O Comando Militar do Leste (CML) realizou, em 18 de maio de 2026, no Parque Equestre General Eloy Menezes, localizado na Guarnição da Vila Militar (RJ), a solenidade alusiva ao dia da Arma de Cavalaria. A cerimônia foi presidida pelo General de Exército Pedro Celso Coelho Montenegro, Comandante do CML, e contou com a presença do General de Exército Ricardo José Nigri, Chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx); do General de Divisão Fabiano Lima de Carvalho, Comandante da 1ª Divisão de Exército (1ª DE), Divisão Mascarenhas de Moraes, além de Oficiais Generais, comandantes de Organizações Militares de Cavalaria do CML e autoridades civis.
Realizada na maior guarnição militar da América Latina, a celebração contou com demonstrações operacionais e apresentações hipomóveis realizadas pelas principais unidades de Cavalaria da Guarnição do Rio de Janeiro: o 2º Regimento de Cavalaria de Guarda, o 15º Regimento de Cavalaria Mecanizado, a Escola de Equitação do Exército e o 1º Esquadrão de Cavalaria Paraquedista.

Osório: o legado do patrono que moldou a identidade histórica e operacional da Cavalaria Brasileira
O Dia da Cavalaria é celebrado pelo Exército Brasileiro em referência ao nascimento do Marechal Osório, ocorrido em 10 de maio de 1808, na então Vila de Nossa Senhora da Conceição do Arroio, atual município de Osório, no Rio Grande do Sul. Considerado patrono da Arma de Cavalaria brasileira e uma das principais lideranças militares do período imperial, Osório personifica os atributos que definem a identidade cavalariana: coragem, espírito de corpo, mobilidade e iniciativa tática.
Incorporado ao Exército aos quinze anos, no Regimento de Cavalaria da Legião de Tropas Ligeiras de São Paulo, Osório teve seu batismo de fogo às margens do Arroio Miguelete, nas proximidades de Montevidéu, em combate contra a cavalaria portuguesa nas lutas pela consolidação da independência brasileira na Cisplatina. Ao longo de sua carreira, percorreu todos os postos da hierarquia militar, distinguindo-se nas Campanhas da Cisplatina (1825-1827), na Batalha de Monte Caseros (1852) e, de forma determinante, na Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), onde liderou o 1º Corpo de Exército em batalhas decisivas como Tuiuti — a maior batalha campal travada em solo sul-americano — e Avaí, na qual recusou ser evacuado mesmo após receber grave ferimento no rosto, aguardando a consolidação da vitória brasileira para deixar o campo. Suas ações renderam-lhe a alcunha de “O Legendário”, título que ecoa até hoje nas fileiras da Arma.

A cavalaria no CML: tradição e continuidade operacional
Historicamente vinculada ao emprego de tropas montadas, a Cavalaria brasileira passou por ampla transformação doutrinária e tecnológica ao longo do século XX, acompanhando os processos de mecanização e modernização das forças terrestres contemporâneas. Atualmente, a Arma reúne unidades blindadas, mecanizadas e de reconhecimento, mantendo como características operacionais centrais a elevada mobilidade tática, a capacidade de exploração e o combate de ação rápida.

O Comando Militare do Leste concentra organizações tradicionais da Cavalaria do Exército Brasileiro, incluindo unidades mecanizadas, escolas e tropas especializadas sediadas no Rio de Janeiro, região que historicamente abrigou parte significativa da estrutura militar estratégica do país. Em seu pronunciamento, o Gen Ex Nigri, reforçou o vínculo entre o Sistema de Educação e Cultura do Exército e a Arma de Cavalaria, um vínculo que se expressa tanto na preservação das tradições quanto na formação doutrinária dos quadros cavalarianos.
Mais do que uma cerimônia militar, a celebração do Dia da Cavalaria no Comando Militar do Leste, mais uma vez, reafirmou a permanência de uma das tradições mais emblemáticas do Exército Brasileiro. Herdeira do legado de Osório, a Cavalaria mantém vivos os atributos históricos de coragem, mobilidade, iniciativa e espírito ofensivo que, ao longo de diferentes períodos da história nacional, moldaram a identidade operacional da Força Terrestre. Entre a tradição hipomóvel e a moderna capacidade mecanizada, a Arma de Cavalaria segue representando a combinação entre memória, disciplina e prontidão operacional, características que continuam a projetar sua relevância estratégica no presente e no futuro do Exército Brasileiro.



































