Estados Unidos confirmam destruição de apenas um terço do arsenal de mísseis iraniano; outro terço permanece com status incerto

|

Estados Unidos confirmam destruição de apenas um terço do arsenal de mísseis iraniano; outro terço permanece com status incerto

|

Washington, 27 de março de 2026 — Em um desenvolvimento crucial para a análise do conflito no Oriente Médio, os Estados Unidos expressam com clareza que só podem determinar com absoluta certeza a destruição de aproximadamente um terço do extenso arsenal de mísseis pertencente ao Irã. Esta revelação, obtida com exclusividade pela Reuters e fundamentada em cinco fontes com acesso direto à inteligência americana, surge no momento em que a campanha militar conjunta de EUA e Israel contra o Irã se aproxima da marca de um mês. A avaliação apresentada por estas fontes de inteligência diverge de declarações públicas anteriores do presidente Donald Trump e levanta sérias questões sobre a verdadeira eficácia e o impacto duradouro da campanha de bombardeios realizada contra a capacidade bélica iraniana.

O desafio dos túneis e a incerteza do arsenal iraniano

O destino de aproximadamente outro terço do arsenal de mísseis do Irã permanece envolto em uma incerteza considerável. Quatro das fontes consultadas pela Reuters, que optaram por manter o anonimato devido à sensibilidade das informações, indicam que os bombardeios estadunidenses e israelenses provavelmente causaram danos, destruíram ou, de alguma forma, soterraram esses mísseis em complexas redes de túneis subterrâneos e bunkers fortificados. Esta peculiaridade da infraestrutura iraniana representa um obstáculo significativo para uma avaliação precisa. A análise detalhada da inteligência aponta que, apesar de uma parcela considerável dos mísseis iranianos ter sido efetivamente destruída ou se tornar inacessível, Teerã ainda detém um inventário substancial de armamentos. A possibilidade de que mísseis soterrados ou danificados possam ser recuperados e reativados após o fim dos combates adiciona uma camada de complexidade à avaliação de longo prazo da capacidade militar do país. Complementarmente, uma das fontes ressaltou que a situação da inteligência referente aos mísseis era espelhada na capacidade de drones do Irã, onde também havia um grau semelhante de certeza sobre a destruição de apenas um terço desses ativos.

A divergência entre as declarações do presidente Trump e a inteligência

A avaliação da inteligência americana contrasta diretamente com as declarações públicas proferidas pelo presidente Donald Trump. Em manifestação anterior, na quinta-feira, o presidente havia afirmado que o Irã possuía “muito poucos foguetes restantes”, sugerindo um grau de sucesso muito maior na degradação das capacidades iranianas. Contudo, em uma aparente ressalva, Trump também pareceu reconhecer a grave ameaça que os mísseis e drones iranianos remanescentes representam para futuras operações americanas, especialmente aquelas focadas na salvaguarda do estratégico Estreito de Ormuz. Ele enfatizou a intolerância a qualquer risco residual, afirmando: “O problema com os estreitos é este: digamos que fazemos um ótimo trabalho. Dizemos que destruímos 99% dos mísseis deles. 1% é inaceitável, porque 1% é um míssil acertando o casco de um navio que custa um bilhão de dólares.” Esta declaração ilustra a complexidade da guerra moderna, onde a destruição quase total de um arsenal ainda pode deixar um poder adversário com capacidade de infligir danos desproporcionais a ativos de alto valor. Diante da solicitação de comentários da Reuters sobre essas informações, tanto o Pentágono quanto a Casa Branca optaram por não responder de imediato.

A persistência das capacidades operacionais iranianas

Os dados da inteligência ganham um peso ainda maior quando confrontados com evidências concretas que demonstram a capacidade operacional persistente do Irã. Apenas na quinta-feira, Teerã lançou um ataque significativo, disparando 15 mísseis balísticos e 11 drones contra os Emirados Árabes Unidos, conforme confirmado pelo Ministério da Defesa dos EAU. Adicionalmente, o Irã exibiu uma expansão notável de suas capacidades na semana anterior, ao realizar, pela primeira vez, o disparo de mísseis de longo alcance que atingiram a base militar americana e britânica de Diego Garcia, localizada no Oceano Índico. Estes eventos reforçam a percepção de uma resiliência iraniana inesperada. Em contraste com estas ações, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou ter atingido mais de 10.000 alvos militares iranianos e afundado 92% dos grandes navios de sua marinha. No entanto, o CENTCOM consistentemente se recusou a fornecer uma declaração precisa sobre a porcentagem de mísseis ou drones iranianos que foram efetivamente destruídos, alimentando a incerteza sobre a extensão real da degradação das capacidades aéreas e balísticas. Nicole Grajewski, uma especialista renomada nas forças de mísseis do Irã e no Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) da Sciences Po, em Paris, sugeriu que o governo Trump pode ter superestimado o nível de degradação das capacidades iranianas. Ela citou a capacidade do Irã de manter ataques a partir da instalação militar de Bid Kaneh, mesmo após bombardeios intensivos. “O fato de terem conseguido sustentar isso, penso eu, indica que os EUA exageraram o sucesso de sua operação”, afirmou Grajewski, estimando que o Irã ainda retém cerca de 30% de suas capacidades de mísseis. A especialista destacou que o Irã possui mais de uma dúzia de grandes instalações subterrâneas projetadas para abrigar lançadores e mísseis, levantando a questão crítica: “Essas instalações desmoronaram?”.

A incerteza quanto à real capacidade iraniana é reconhecida internamente por altos funcionários americanos. Um deles expressou ceticismo sobre a capacidade dos EUA de avaliar com precisão as capacidades de mísseis do Irã, em grande parte devido à falta de clareza sobre a quantidade de armamentos subterrâneos e sua acessibilidade. “Não sei se algum dia teremos um número preciso”, declarou o oficial. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, por sua vez, reconheceu o complexo desafio imposto pela estratégia de tunelamento iraniana. “O Irã é um país vasto. E assim como o Hamas e seus túneis em Gaza, eles despejaram qualquer ajuda, qualquer desenvolvimento econômico, ajuda humanitária, em túneis e foguetes. Mas estamos os caçando metodicamente, implacavelmente e de forma avassaladora, como nenhum outro exército no mundo consegue fazer”, afirmou Hegseth, reforçando a determinação americana. O congressista democrata Seth Moulton, um respeitado veterano dos Marines com quatro missões no Iraque, contestou diretamente as alegações de Trump sobre o impacto da guerra no arsenal iraniano. Ele expressou a visão de que “se o Irã for esperto, manteve alguma de sua capacidade — não está usando tudo o que tem. E está de tocaia”, sugerindo uma estratégia de retenção de capacidades para um momento futuro, o que adiciona uma dimensão estratégica complexa à avaliação da inteligência.

A análise da inteligência sobre o arsenal de mísseis do Irã revela uma paisagem complexa e incerta, onde a retórica política e os dados operacionais divergem. Para aprofundar seu entendimento sobre este e outros conflitos estratégicos globais, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e mantenha-se atualizado com a cobertura mais aprofundada e análises especializadas em defesa e geopolítica.

Share this content on your social networks:

Translate your content for a better experience:

Washington, 27 de março de 2026 — Em um desenvolvimento crucial para a análise do conflito no Oriente Médio, os Estados Unidos expressam com clareza que só podem determinar com absoluta certeza a destruição de aproximadamente um terço do extenso arsenal de mísseis pertencente ao Irã. Esta revelação, obtida com exclusividade pela Reuters e fundamentada em cinco fontes com acesso direto à inteligência americana, surge no momento em que a campanha militar conjunta de EUA e Israel contra o Irã se aproxima da marca de um mês. A avaliação apresentada por estas fontes de inteligência diverge de declarações públicas anteriores do presidente Donald Trump e levanta sérias questões sobre a verdadeira eficácia e o impacto duradouro da campanha de bombardeios realizada contra a capacidade bélica iraniana.

O desafio dos túneis e a incerteza do arsenal iraniano

O destino de aproximadamente outro terço do arsenal de mísseis do Irã permanece envolto em uma incerteza considerável. Quatro das fontes consultadas pela Reuters, que optaram por manter o anonimato devido à sensibilidade das informações, indicam que os bombardeios estadunidenses e israelenses provavelmente causaram danos, destruíram ou, de alguma forma, soterraram esses mísseis em complexas redes de túneis subterrâneos e bunkers fortificados. Esta peculiaridade da infraestrutura iraniana representa um obstáculo significativo para uma avaliação precisa. A análise detalhada da inteligência aponta que, apesar de uma parcela considerável dos mísseis iranianos ter sido efetivamente destruída ou se tornar inacessível, Teerã ainda detém um inventário substancial de armamentos. A possibilidade de que mísseis soterrados ou danificados possam ser recuperados e reativados após o fim dos combates adiciona uma camada de complexidade à avaliação de longo prazo da capacidade militar do país. Complementarmente, uma das fontes ressaltou que a situação da inteligência referente aos mísseis era espelhada na capacidade de drones do Irã, onde também havia um grau semelhante de certeza sobre a destruição de apenas um terço desses ativos.

A divergência entre as declarações do presidente Trump e a inteligência

A avaliação da inteligência americana contrasta diretamente com as declarações públicas proferidas pelo presidente Donald Trump. Em manifestação anterior, na quinta-feira, o presidente havia afirmado que o Irã possuía “muito poucos foguetes restantes”, sugerindo um grau de sucesso muito maior na degradação das capacidades iranianas. Contudo, em uma aparente ressalva, Trump também pareceu reconhecer a grave ameaça que os mísseis e drones iranianos remanescentes representam para futuras operações americanas, especialmente aquelas focadas na salvaguarda do estratégico Estreito de Ormuz. Ele enfatizou a intolerância a qualquer risco residual, afirmando: “O problema com os estreitos é este: digamos que fazemos um ótimo trabalho. Dizemos que destruímos 99% dos mísseis deles. 1% é inaceitável, porque 1% é um míssil acertando o casco de um navio que custa um bilhão de dólares.” Esta declaração ilustra a complexidade da guerra moderna, onde a destruição quase total de um arsenal ainda pode deixar um poder adversário com capacidade de infligir danos desproporcionais a ativos de alto valor. Diante da solicitação de comentários da Reuters sobre essas informações, tanto o Pentágono quanto a Casa Branca optaram por não responder de imediato.

A persistência das capacidades operacionais iranianas

Os dados da inteligência ganham um peso ainda maior quando confrontados com evidências concretas que demonstram a capacidade operacional persistente do Irã. Apenas na quinta-feira, Teerã lançou um ataque significativo, disparando 15 mísseis balísticos e 11 drones contra os Emirados Árabes Unidos, conforme confirmado pelo Ministério da Defesa dos EAU. Adicionalmente, o Irã exibiu uma expansão notável de suas capacidades na semana anterior, ao realizar, pela primeira vez, o disparo de mísseis de longo alcance que atingiram a base militar americana e britânica de Diego Garcia, localizada no Oceano Índico. Estes eventos reforçam a percepção de uma resiliência iraniana inesperada. Em contraste com estas ações, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou ter atingido mais de 10.000 alvos militares iranianos e afundado 92% dos grandes navios de sua marinha. No entanto, o CENTCOM consistentemente se recusou a fornecer uma declaração precisa sobre a porcentagem de mísseis ou drones iranianos que foram efetivamente destruídos, alimentando a incerteza sobre a extensão real da degradação das capacidades aéreas e balísticas. Nicole Grajewski, uma especialista renomada nas forças de mísseis do Irã e no Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) da Sciences Po, em Paris, sugeriu que o governo Trump pode ter superestimado o nível de degradação das capacidades iranianas. Ela citou a capacidade do Irã de manter ataques a partir da instalação militar de Bid Kaneh, mesmo após bombardeios intensivos. “O fato de terem conseguido sustentar isso, penso eu, indica que os EUA exageraram o sucesso de sua operação”, afirmou Grajewski, estimando que o Irã ainda retém cerca de 30% de suas capacidades de mísseis. A especialista destacou que o Irã possui mais de uma dúzia de grandes instalações subterrâneas projetadas para abrigar lançadores e mísseis, levantando a questão crítica: “Essas instalações desmoronaram?”.

A incerteza quanto à real capacidade iraniana é reconhecida internamente por altos funcionários americanos. Um deles expressou ceticismo sobre a capacidade dos EUA de avaliar com precisão as capacidades de mísseis do Irã, em grande parte devido à falta de clareza sobre a quantidade de armamentos subterrâneos e sua acessibilidade. “Não sei se algum dia teremos um número preciso”, declarou o oficial. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, por sua vez, reconheceu o complexo desafio imposto pela estratégia de tunelamento iraniana. “O Irã é um país vasto. E assim como o Hamas e seus túneis em Gaza, eles despejaram qualquer ajuda, qualquer desenvolvimento econômico, ajuda humanitária, em túneis e foguetes. Mas estamos os caçando metodicamente, implacavelmente e de forma avassaladora, como nenhum outro exército no mundo consegue fazer”, afirmou Hegseth, reforçando a determinação americana. O congressista democrata Seth Moulton, um respeitado veterano dos Marines com quatro missões no Iraque, contestou diretamente as alegações de Trump sobre o impacto da guerra no arsenal iraniano. Ele expressou a visão de que “se o Irã for esperto, manteve alguma de sua capacidade — não está usando tudo o que tem. E está de tocaia”, sugerindo uma estratégia de retenção de capacidades para um momento futuro, o que adiciona uma dimensão estratégica complexa à avaliação da inteligência.

A análise da inteligência sobre o arsenal de mísseis do Irã revela uma paisagem complexa e incerta, onde a retórica política e os dados operacionais divergem. Para aprofundar seu entendimento sobre este e outros conflitos estratégicos globais, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e mantenha-se atualizado com a cobertura mais aprofundada e análises especializadas em defesa e geopolítica.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

últimas notícias

PARCERIA