A dependência do GPS está tornando as tropas menos observadoras? Estudo de um ano busca respostas

|

A dependência do GPS está tornando as tropas menos observadoras? Estudo de um ano busca respostas

|

Comandantes militares frequentemente alertam suas tropas sobre a superdependência da tecnologia GPS, que pode levar a cenários desastrosos caso os sinais sejam bloqueados ou as redes falhem. Contudo, surge uma questão crucial: a delegação da navegação a sistemas computadorizados estaria também diminuindo as capacidades de observação e as habilidades de tomada de decisão dos militares? Esta é a principal indagação que um estudo vindouro da Universidade do Texas em Arlington se propõe a investigar, explorando as consequências cognitivas da crescente integração tecnológica nas operações de campo.

O estudo da Universidade do Texas em Arlington

Com um investimento de 200.000 dólares, financiado pelo Departamento de Defesa dos EUA através de um sub-subsídio, o estudo terá duração de um ano e utilizará simulações de realidade virtual. O objetivo é rastrear aspectos da observação e da capacidade de recordação em sujeitos, tanto na presença quanto na ausência de auxílios de navegação. Steven Weisberg e Hunter Ball, professores associados de psicologia na Universidade do Texas em Arlington e líderes da pesquisa, indicaram que as descobertas poderão ser cruciais para o design de interfaces de computador e, potencialmente, para a designação de pessoal em unidades militares, considerando o suporte tecnológico necessário e a resposta cerebral individual das tropas, visando otimizar a performance em diferentes contextos operacionais.

Impacto cognitivo e atribuição de funções

Hunter Ball destacou que fomentar um cenário de superdependência pode impedir que os indivíduos utilizem sua própria cognição em momentos críticos, quando a tecnologia falha ou está indisponível. A pesquisa visa, portanto, identificar características de design específicas que possam mitigar essa dependência, promovendo um uso mais equilibrado da tecnologia. Além disso, Ball aponta para a importância de identificar diferenças individuais de longo prazo. Ele exemplifica que um indivíduo com menor capacidade cognitiva pode depender mais intensamente de fontes de orientação externa, o que seria benéfico em condições ideais, mas crítico caso essa fonte falhe. Essa compreensão, segundo ele, permitiria aos comandantes fazer atribuições de funções mais eficazes, alinhando as capacidades cognitivas dos militares com as demandas tecnológicas de suas posições. Embora a classificação de tropas por desempenho cognitivo possa parecer uma medida distante, o desempenho na Bateria de Aptidão Vocacional das Forças Armadas (ASVAB) já serve como um critério para determinar a elegibilidade para certas funções antes mesmo do treinamento militar. Assim, a inclusão de um novo teste no processo de avaliação física e acadêmica para aferir a interação das tropas com auxílios tecnológicos e, a partir disso, obter insights para a atribuição de cargos, é considerada uma possibilidade plausível e estratégica para o futuro do recrutamento e alocação de pessoal.

Metodologia e aplicações futuras da realidade virtual

O estudo, que terá início em 1º de agosto, envolverá voluntários de graduação que navegarão por um ambiente virtual que simula uma pequena cidade. Para isso, utilizarão uma combinação de realidade virtual de desktop e de capacete. Steven Weisberg explicou que o ambiente servirá para avaliar a capacidade dos participantes de recordar rotas, edifícios e pontos de referência, tanto com suporte de navegação quanto após sua remoção intencional, um aspecto crucial para entender a autonomia cognitiva em ambientes desafiadores. Os pesquisadores coletarão dados comportamentais detalhados sobre a recordação de rotas e características ambientais, além de dados de rastreamento ocular, que permitirão entender precisamente o que os sujeitos estão observando e absorvendo durante as tarefas. Como benefício secundário, a pesquisa pretende demonstrar o valor da investigação comportamental conduzida em ambientes de realidade virtual, com implicações diretas para o emprego e aprimoramento de simuladores e auxílios de treinamento militar. Hunter Ball visualiza a aplicação desses achados em treinamentos mais aprofundados e em cenários reais para soldados, onde o uso de headsets virtuais pode simular a navegação em ambientes complexos. No entanto, Ball enfatiza a necessidade primordial de compreender os mecanismos cognitivos subjacentes a essas interações para que o treinamento seja verdadeiramente eficaz e seguro. O estudo será concluído no próximo ano, com um relatório completo dos achados previsto para o próximo verão. Os pesquisadores nutrem a esperança de garantir um novo financiamento (follow-on grant) para investigar a interação de equipes ao monitorar uma vasta gama de fontes de dados e telas, e aprofundar a análise dos dados de rastreamento ocular coletados para aprender sobre quais informações as tropas retêm e lembram com base em suas observações.

Para se manter atualizado sobre as últimas análises em defesa, geopolítica e segurança, e acompanhar o desenrolar desta e de outras pesquisas cruciais para o futuro das operações militares, siga a OP Magazine em todas as nossas redes sociais. Seu engajamento é fundamental para fortalecer o jornalismo especializado e aprofundado!

Share this content on your social networks:

Translate your content for a better experience:

Comandantes militares frequentemente alertam suas tropas sobre a superdependência da tecnologia GPS, que pode levar a cenários desastrosos caso os sinais sejam bloqueados ou as redes falhem. Contudo, surge uma questão crucial: a delegação da navegação a sistemas computadorizados estaria também diminuindo as capacidades de observação e as habilidades de tomada de decisão dos militares? Esta é a principal indagação que um estudo vindouro da Universidade do Texas em Arlington se propõe a investigar, explorando as consequências cognitivas da crescente integração tecnológica nas operações de campo.

O estudo da Universidade do Texas em Arlington

Com um investimento de 200.000 dólares, financiado pelo Departamento de Defesa dos EUA através de um sub-subsídio, o estudo terá duração de um ano e utilizará simulações de realidade virtual. O objetivo é rastrear aspectos da observação e da capacidade de recordação em sujeitos, tanto na presença quanto na ausência de auxílios de navegação. Steven Weisberg e Hunter Ball, professores associados de psicologia na Universidade do Texas em Arlington e líderes da pesquisa, indicaram que as descobertas poderão ser cruciais para o design de interfaces de computador e, potencialmente, para a designação de pessoal em unidades militares, considerando o suporte tecnológico necessário e a resposta cerebral individual das tropas, visando otimizar a performance em diferentes contextos operacionais.

Impacto cognitivo e atribuição de funções

Hunter Ball destacou que fomentar um cenário de superdependência pode impedir que os indivíduos utilizem sua própria cognição em momentos críticos, quando a tecnologia falha ou está indisponível. A pesquisa visa, portanto, identificar características de design específicas que possam mitigar essa dependência, promovendo um uso mais equilibrado da tecnologia. Além disso, Ball aponta para a importância de identificar diferenças individuais de longo prazo. Ele exemplifica que um indivíduo com menor capacidade cognitiva pode depender mais intensamente de fontes de orientação externa, o que seria benéfico em condições ideais, mas crítico caso essa fonte falhe. Essa compreensão, segundo ele, permitiria aos comandantes fazer atribuições de funções mais eficazes, alinhando as capacidades cognitivas dos militares com as demandas tecnológicas de suas posições. Embora a classificação de tropas por desempenho cognitivo possa parecer uma medida distante, o desempenho na Bateria de Aptidão Vocacional das Forças Armadas (ASVAB) já serve como um critério para determinar a elegibilidade para certas funções antes mesmo do treinamento militar. Assim, a inclusão de um novo teste no processo de avaliação física e acadêmica para aferir a interação das tropas com auxílios tecnológicos e, a partir disso, obter insights para a atribuição de cargos, é considerada uma possibilidade plausível e estratégica para o futuro do recrutamento e alocação de pessoal.

Metodologia e aplicações futuras da realidade virtual

O estudo, que terá início em 1º de agosto, envolverá voluntários de graduação que navegarão por um ambiente virtual que simula uma pequena cidade. Para isso, utilizarão uma combinação de realidade virtual de desktop e de capacete. Steven Weisberg explicou que o ambiente servirá para avaliar a capacidade dos participantes de recordar rotas, edifícios e pontos de referência, tanto com suporte de navegação quanto após sua remoção intencional, um aspecto crucial para entender a autonomia cognitiva em ambientes desafiadores. Os pesquisadores coletarão dados comportamentais detalhados sobre a recordação de rotas e características ambientais, além de dados de rastreamento ocular, que permitirão entender precisamente o que os sujeitos estão observando e absorvendo durante as tarefas. Como benefício secundário, a pesquisa pretende demonstrar o valor da investigação comportamental conduzida em ambientes de realidade virtual, com implicações diretas para o emprego e aprimoramento de simuladores e auxílios de treinamento militar. Hunter Ball visualiza a aplicação desses achados em treinamentos mais aprofundados e em cenários reais para soldados, onde o uso de headsets virtuais pode simular a navegação em ambientes complexos. No entanto, Ball enfatiza a necessidade primordial de compreender os mecanismos cognitivos subjacentes a essas interações para que o treinamento seja verdadeiramente eficaz e seguro. O estudo será concluído no próximo ano, com um relatório completo dos achados previsto para o próximo verão. Os pesquisadores nutrem a esperança de garantir um novo financiamento (follow-on grant) para investigar a interação de equipes ao monitorar uma vasta gama de fontes de dados e telas, e aprofundar a análise dos dados de rastreamento ocular coletados para aprender sobre quais informações as tropas retêm e lembram com base em suas observações.

Para se manter atualizado sobre as últimas análises em defesa, geopolítica e segurança, e acompanhar o desenrolar desta e de outras pesquisas cruciais para o futuro das operações militares, siga a OP Magazine em todas as nossas redes sociais. Seu engajamento é fundamental para fortalecer o jornalismo especializado e aprofundado!

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

últimas notícias

PARCERIA