A Ucrânia está remodelando o campo de batalha blindado. O Exército dos EUA tenta acompanhar.

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A Ucrânia está remodelando o campo de batalha blindado. O Exército dos EUA tenta acompanhar.

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A guerra em curso na Ucrânia tem catalisado uma profunda reavaliação das doutrinas de combate blindado em escala global. As lições emergentes do conflito demonstram uma clara redefinição do campo de batalha moderno, onde a ubiquidade da vigilância aérea e a capacidade de ataque de veículos aéreos não tripulados (VANTs) impõem desafios sem precedentes às formações tradicionais. Neste cenário de transformação, o Exército dos EUA está ativamente engajado em iniciativas para adaptar suas estratégias e capacitações, com um foco particular na integração de tecnologias de drones.

Em Fort Stewart, na Geórgia, o especialista Lathan Thomley personifica a linha de frente dessa mudança. Alistado no Exército para se tornar um batedor de cavalaria, ele agora dedica inúmeras horas ao treinamento em simuladores de laptop, preparando-se para pilotar drones sobre a vasta área de treinamento da base. Thomley é parte integrante da iniciativa `Transformation in Contact` (TIC) da 2ª Brigada Blindada de Combate (2ABCT), um programa inovador que posiciona jovens soldados no terreno como os principais experimentadores de novas capacidades de drones, influenciando diretamente a evolução da doutrina do Exército a partir de uma abordagem “de baixo para cima”.

A iniciativa Transformation in Contact (TIC): redefinindo a doutrina militar

A `Transformation in Contact` (TIC) representa uma mudança paradigmática no modelo de desenvolvimento e implementação de novas capacidades dentro do Exército dos EUA. Em brigadas blindadas, tradicionalmente estruturadas em torno de tanques e poder de fogo pesado, a abordagem do TIC reflete a urgência em reconsiderar como as formações se movimentam e sobrevivem em um campo de batalha saturado por vigilância aérea. Ao contrário do processo convencional, onde as novas tecnologias e doutrinas fluem de escolas formais e programas padronizados para as unidades operacionais, o TIC inverte essa lógica.

Sob o TIC, são os soldados no terreno que testam a tecnologia primeiramente, moldando ativamente seu uso antes mesmo que a doutrina oficial e os processos de aquisição sejam totalmente estabelecidos. Brigadas selecionadas recebem acesso a inovações emergentes, como drones, equipamentos de guerra eletrônica e novos dispositivos de comunicação. As alterações nas capacidades de drones dentro da brigada são informadas diretamente pelo feedback dos operadores, que impulsionam as decisões sobre como o equipamento é utilizado, em que quantidade é implementado e como os drones se integram em batalhas focadas em forças blindadas. Esse modelo de experimentação ágil e iterativa permite uma adaptação mais rápida às realidades de um ambiente operacional em constante mudança.

Inovação no treinamento de pilotos de drones

O treinamento de pilotos de drones dentro do TIC exemplifica essa abordagem inovadora. Os soldados selecionados internamente em Fort Stewart iniciam seu aprendizado em programas de simulação de computador de uso diário antes de progredir para voos reais. O especialista Thomley detalha o processo, mencionando o uso de um aplicativo de jogo chamado `Liftoff`, disponível comercialmente na plataforma `Steam`. “Nós realmente treinamos em computadores comuns – é um pequeno aplicativo de jogo chamado Liftoff – e você voa drones lá”, explicou Thomley, enquanto demonstrava as capacidades de um pequeno quadricóptero de reconhecimento. “A partir disso, você aprende como um drone se move e como precisa angulá-lo para fazê-lo ir de uma certa maneira.”

O `Liftoff` é um simulador de voo de drones comercial que permite aos usuários pilotar drones em `primeira pessoa` (FPV). Este modo oferece uma experiência imersiva, onde o soldado vê e guia o drone como se estivesse a bordo dele. Para aprimorar essa imersão, os soldados em Fort Stewart treinam utilizando óculos de realidade virtual, uma experiência que pode ser desorientadora e até mesmo induzir enjoo de movimento. Thomley descreve o desafio inicial: “Os controles são invertidos, então é muito confuso no começo.” Isso significa que, para fazer o drone subir, o operador precisa mover o controle para baixo, e vice-versa. Uma vez que o soldado domina o voo na simulação, ele pode praticar a pilotagem do equipamento real. Essa flexibilidade e o uso de ferramentas acessíveis marcam uma nítida distinção em relação aos métodos de treinamento mais rígidos e padronizados do Exército.

Lições da Ucrânia: a redefinição do campo de batalha moderno

A experimentação com drones e outras tecnologias no Exército dos EUA ocorre em um momento em que os líderes militares estudam intensamente como os drones alteraram drasticamente o campo de batalha no exterior, especialmente na Ucrânia. Lá, ambos os lados do conflito utilizam `veículos aéreos não tripulados` (UAVs) extensivamente para missões de reconhecimento, vigilância e ataque, mudando a dinâmica de como as forças terrestres operam. A capacidade desses dispositivos de fornecer consciência situacional em tempo real e de realizar ataques precisos e ágeis tem forçado uma reavaliação fundamental sobre a mobilidade, a dispersão e a proteção das unidades blindadas.

O Coronel Alexis Perez-Cruz, comandante da brigada, enfatiza a relevância do conflito ucraniano para o planejamento militar futuro: “Quando você fala em olhar para nossos adversários em todo o mundo, todos estão observando as batalhas lá na Ucrânia.” Perez-Cruz acrescenta que o Exército – e, em particular, a comunidade blindada – está em constante estudo do conflito para prever como as novas tecnologias transformarão as guerras futuras. A questão central é: “Como usamos nossa imaginação para olhar para o futuro e ser capazes de lutar da maneira que estamos vendo lá, e imaginar como seremos capazes de lutar em operações de combate em larga escala?” Essa perspectiva estratégica sublinha a necessidade de inovação contínua e de uma mentalidade adaptativa para enfrentar os desafios emergentes.

O novo perfil do batedor de cavalaria

Para soldados como Thomley, a mudança representa a aquisição de um novo conjunto de habilidades sobreposto à sua missão tradicional de cavalaria: identificar e compreender o campo de batalha antes do inimigo. No entanto, em vez de binóculos pressionados contra olhos cansados espiando de uma toca, essa visão estratégica agora provém cada vez mais de uma câmera montada em um drone, pairando a centenas de metros de altitude. Esta evolução não apenas aprimora a eficácia do reconhecimento, mas também aumenta a segurança dos soldados, permitindo-lhes coletar informações críticas de uma distância segura. A capacidade de um batedor operar um drone para mapear o terreno, identificar ameaças e monitorar movimentos inimigos torna-se um componente indispensável da inteligência tática, integrando a tecnologia avançada com as habilidades fundamentais de observação e análise.

Implicações futuras e a segunda iteração do TIC

Enquanto a instrução de drones ainda está em fase de evolução e não segue uma progressão padronizada do Exército como o treinamento de armas tradicionais, a iniciativa TIC oferece flexibilidade e oportunidades sem precedentes. Thomley, por exemplo, não frequentou uma escola formal de drones; ele se voluntariou para experimentar as novas capacidades da brigada quando a liderança apresentou a oportunidade. A 2ABCT, por sua vez, está envolvida na segunda iteração do TIC, que está agora direcionando seu foco para as `Brigadas de Combate Blindadas` (Armor Brigade Combat Teams) e os `ativos de nível de divisão`, aplicando as lições aprendidas diretamente da guerra da Rússia contra a Ucrânia. Essa expansão indica um compromisso mais amplo do Exército em integrar essas inovações em todos os níveis de comando e em todas as formações, garantindo que as futuras operações sejam conduzidas com o máximo de vantagem tecnológica e doutrinária.

A adaptação do Exército dos EUA às realidades do campo de batalha moderno, fortemente influenciada pelas lições da Ucrânia, é um testemunho da sua busca contínua por inovação e superioridade tática. A iniciativa `Transformation in Contact` e o treinamento pioneiro de soldados como o especialista Lathan Thomley são exemplos claros de como a imaginação e a experimentação na base podem moldar o futuro das operações militares em larga escala. Para se manter atualizado sobre as mais recentes análises em defesa, geopolítica e segurança, e acompanhar a evolução dessas estratégias críticas, siga a OP Magazine em nossas redes sociais.

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A guerra em curso na Ucrânia tem catalisado uma profunda reavaliação das doutrinas de combate blindado em escala global. As lições emergentes do conflito demonstram uma clara redefinição do campo de batalha moderno, onde a ubiquidade da vigilância aérea e a capacidade de ataque de veículos aéreos não tripulados (VANTs) impõem desafios sem precedentes às formações tradicionais. Neste cenário de transformação, o Exército dos EUA está ativamente engajado em iniciativas para adaptar suas estratégias e capacitações, com um foco particular na integração de tecnologias de drones.

Em Fort Stewart, na Geórgia, o especialista Lathan Thomley personifica a linha de frente dessa mudança. Alistado no Exército para se tornar um batedor de cavalaria, ele agora dedica inúmeras horas ao treinamento em simuladores de laptop, preparando-se para pilotar drones sobre a vasta área de treinamento da base. Thomley é parte integrante da iniciativa `Transformation in Contact` (TIC) da 2ª Brigada Blindada de Combate (2ABCT), um programa inovador que posiciona jovens soldados no terreno como os principais experimentadores de novas capacidades de drones, influenciando diretamente a evolução da doutrina do Exército a partir de uma abordagem “de baixo para cima”.

A iniciativa Transformation in Contact (TIC): redefinindo a doutrina militar

A `Transformation in Contact` (TIC) representa uma mudança paradigmática no modelo de desenvolvimento e implementação de novas capacidades dentro do Exército dos EUA. Em brigadas blindadas, tradicionalmente estruturadas em torno de tanques e poder de fogo pesado, a abordagem do TIC reflete a urgência em reconsiderar como as formações se movimentam e sobrevivem em um campo de batalha saturado por vigilância aérea. Ao contrário do processo convencional, onde as novas tecnologias e doutrinas fluem de escolas formais e programas padronizados para as unidades operacionais, o TIC inverte essa lógica.

Sob o TIC, são os soldados no terreno que testam a tecnologia primeiramente, moldando ativamente seu uso antes mesmo que a doutrina oficial e os processos de aquisição sejam totalmente estabelecidos. Brigadas selecionadas recebem acesso a inovações emergentes, como drones, equipamentos de guerra eletrônica e novos dispositivos de comunicação. As alterações nas capacidades de drones dentro da brigada são informadas diretamente pelo feedback dos operadores, que impulsionam as decisões sobre como o equipamento é utilizado, em que quantidade é implementado e como os drones se integram em batalhas focadas em forças blindadas. Esse modelo de experimentação ágil e iterativa permite uma adaptação mais rápida às realidades de um ambiente operacional em constante mudança.

Inovação no treinamento de pilotos de drones

O treinamento de pilotos de drones dentro do TIC exemplifica essa abordagem inovadora. Os soldados selecionados internamente em Fort Stewart iniciam seu aprendizado em programas de simulação de computador de uso diário antes de progredir para voos reais. O especialista Thomley detalha o processo, mencionando o uso de um aplicativo de jogo chamado `Liftoff`, disponível comercialmente na plataforma `Steam`. “Nós realmente treinamos em computadores comuns – é um pequeno aplicativo de jogo chamado Liftoff – e você voa drones lá”, explicou Thomley, enquanto demonstrava as capacidades de um pequeno quadricóptero de reconhecimento. “A partir disso, você aprende como um drone se move e como precisa angulá-lo para fazê-lo ir de uma certa maneira.”

O `Liftoff` é um simulador de voo de drones comercial que permite aos usuários pilotar drones em `primeira pessoa` (FPV). Este modo oferece uma experiência imersiva, onde o soldado vê e guia o drone como se estivesse a bordo dele. Para aprimorar essa imersão, os soldados em Fort Stewart treinam utilizando óculos de realidade virtual, uma experiência que pode ser desorientadora e até mesmo induzir enjoo de movimento. Thomley descreve o desafio inicial: “Os controles são invertidos, então é muito confuso no começo.” Isso significa que, para fazer o drone subir, o operador precisa mover o controle para baixo, e vice-versa. Uma vez que o soldado domina o voo na simulação, ele pode praticar a pilotagem do equipamento real. Essa flexibilidade e o uso de ferramentas acessíveis marcam uma nítida distinção em relação aos métodos de treinamento mais rígidos e padronizados do Exército.

Lições da Ucrânia: a redefinição do campo de batalha moderno

A experimentação com drones e outras tecnologias no Exército dos EUA ocorre em um momento em que os líderes militares estudam intensamente como os drones alteraram drasticamente o campo de batalha no exterior, especialmente na Ucrânia. Lá, ambos os lados do conflito utilizam `veículos aéreos não tripulados` (UAVs) extensivamente para missões de reconhecimento, vigilância e ataque, mudando a dinâmica de como as forças terrestres operam. A capacidade desses dispositivos de fornecer consciência situacional em tempo real e de realizar ataques precisos e ágeis tem forçado uma reavaliação fundamental sobre a mobilidade, a dispersão e a proteção das unidades blindadas.

O Coronel Alexis Perez-Cruz, comandante da brigada, enfatiza a relevância do conflito ucraniano para o planejamento militar futuro: “Quando você fala em olhar para nossos adversários em todo o mundo, todos estão observando as batalhas lá na Ucrânia.” Perez-Cruz acrescenta que o Exército – e, em particular, a comunidade blindada – está em constante estudo do conflito para prever como as novas tecnologias transformarão as guerras futuras. A questão central é: “Como usamos nossa imaginação para olhar para o futuro e ser capazes de lutar da maneira que estamos vendo lá, e imaginar como seremos capazes de lutar em operações de combate em larga escala?” Essa perspectiva estratégica sublinha a necessidade de inovação contínua e de uma mentalidade adaptativa para enfrentar os desafios emergentes.

O novo perfil do batedor de cavalaria

Para soldados como Thomley, a mudança representa a aquisição de um novo conjunto de habilidades sobreposto à sua missão tradicional de cavalaria: identificar e compreender o campo de batalha antes do inimigo. No entanto, em vez de binóculos pressionados contra olhos cansados espiando de uma toca, essa visão estratégica agora provém cada vez mais de uma câmera montada em um drone, pairando a centenas de metros de altitude. Esta evolução não apenas aprimora a eficácia do reconhecimento, mas também aumenta a segurança dos soldados, permitindo-lhes coletar informações críticas de uma distância segura. A capacidade de um batedor operar um drone para mapear o terreno, identificar ameaças e monitorar movimentos inimigos torna-se um componente indispensável da inteligência tática, integrando a tecnologia avançada com as habilidades fundamentais de observação e análise.

Implicações futuras e a segunda iteração do TIC

Enquanto a instrução de drones ainda está em fase de evolução e não segue uma progressão padronizada do Exército como o treinamento de armas tradicionais, a iniciativa TIC oferece flexibilidade e oportunidades sem precedentes. Thomley, por exemplo, não frequentou uma escola formal de drones; ele se voluntariou para experimentar as novas capacidades da brigada quando a liderança apresentou a oportunidade. A 2ABCT, por sua vez, está envolvida na segunda iteração do TIC, que está agora direcionando seu foco para as `Brigadas de Combate Blindadas` (Armor Brigade Combat Teams) e os `ativos de nível de divisão`, aplicando as lições aprendidas diretamente da guerra da Rússia contra a Ucrânia. Essa expansão indica um compromisso mais amplo do Exército em integrar essas inovações em todos os níveis de comando e em todas as formações, garantindo que as futuras operações sejam conduzidas com o máximo de vantagem tecnológica e doutrinária.

A adaptação do Exército dos EUA às realidades do campo de batalha moderno, fortemente influenciada pelas lições da Ucrânia, é um testemunho da sua busca contínua por inovação e superioridade tática. A iniciativa `Transformation in Contact` e o treinamento pioneiro de soldados como o especialista Lathan Thomley são exemplos claros de como a imaginação e a experimentação na base podem moldar o futuro das operações militares em larga escala. Para se manter atualizado sobre as mais recentes análises em defesa, geopolítica e segurança, e acompanhar a evolução dessas estratégias críticas, siga a OP Magazine em nossas redes sociais.

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