O cenário político nacional experimentou uma reconfiguração significativa após o primeiro turno das eleições, no domingo, dia 4 de outubro. O senador Flávio Bolsonaro (PL) alcançou a liderança na disputa presidencial, posicionando-se à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e estabelecendo os termos para o embate final no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Paralelamente à acirrada corrida pela presidência, o Partido Liberal (PL) demonstrou uma expressiva expansão de sua influência no âmbito legislativo, consolidando as maiores bancadas tanto no Senado Federal quanto na Câmara dos Deputados. Adicionalmente, o partido registrou liderança na eleição de governadores, desenhando um novo panorama de poder nos estados e no Congresso.
Disputa presidencial e o revés nas pesquisas
A apuração do primeiro turno revelou um resultado que divergiu notavelmente das projeções apresentadas pela maioria dos institutos de pesquisa nas semanas antecedentes ao pleito. Flávio Bolsonaro concluiu a etapa inicial com 47,03% dos votos válidos, o que correspondeu a 56,1 milhões de eleitores. Em contrapartida, Luiz Inácio Lula da Silva obteve 45,16% dos votos válidos, totalizando 53,9 milhões. A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos, uma margem que intensifica a expectativa para o segundo turno.
As sondagens realizadas na última semana de setembro indicavam um quadro oposto, com Lula geralmente à frente, oscilando entre 39% e 41%, enquanto Flávio Bolsonaro aparecia com índices entre 35% e 40%. Esta discrepância sublinha a complexidade da análise eleitoral e a volatilidade do eleitorado em momentos decisivos. Além dos dois principais contendores, outros candidatos registraram os seguintes percentuais de votos válidos: Augusto Cury (Avante), com 2,89%; Renan Santos (Missão), com 2,24%; Ronaldo Caiado (PSD), com 2,18%; e Romeu Zema (Novo), com 0,27%. Interessantemente, entre os eleitores brasileiros residentes no exterior, a ordem dos líderes se inverteu, com Lula obtendo 47,2% dos votos, contra 43,8% de Flávio Bolsonaro, evidenciando nuances regionais e demográficas na preferência eleitoral.
Reconfiguração do congresso nacional: a ascensão do PL
O pleito de 2026 não apenas definiu os finalistas da corrida presidencial, mas também promoveu uma substancial alteração na composição do Congresso Nacional, com o Partido Liberal emergindo como uma força política dominante. No Senado Federal, estavam em disputa 54 das 81 cadeiras, o que representa dois terços da Casa. O PL demonstrou sua capilaridade eleitoral ao eleger 19 senadores, o equivalente a 35,2% das vagas em jogo, superando a soma de MDB (sete eleitos) e PT (seis eleitos).
Com a incorporação desses novos membros, que tomarão posse em 1º de fevereiro de 2027 para mandatos de oito anos, e somando-os aos senadores que já possuem mandato até 2031, o PL consolidará a maior bancada do Senado, alcançando um total de 28 senadores. Esta expansão representa um salto significativo em relação às 16 cadeiras que o partido possuía na legislatura anterior, iniciada em 2022. Em contrapartida, o PSD registrou a maior redução, passando de 14 para cinco senadores. Outras bancadas relevantes a partir de 2027 incluirão PT com nove senadores, MDB com oito, Republicanos e PP com seis cada, União e PSD com cinco cada, e PSB com quatro. A força do PL foi tão evidente que o partido conquistou as duas vagas em disputa em cinco estados, a exemplo de Santa Catarina, onde foram eleitos Carol de Toni e Carlos Bolsonaro. No Distrito Federal, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também garantiu uma cadeira no Senado. A Bahia foi o único estado, fora os cinco dominados pelo PL, onde um mesmo partido (o PT) elegeu os dois senadores: Rui Costa e Jaques Wagner. A renovação na Casa foi expressiva, com apenas 14 senadores conseguindo a reeleição, entre eles Jaques Wagner (PT-BA), Humberto Costa (PT-PE), Eduardo Braga (MDB-AM), Cid Gomes (PSB-CE) e Carlos Portinho (PL-RJ), resultando na mudança de ocupantes em 40 das 54 cadeiras em disputa.
Na Câmara dos Deputados, onde todas as 513 cadeiras foram renovadas, o PL igualmente se destacou, elegendo 121 deputados e assegurando a maior bancada a partir de fevereiro de 2027. Este resultado representa um aumento de 22 cadeiras em comparação com os 99 deputados eleitos em 2022, configurando a maior representação de um único partido desde a promulgação da Constituição de 1988. A projeção foi confirmada pela própria Câmara no dia seguinte à eleição, com 99,9% dos votos apurados, indicando a irreversibilidade do quadro. A federação PT-PCdoB-PV se posicionou como a segunda maior bancada, com 82 deputados, dos quais 70 são do PT. A consolidação da distribuição de cadeiras para as demais legendas estava em curso pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Panorama estadual: vitórias no primeiro turno e segundos turnos decisivos
As eleições para os executivos estaduais também foram marcadas por um número recorde de definições no primeiro turno, com 20 dos 27 governadores eleitos já na primeira votação – o maior índice registrado neste século, superando as 15 definições de 2022. Destaca-se que 11 governadores conseguiram a reeleição, refletindo, em alguns casos, a aprovação de gestões em andamento. O PL consolidou sua força em nível estadual, sendo o partido que mais elegeu governadores, com cinco vitórias. Seguiram-no o PSD, com quatro; e o PT e Republicanos, ambos com três governadores eleitos cada um. O PP garantiu duas vitórias, enquanto PSDB, MDB e Podemos conquistaram uma governadoria cada.
Entre os governadores eleitos em primeiro turno estão: pelo PL, Sérgio Moro no Paraná (50,10% dos votos válidos), Luciano Zucco no Rio Grande do Sul, Marcos Rogério em Rondônia, Arthur Henrique em Roraima e Jorginho Mello, reeleito em Santa Catarina (68,98%). Pelo PSD, foram eleitos Dr. Furlan no Amapá, Eduardo Braide no Maranhão, Raquel Lyra, reeleita em Pernambuco (53,27%), e Fábio Mitidieri, reeleito em Sergipe. O PT elegeu Jerônimo Rodrigues, reeleito na Bahia (55,73%), Elmano de Freitas, reeleito no Ceará (53,16%), e Rafael Fonteles, reeleito no Piauí (71%). Os Republicanos viram Tarcísio de Freitas, reeleito em São Paulo, Cleitinho Azevedo em Minas Gerais (55,40%), e Otaviano Pivetta, reeleito em Mato Grosso, garantirem seus mandatos. O PP elegeu Eduardo Riedel em Mato Grosso do Sul e Lucas Ribeiro, reeleito na Paraíba (64,30%). Finalmente, PSDB, MDB e Podemos elegeram JHC em Alagoas (52,19%), em uma das disputas mais acirradas, Daniel Vilela, reeleito em Goiás, e Dr. Daniel no Pará (51,38%).
Em seis estados e no Distrito Federal, a decisão sobre o governador será postergada para o segundo turno. Os confrontos serão: no Acre, Mailza Assis (PP) enfrentará Alan Rick (Republicanos); no Amazonas, Omar Aziz (PSD), com 40,38% no primeiro turno, disputará com Professora Maria do Carmo (PL), que obteve 24,72%; no Distrito Federal, Celina Leão (PP), com 49,93%, medirá forças com Leandro Grass (PT), que teve 34,48%; no Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos), com 49,65%, terá como adversário Ricardo Ferraço (MDB), com 34,06%; no Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), com 49,27%, confrontará Eduardo Paes (PSD), com 42,76%; no Rio Grande do Norte, Allyson (União), com 36,83%, disputará com Cadu de Lula (PT), que alcançou 36,21%; e, por fim, em Tocantins, a disputa também seguirá para o segundo turno.
O primeiro turno das eleições de 2026 desenhou um mapa político complexo, com o Partido Liberal emergindo como uma força central no cenário nacional e Flávio Bolsonaro à frente na corrida presidencial. As próximas semanas serão decisivas para a definição de governadores em diversos estados e, crucialmente, para o desfecho da eleição presidencial. Para análises aprofundadas sobre esses e outros temas de defesa, geopolítica e segurança, acompanhe a OP Magazine em nossas redes sociais e mantenha-se informado com conteúdo exclusivo e de qualidade. Não perca as próximas atualizações e o desdobramento desses importantes eventos políticos.










