A proposta do presidente dos EUA, Donald Trump, de construir uma nova classe de navios de guerra, que ele próprio batizou de ‘Trump class’ e descreveu como ‘couraçados’, tem sido alvo de considerável ceticismo. Após o anúncio de Trump em 22 de dezembro, no Mar-a-Lago, sobre a encomenda de uma frota de possivelmente 20 a 25 desses navios, analistas imediatamente sugeriram que tal plano poderia não ser realista. Muitos interpretaram a iniciativa mais como um movimento para impulsionar e reativar a indústria de construção naval dos EUA, que atualmente apresenta um notável atraso em relação à China.

Os custos exorbitantes sob escrutínio congressual
Um dos pilares do ceticismo em relação à proposta reside nas projeções financeiras. Em 30 de dezembro, logo após a apresentação do conceito do novo couraçado, o não-partidário Congressional Research Service (CRS) divulgou um relatório crucial. O documento estimou que a primeira unidade dessa nova classe de navios, já nomeada USS Defiant, teria um custo aproximado de US$ 15 bilhões para ser colocada em operação. Cada embarcação adicional, por sua vez, representaria um gasto de cerca de US$ 10 bilhões. Tais cifras bilionárias rapidamente acenderam o alerta no Congresso, intensificando o escrutínio sobre a viabilidade fiscal do projeto em um momento de crescentes demandas orçamentárias.
A magnitude desses custos, conforme detalhado pelo CRS, posiciona a ‘Trump class’ como uma das iniciativas mais caras da história naval recente. Este fator, aliado a outras preocupações estratégicas, solidifica a base para um profundo debate sobre a alocação de recursos e a prioridade de investimentos dentro da estrutura de defesa dos Estados Unidos.
Vulnerabilidade estratégica e o contra-argumento chinês
Além do aspecto financeiro, a eficácia estratégica da proposta tem sido amplamente questionada, inclusive por potências rivais. A China, por meio de seu veículo de comunicação estatal Global Times, reagiu à ideia, classificando o conceito da Marinha dos EUA como um ‘alvo maior e mais fácil’ para sua crescente gama de drones e mísseis antinavio. Um dia após o anúncio de Trump, o Global Times publicou uma entrevista com o pesquisador naval Zhang Junshe, que afirmou que o tipo de navio de guerra imaginado por Trump seria um alvo propício para armas antinavio chinesas, incluindo o míssil balístico DF-21D, conhecido como ‘assassino de porta-aviões’.
Zhang, pesquisador do Instituto de Pesquisa Acadêmica Militar Naval do Exército de Libertação Popular, enfatizou que ‘o grande tamanho de um couraçado também o torna mais vulnerável e potencialmente um alvo mais fácil, particularmente quando está densamente carregado com munições’. Ele reiterou a necessidade de observar os desdobramentos, afirmando ao Global Times: ‘Devemos esperar para ver se pode ter sucesso’. Essas análises contribuem para o ceticismo geral sobre a adequação do conceito em um cenário de guerra naval moderna, onde a proliferação de armas de precisão e drones de baixo custo redefine as táticas de combate e a sobrevivência de grandes plataformas.
O desafio naval com a China e o alerta para o futuro combate marítimo
A proposta de uma nova classe de navios de guerra, denominados “encouraçados” pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou repercussões significativas no cenário naval global. Centrada na ideia de uma “classe Trump”, essa iniciativa foi prontamente confrontada pela China, que a classificou como um potencial “alvo maior e mais fácil” para seu avançado arsenal de drones e mísseis antinavio. Este embate de percepções não apenas sublinha a crescente tensão naval entre as duas potências, mas também projeta um alerta sobre as características e desafios do futuro combate marítimo.

O Global Times, veículo de comunicação estatal chinês, veiculou uma entrevista com o pesquisador naval Zhang Junshe logo após o anúncio de Trump em 22 de dezembro. Zhang Junshe, pesquisador do Instituto de Pesquisa Acadêmica Militar Naval do Exército de Libertação Popular, afirmou que o tipo de navio de guerra imaginado por Trump seria um alvo propício para as armas antinavio da China, incluindo o míssil balístico DF-21D, conhecido como “assassino de porta-aviões”.
Segundo Zhang, “o grande porte de um encouraçado também o torna mais vulnerável e potencialmente um alvo mais fácil, particularmente quando está densamente carregado de munições”. Essa perspectiva ressalta a doutrina chinesa de negação de área/acesso (A2/AD) e a aposta em sistemas que podem neutralizar grandes plataformas navais. Além disso, alguns analistas sugeriram que a proposta do encouraçado poderia não ser realisticamente viável, mas sim uma manobra de Trump para reanimar a indústria naval dos EUA, que estaria significativamente atrás da capacidade chinesa. Zhang, em entrevista ao Global Times, ponderou: “Devemos esperar para ver se pode ter sucesso”.
Implicações estratégicas e custos projetados
Em 30 de dezembro, após a apresentação do conceito de encouraçado, o Serviço de Pesquisa do Congresso (CRS), uma entidade não partidária, divulgou um relatório estimando que a nova classe de navios custaria cerca de US$ 15 bilhões para a primeira unidade a ser lançada, já batizada como USS Defiant. Cada navio adicional custaria aproximadamente US$ 10 bilhões.
Líderes da indústria naval expressaram prontidão. Charles F. Krugh, presidente da Bath Iron Works, declarou que seu estaleiro “está pronto para apoiar totalmente a Marinha no projeto e construção deste importante novo programa de construção naval”. Da mesma forma, Chris Kastner, presidente e CEO da Huntington Ingalls, afirmou: “Temos orgulho de ter construído os combatentes de superfície mais avançados tecnologicamente da Marinha e nossos construtores navais estão comprometidos em continuar esse trabalho em sintonia com a Marinha para expandir sua Frota”.
A resposta russa e a “frota dourada” da Marinha dos EUA
O plano de Trump para os encouraçados também pareceu provocar uma resposta da Rússia. Dois dias após o anúncio de 22 de dezembro, Nikolai Patrushev, assessor do presidente Vladimir Putin e chefe do Conselho Naval da Rússia, afirmou em um discurso que a Rússia havia iniciado trabalhos em um submarino de mísseis balísticos movido a energia nuclear de “próxima geração”, conforme noticiado pela agência de notícias russa Interfax.
Enquanto isso, um dos maiores defensores da proposta do encouraçado era o chefe de operações navais da Marinha dos EUA, almirante Daryl Caudle. Em um simpósio da Surface Navy Association, Caudle expressou sua visão do encouraçado como a peça central na formação de uma “frota dourada”. Ele descreveu essa frota como capaz de “ancorar o poder de fogo marítimo e o controle do mar nos ambientes mais contestados, massificando o poder de combate durável e absorvendo punições”.









