
A manhã de 29 de novembro marcou mais um capítulo na tradição centenária da formação militar no Brasil. Na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ), 365 cadetes da Turma Dom Pedro II — 357 brasileiros e 8 estrangeiros — receberam a tão aguardada Espada de Oficial, rito que simboliza a conclusão do ciclo de cinco anos de preparo dos futuros líderes combatentes do Exército Brasileiro.
Reunidos diante de familiares, autoridades e da própria história militar, os novos aspirantes encerram uma trajetória iniciada em 2021, na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), e passam a integrar o oficialato com o compromisso de atuar nas mais diversas organizações militares do País.
A cerimônia foi presidida pelo Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro Filho, e contou com a presença do Comandante do Exército, General de Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, do Comandante da Força Aérea Brasileira, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, além de oficiais-generais da ativa e veteranos, representantes dos três Poderes, integrantes das Forças Armadas e delegações de países amigos.
A entrega das espadas reafirma o propósito da AMAN: formar líderes capazes de enfrentar os desafios contemporâneos com profissionalismo, coragem e fidelidade aos valores que estruturam a instituição. Para os novos aspirantes, o futuro já começou — e a missão, como sempre, é servir ao Brasil.

Entre símbolos e tradições: o rito de passagem do combatente
A solenidade preservou a liturgia que distingue a formação na AMAN. O evento teve início com a restituição dos Espadins, peça simbólica recebida ainda no primeiro ano e utilizada com o uniforme histórico “Azulão”. Trajando-o pela última vez, os cadetes despediram-se de um ciclo marcado por ritos que moldam identidade, disciplina e espírito militar.
Na transição para a vida profissional, já envergando a túnica cinza, os formandos receberam das madrinhas e padrinhos a Espada de Oficial — marco supremo de autoridade, responsabilidade e liderança. O ápice da cerimônia ocorreu na passagem pelo Portão Monumental da AMAN, gesto carregado de simbolismo: deixa-se a condição de cadete e inicia-se, de forma oficial, a trajetória como aspirante a oficial do Exército Brasileiro.
Formação integral: cinco anos que forjam valores e liderança
O cadete que chega ao momento da entrega da Espada percorre um caminho singular dentro das Forças Armadas. Os cinco anos entre EsPCEx e AMAN são dedicados à formação acadêmica, militar e ética, estruturada em valores permanentes como verdade, lealdade, probidade e responsabilidade.
Ao longo desse período, o jovem militar internaliza o Código de Honra, cultiva o espírito de corpo e vivencia tradições que reforçam a identidade do combatente terrestre. Cada uniforme, símbolo e ritual integra uma cultura institucional que transcende gerações e sustenta a coesão da Força.

Famílias: o alicerce silencioso do cadete
Se a trajetória é marcada por desafios, a presença da família é o suporte que acompanha cada etapa. Na cerimônia de formatura, pais, mães e demais familiares traduziram em lágrimas, abraços e expressões de alívio a somatória de sacrifícios, distâncias e renúncias vividas ao longo dos cinco anos de formação. Em cada rosto, a certeza do dever cumprido e a projeção de um futuro construído sobre bases sólidas.
Durante seu discurso, o Ministro da Defesa destacou que 60% dos oficiais formados eram oriundos de famílias civis e 40% de famílias militares onde, destes, 80% eram filhos de praças.
Com a nova patente, os aspirantes serão distribuídos por mais de 200 organizações militares em todo o território nacional, onde iniciarão suas funções como comandantes de pelotão e oficiais subalternos. Já os oito cadetes estrangeiros — oriundos da Bolívia, Camarões, Paraguai, Senegal e Vietnã — retornam a seus países para aplicar o conhecimento adquirido no Brasil e fortalecer a cooperação militar internacional.











