Especialistas preocupam-se com quid pro quo nuclear na aliança Rússia-Coreia do Norte contra a Ucrânia

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Especialistas preocupam-se com quid pro quo nuclear na aliança Rússia-Coreia do Norte contra a Ucrânia

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Berlim — A crescente dependência da Rússia em relação ao apoio militar da Coreia do Norte na linha de frente da guerra na Ucrânia está levantando sérias preocupações entre analistas de defesa. Especialistas no campo da segurança internacional temem que Moscou possa estar disposta a retribuir o favor de Pyongyang com informações altamente sensíveis, especificamente no que tange à tecnologia de submarinos nucleares. Essa troca, descrita por Peter Roberts, associado do Centro de Compreensão Pública de Defesa e Segurança da Universidade de Exeter, como a partilha das “joias da coroa do conhecimento militar”, poderia ocorrer caso a Rússia esgote outras moedas de troca pelo apoio crucial de Kim Jong Un.

Aprofundamento da cooperação militar e as preocupações com a tecnologia nuclear

A intervenção norte-coreana tornou-se fundamental para os esforços de guerra do Kremlin. Dados da inteligência sul-coreana indicam que a Coreia do Norte sofreu aproximadamente 6.000 baixas lutando ao lado das forças russas. Além do capital humano, Pyongyang tem sido um fornecedor essencial de suprimentos bélicos, incluindo milhões de projéteis de artilharia, mísseis balísticos e uma variedade de veículos e equipamentos militares, aliviando a pressão sobre as cadeias de suprimentos russas.

Roberts, que depôs perante o Parlamento do Reino Unido em uma audiência de 10 de fevereiro sobre atividades submarinas, destacou a escalada nas ofertas russas. Ele explicou aos legisladores britânicos que a Rússia anteriormente trocava tecnologia e conhecimento de mísseis balísticos por armas e soldados norte-coreanos. Contudo, essa via de troca parece ter-se exaurido. Agora, a preocupação reside na potencial “transferência e oferta de experiência em submarinos para estados como a Coreia do Norte e o Irã em troca de capacidades-chave, seja a fabricação em massa de drones ou o envio de engenheiros para a linha de frente na Ucrânia”. Tal movimento representaria uma mudança significativa na natureza dos laços militares entre os dois países e poderia sinalizar um nível de desespero crescente entre as elites políticas russas.

As “joias da coroa” do conhecimento militar

A transferência de conhecimento operacional sobre submarinos nucleares é historicamente uma das informações mais sensíveis e bem guardadas no âmbito militar. Conforme Roberts, “anteriormente, o conhecimento operacional de submarinos nucleares era algo que nunca se partilhava. Era mantido dentro de um grupo estritamente confinado de pessoas. Estas eram as joias da coroa do conhecimento militar”. A quebra dessa doutrina representaria um precedente perigoso e uma flexibilização das normas de não proliferação.

Programa submarino nuclear da Coreia do Norte

Em 25 de dezembro de 2025 (sic), a mídia estatal norte-coreana divulgou imagens de Kim Jong Un inspecionando um “submarino estratégico de mísseis guiados movido a energia nuclear de 8.700 toneladas” no estaleiro de Sinpo. Essa foi a visão mais detalhada até então de um programa que Kim prioriza desde pelo menos 2021. Analistas baseados em Seul observaram que o exterior totalmente montado do submarino sugere que a instalação do reator provavelmente foi concluída, com um ex-oficial de submarinos sul-coreano estimando que a embarcação poderia estar pronta para testes de mar em questão de meses. John Ford, associado de pesquisa do James Martin Center for Nonproliferation Studies, com sede na Califórnia, confirmou que Pyongyang tem perseguido esses objetivos “definitivamente há algum tempo” para desenvolver um componente submarino em sua dissuasão nuclear.

A “tríade precária” (jank triad) e os desafios técnicos

Em uma entrevista à Defense News, Ford descreveu o esforço de Pyongyang como a construção de uma “tríade precária” (jank triad). Embora longe de ser avançada, essa capacidade seria suficiente para fazer qualquer inimigo pensar duas vezes antes de atacar um país com uma capacidade de segundo ataque nuclear que pode funcionar “bem o suficiente”. No jargão da dissuasão nuclear, uma nação completa sua tríade quando pode lançar armas nucleares de terra, ar e mar. A Coreia do Norte já surpreendeu observadores em várias ocasiões ao atingir objetivos tecnológicos complexos por conta própria que analistas pensavam que levariam muitos anos para serem dominados, como produzir uma bomba nuclear, miniaturizá-la, colocá-la em um míssil e progredir em direção a um veículo de reentrada funcional.

No entanto, a complexidade de um submarino nuclear é significativamente maior. “Para submarinos, há muito que pode dar errado”, afirmou Ford. “Basicamente, você está pegando todo esse material anterior e amplificando-o – agora ele precisa estar debaixo d’água.” A operação subaquática exige um conjunto de habilidades altamente especializadas que a Coreia do Norte, segundo Ford, “simplesmente não possui”. Ele expressa ceticismo de que, mesmo que submarinistas da marinha russa estivessem a bordo para treinamento, o processo seria extremamente longo e improvável de acontecer devido à sensibilidade envolvida.

Indícios de apoio e o ceticismo sobre a transferência de segredos

Apesar do ceticismo, há sinais de que a liderança norte-coreana está obtendo uma parcela justa de benefícios em troca de seu apoio aos esforços de guerra de Putin. Especialistas russos têm realizado viagens repetidas à República Popular Democrática da Coreia (RPDC), embora, devido ao sigilo inerente a ambos os países, poucos detalhes sejam conhecidos sobre a natureza exata de suas atividades no local.

Em setembro de 2025 (sic), as forças armadas da Coreia do Sul afirmaram ter obtido informações de inteligência sugerindo que a Rússia forneceu à Coreia do Norte dois a três módulos de propulsão de submarinos nucleares — supostamente recuperados de submarinos russos desativados — incluindo um reator, uma turbina e um sistema de resfriamento. Seul declarou na época que estava trabalhando para verificar a veracidade dessa informação.

Contudo, John Ford permanece “muito cético” de que a Rússia tenha entregado os elementos mais sensíveis de sua expertise em submarinos. “Projetos de armas nucleares: impossível”, disse Ford, categórico. “Propulsão? Mais possível, mas ainda assim muito improvável.” Ele enfatiza que os países, via de regra, não trocam seu conhecimento militar mais confidencial. A Rússia, em particular, teria razões adicionais para cautela: informações transferidas para a Coreia do Norte poderiam vazar para Seul por meio de redes de inteligência humana, o que significaria que Moscou estaria, efetivamente, dando à Coreia do Sul uma janela para os seus próprios projetos de reatores. E mesmo que a Rússia considerasse tal troca, os riscos estratégicos e de segurança seriam imensos.

A complexidade e a natureza sigilosa das interações entre Rússia e Coreia do Norte exigem uma análise contínua e aprofundada. Para acompanhar as últimas análises sobre geopolítica, defesa e segurança internacional, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e mantenha-se informado com conteúdo de ponta.

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Berlim — A crescente dependência da Rússia em relação ao apoio militar da Coreia do Norte na linha de frente da guerra na Ucrânia está levantando sérias preocupações entre analistas de defesa. Especialistas no campo da segurança internacional temem que Moscou possa estar disposta a retribuir o favor de Pyongyang com informações altamente sensíveis, especificamente no que tange à tecnologia de submarinos nucleares. Essa troca, descrita por Peter Roberts, associado do Centro de Compreensão Pública de Defesa e Segurança da Universidade de Exeter, como a partilha das “joias da coroa do conhecimento militar”, poderia ocorrer caso a Rússia esgote outras moedas de troca pelo apoio crucial de Kim Jong Un.

Aprofundamento da cooperação militar e as preocupações com a tecnologia nuclear

A intervenção norte-coreana tornou-se fundamental para os esforços de guerra do Kremlin. Dados da inteligência sul-coreana indicam que a Coreia do Norte sofreu aproximadamente 6.000 baixas lutando ao lado das forças russas. Além do capital humano, Pyongyang tem sido um fornecedor essencial de suprimentos bélicos, incluindo milhões de projéteis de artilharia, mísseis balísticos e uma variedade de veículos e equipamentos militares, aliviando a pressão sobre as cadeias de suprimentos russas.

Roberts, que depôs perante o Parlamento do Reino Unido em uma audiência de 10 de fevereiro sobre atividades submarinas, destacou a escalada nas ofertas russas. Ele explicou aos legisladores britânicos que a Rússia anteriormente trocava tecnologia e conhecimento de mísseis balísticos por armas e soldados norte-coreanos. Contudo, essa via de troca parece ter-se exaurido. Agora, a preocupação reside na potencial “transferência e oferta de experiência em submarinos para estados como a Coreia do Norte e o Irã em troca de capacidades-chave, seja a fabricação em massa de drones ou o envio de engenheiros para a linha de frente na Ucrânia”. Tal movimento representaria uma mudança significativa na natureza dos laços militares entre os dois países e poderia sinalizar um nível de desespero crescente entre as elites políticas russas.

As “joias da coroa” do conhecimento militar

A transferência de conhecimento operacional sobre submarinos nucleares é historicamente uma das informações mais sensíveis e bem guardadas no âmbito militar. Conforme Roberts, “anteriormente, o conhecimento operacional de submarinos nucleares era algo que nunca se partilhava. Era mantido dentro de um grupo estritamente confinado de pessoas. Estas eram as joias da coroa do conhecimento militar”. A quebra dessa doutrina representaria um precedente perigoso e uma flexibilização das normas de não proliferação.

Programa submarino nuclear da Coreia do Norte

Em 25 de dezembro de 2025 (sic), a mídia estatal norte-coreana divulgou imagens de Kim Jong Un inspecionando um “submarino estratégico de mísseis guiados movido a energia nuclear de 8.700 toneladas” no estaleiro de Sinpo. Essa foi a visão mais detalhada até então de um programa que Kim prioriza desde pelo menos 2021. Analistas baseados em Seul observaram que o exterior totalmente montado do submarino sugere que a instalação do reator provavelmente foi concluída, com um ex-oficial de submarinos sul-coreano estimando que a embarcação poderia estar pronta para testes de mar em questão de meses. John Ford, associado de pesquisa do James Martin Center for Nonproliferation Studies, com sede na Califórnia, confirmou que Pyongyang tem perseguido esses objetivos “definitivamente há algum tempo” para desenvolver um componente submarino em sua dissuasão nuclear.

A “tríade precária” (jank triad) e os desafios técnicos

Em uma entrevista à Defense News, Ford descreveu o esforço de Pyongyang como a construção de uma “tríade precária” (jank triad). Embora longe de ser avançada, essa capacidade seria suficiente para fazer qualquer inimigo pensar duas vezes antes de atacar um país com uma capacidade de segundo ataque nuclear que pode funcionar “bem o suficiente”. No jargão da dissuasão nuclear, uma nação completa sua tríade quando pode lançar armas nucleares de terra, ar e mar. A Coreia do Norte já surpreendeu observadores em várias ocasiões ao atingir objetivos tecnológicos complexos por conta própria que analistas pensavam que levariam muitos anos para serem dominados, como produzir uma bomba nuclear, miniaturizá-la, colocá-la em um míssil e progredir em direção a um veículo de reentrada funcional.

No entanto, a complexidade de um submarino nuclear é significativamente maior. “Para submarinos, há muito que pode dar errado”, afirmou Ford. “Basicamente, você está pegando todo esse material anterior e amplificando-o – agora ele precisa estar debaixo d’água.” A operação subaquática exige um conjunto de habilidades altamente especializadas que a Coreia do Norte, segundo Ford, “simplesmente não possui”. Ele expressa ceticismo de que, mesmo que submarinistas da marinha russa estivessem a bordo para treinamento, o processo seria extremamente longo e improvável de acontecer devido à sensibilidade envolvida.

Indícios de apoio e o ceticismo sobre a transferência de segredos

Apesar do ceticismo, há sinais de que a liderança norte-coreana está obtendo uma parcela justa de benefícios em troca de seu apoio aos esforços de guerra de Putin. Especialistas russos têm realizado viagens repetidas à República Popular Democrática da Coreia (RPDC), embora, devido ao sigilo inerente a ambos os países, poucos detalhes sejam conhecidos sobre a natureza exata de suas atividades no local.

Em setembro de 2025 (sic), as forças armadas da Coreia do Sul afirmaram ter obtido informações de inteligência sugerindo que a Rússia forneceu à Coreia do Norte dois a três módulos de propulsão de submarinos nucleares — supostamente recuperados de submarinos russos desativados — incluindo um reator, uma turbina e um sistema de resfriamento. Seul declarou na época que estava trabalhando para verificar a veracidade dessa informação.

Contudo, John Ford permanece “muito cético” de que a Rússia tenha entregado os elementos mais sensíveis de sua expertise em submarinos. “Projetos de armas nucleares: impossível”, disse Ford, categórico. “Propulsão? Mais possível, mas ainda assim muito improvável.” Ele enfatiza que os países, via de regra, não trocam seu conhecimento militar mais confidencial. A Rússia, em particular, teria razões adicionais para cautela: informações transferidas para a Coreia do Norte poderiam vazar para Seul por meio de redes de inteligência humana, o que significaria que Moscou estaria, efetivamente, dando à Coreia do Sul uma janela para os seus próprios projetos de reatores. E mesmo que a Rússia considerasse tal troca, os riscos estratégicos e de segurança seriam imensos.

A complexidade e a natureza sigilosa das interações entre Rússia e Coreia do Norte exigem uma análise contínua e aprofundada. Para acompanhar as últimas análises sobre geopolítica, defesa e segurança internacional, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e mantenha-se informado com conteúdo de ponta.

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