Em uma decisão que marca o maior processo de aquisição de defesa na história do Canadá, o estaleiro alemão TKMS foi selecionado para construir doze novos submarinos para a Marinha Real Canadense, superando a proposta de uma empresa sul-coreana. O anúncio, feito pelo primeiro-ministro canadense Mark Carney em 6 de julho, confirma a escolha da TKMS como vencedora no projeto que visa modernizar a capacidade submarina do país. A empresa alemã ofereceu o submarino Tipo 212CD, uma plataforma avançada que já está em construção para as marinhas da Alemanha e da Noruega, indicando uma estratégia de padronização e cooperação entre aliados da OTAN.
A aquisição histórica e o impacto financeiro
Embora o primeiro-ministro Carney não tenha divulgado um valor exato para o contrato inicial de aquisição dos submarinos, ele enfatizou que este é o maior processo de compra de defesa já realizado pelo Canadá. Estima-se que o custo total do projeto possa atingir a significativa cifra de 70 bilhões de dólares americanos (equivalente a 100 bilhões de dólares canadenses). Essa estimativa abrange não apenas o valor das embarcações, mas também considera fatores de longo prazo essenciais para a operação de uma frota submarina, como a manutenção ao longo da vida útil dos submarinos, o desenvolvimento e adaptação de nova infraestrutura de apoio, a aquisição de armamentos e outros componentes operacionais e logísticos fundamentais para a capacidade de defesa.
As negociações formais com a TKMS estão programadas para começar em breve, com a expectativa de que o contrato final seja estabelecido até o final deste ano. Este cronograma demonstra a urgência e a prioridade que o governo canadense atribui a este programa. Os novos submarinos estão previstos para substituir a atual frota da Marinha Real Canadense, composta pelos submarinos da classe Victoria, que se aproximam do fim de sua vida útil operacional. Autoridades governamentais indicaram que o primeiro submarino deverá ser entregue em 2033, com a esperança de que mais três unidades sejam entregues em 2034, garantindo uma transição e modernização gradual da capacidade naval do Canadá.
A concorrência e a justificativa estratégica
A seleção da TKMS ocorreu após uma concorrência acirrada com a Hanwha Ocean, da Coreia do Sul, que havia apresentado seu submarino KSS-III como alternativa. O primeiro-ministro Carney descreveu a decisão como “difícil e equilibrada entre dois fornecedores altamente qualificados”, ressaltando que ambas as plataformas – tanto a da TKMS quanto a da Hanwha – demonstraram atender às elevadas exigências de capacidade operacional da Marinha Real Canadense. Além disso, ambas as empresas apresentaram propostas robustas que visavam maximizar os benefícios econômicos para trabalhadores e empresas canadenses, um fator crucial em grandes aquisições governamentais.
Ao justificar a escolha em Halifax, Nova Escócia, Carney afirmou que os novos submarinos irão “fortalecer a base industrial de defesa do Canadá, aprofundar as parcerias com aliados de confiança e abrir novas oportunidades para empresas canadenses nas cadeias de suprimentos europeias”. Ele reiterou que a decisão final foi guiada pela busca da “melhor plataforma e parceria absoluta para atender aos interesses estratégicos, de segurança e econômicos combinados do Canadá”. O anúncio foi estrategicamente realizado um dia antes do início da Cúpula da OTAN na Turquia, sublinhando a importância da aliança e da colaboração com parceiros europeus na estratégia de defesa canadense. Oliver Burkhard, CEO da TKMS, emitiu um comunicado expressando a prontidão da empresa em fornecer ao Canadá benefícios econômicos significativos e trabalhar em conjunto com o governo canadense, a indústria local e parceiros na Alemanha e Noruega para entregar uma capacidade submarina de classe mundial que fortalecerá a segurança e gerará oportunidades econômicas e benefícios duradouros para as futuras gerações.
Reações dos envolvidos e o futuro da estratégia canadense
Apesar da decisão favorável à TKMS, Glenn Copeland, CEO da Hanwha Canada, expressou decepção com o resultado, mas destacou que a competição serviu para demonstrar o potencial da Coreia do Sul na área de defesa. Copeland enfatizou que a equipe da Hanwha “demonstrou ao público e ao governo canadense que existe um potencial ilimitado a ser desbloqueado na base industrial de defesa sul-coreana e que a Hanwha e suas divisões de negócios continuarão a crescer independentemente da decisão de hoje”, reafirmando o compromisso da empresa em provar por que a Hanwha é a espinha dorsal da quarta maior nação exportadora de defesa do mundo.
A Hanwha havia empreendido um esforço considerável de relações públicas e promoção econômica para convencer o Canadá sobre o valor de suas embarcações. Essa campanha incluiu o envio de um de seus submarinos KSS-III da Marinha da República da Coreia para Victoria, Colúmbia Britânica, em maio, a fim de demonstrar suas capacidades de longo alcance e realizar operações conjuntas com a Marinha Real Canadense. Os sul-coreanos também promoveram a aquisição como uma oportunidade para o Canadá expandir suas relações na região da Ásia-Pacífico. No entanto, o primeiro-ministro Carney garantiu que a não-seleção da Hanwha não indica uma mudança no compromisso do Canadá com a área, afirmando: “Estamos muito comprometidos com a estratégia Indo-Pacífico. Há uma série de outras iniciativas que o Canadá e a Coreia estão buscando para construir nossa resiliência econômica e pegada de segurança.”
Stephen Fuhr, secretário de estado para aquisições de defesa, comentou em uma coletiva de imprensa em Victoria, em 6 de julho, que a competição pelos submarinos foi concluída em tempo recorde, levando menos de um ano para todo o processo. Fuhr observou que uma das principais críticas ao processo de aquisição de defesa do Canadá é sua extensão excessiva, e indicou sua intenção de agilizar futuras aquisições. A frota atual de submarinos da classe Victoria, operada pela Marinha Real Canadense, será desativada em meados da década de 2030, conforme notificado pelo governo canadense, tornando a aquisição de novas embarcações uma prioridade estratégica para manter a capacidade de defesa marítima do país.
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