de planejamento integrado em Brasília, desenvolvimento de deslocamento estratégico de meios e pessoal para a região norte do país e emprego conjunto de tropas e sistemas no terreno, com apronto operacional em Boa Vista (RR). Essa configuração buscou testar logisticamente o movimento de forças e a sustentação de operações em ambiente de selva, caracterizado por dificuldades geográficas e requisitos específicos de mobilidade.

No deslocamento estratégico, forças terrestres executaram movimentos longitudinais significativos: a 5ª Brigada de Cavalaria Blindada transportou 32 viaturas especializadas em um comboio rodoviário de longa distância; e a 17ª Brigada de Infantaria de Selva empregou veículos leves e especializados no transporte fluvial pelo Rio Madeira, conectando Porto Velho (RO) a Manaus (AM).
Do ponto de vista de modernização tecnológica e interoperabilidade, a operação marcou a entrada em serviço operacional da Família de Aplicativos de Comando e Controle da Força Terrestre (FAC2FTer), desenvolvida pelo Centro de Desenvolvimento de Sistemas visando unificar e atualizar capacidades de C2 legadas. Essa entrega representa um passo importante na consolidação de ferramentas digitais para sustentação de decisão e coordenação de ações integradas.
A operação também incorporou capacidades especializadas de defesa química, biológica, radiológica e nuclear (DQBRN), aplicadas em cenários simulados de contaminação para sustentar operações contínuas sob condições adversas, e sistemas de sensoriamento avançado do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), incluindo binóculos termais, ópticos e radares terrestres para ampliar a consciência situacional em diversos níveis de comando.

A fase de adestramento em terreno incluiu exercícios de tiro real com apoio de fogo conjunto, integrando meios de apoio de sete organizações militares e apoio aéreo aproximado de aeronaves A-29 Super Tucano da Força Aérea Brasileira. Os vetores terrestres envolveram viaturas blindadas Guarani, Guaicurus e Cascavel, enquanto unidades mecanizadas utilizaram carros de combate Leopard 1A5 com sistemas de estabilização e visão termal para engajar alvos a distâncias até 4 km.
Além disso, o 16º Grupo de Mísseis e Foguetes empregou o sistema ASTROS, capaz de atingir alvos em profundidade com foguetes de até 90,2 km e mísseis táticos de cruzeiro com alcance estimado em 300 km, reforçando a capacidade de dissuasão estratégica das forças brasileiras.
No âmbito aeroterrestre, a Força-Tarefa Afonsos executou infiltração por meio de saltos táticos a partir de 1.000 pés de altitude com paraquedas RZ-21, empregando técnicas de assalto aeroterrestre visando à conquista de posições no terreno planejado.
A Operação Atlas reafirmou o compromisso institucional com o aperfeiçoamento contínuo de capacidades militares, a integração dos meios singulares das Forças Armadas e a validação de doutrinas conjuntas em ambientes operacionais de alta complexidade, em consonância com os objetivos estratégicos delineados na Política de Defesa Nacional.










