Estudo do Ifri alerta: frança não está preparada para sustentar a superioridade aérea em guerra de alta intensidade

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Estudo do Ifri alerta: frança não está preparada para sustentar a superioridade aérea em guerra de alta intensidade

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Um recente e contundente estudo divulgado pelo Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri) oferece uma análise crítica sobre o futuro do poder aéreo ocidental em cenários de conflito de alta intensidade. O relatório enfatiza que, embora a superioridade aérea permaneça uma condição indispensável para o sucesso militar em qualquer operação, sua obtenção e manutenção contra potências que possuam sistemas de defesa antiaérea modernos tornaram-se consideravelmente mais desafiadoras, onerosas e arriscadas. Este diagnóstico sublinha uma mudança paradigmática nas dinâmicas de combate aéreo contemporâneas.

Intitulado “L’avenir de la supériorité aérienne — Maîtriser le ciel en haute intensité” (O futuro da superioridade aérea – Dominar o céu em alta intensidade), o documento é o resultado de um trabalho aprofundado. Foi elaborado pelo tenente-coronel Adrien Gorremans, um piloto de caça com vasta experiência operacional, notadamente com aeronaves Mirage 2000, e contou com a valiosa colaboração de Jean-Christophe Noël, pesquisador e ex-piloto. Publicado em janeiro de 2025, o relatório é uma obra de 114 páginas que se baseia primordialmente em dados e estruturas de força referentes ao ano de 2024, conferindo-lhe uma atualidade e relevância estratégicas.

A mais significativa e preocupante conclusão do estudo é direcionada especificamente à França. O relatório aponta que o país, embora possua a capacidade de executar operações aéreas avançadas e ataques pontuais em ambientes de combate contestados, carece do volume necessário de aeronaves, de estoques de munições e de determinados recursos tecnológicos cruciais para conseguir sustentar uma campanha prolongada voltada à conquista e manutenção da superioridade no espaço aéreo. Esta limitação de recursos sugere uma vulnerabilidade em face de conflitos prolongados contra adversários equiparados.

Superioridade aérea: um conceito em evolução e nem sempre absoluto

O estudo do Ifri questiona a concepção tradicional de superioridade aérea como um controle absoluto e irrestrito sobre todo o espaço aéreo. Em vez disso, propõe que o domínio do céu pode ser contextualizado, limitado geograficamente a uma região específica, restrito a certas faixas de altitude ou até mesmo temporal, existindo apenas por períodos curtos, como algumas horas ou minutos, o tempo suficiente para permitir a passagem segura de uma força de ataque ou a execução de uma missão específica.

Esta interpretação do conceito de superioridade aérea adquire particular relevância e é reforçada pela experiência observada na guerra da Ucrânia. Nesse conflito, tanto a Rússia quanto a Ucrânia demonstraram incapacidade de eliminar de forma decisiva as defesas antiaéreas uma da outra, resultando em uma situação de negação aérea mútua. Nenhum dos lados conseguiu estabelecer controle pleno sobre o espaço aéreo acima da frente de batalha, embora ambos consigam abrir “janelas” temporárias para a operação de drones, mísseis, helicópteros e aviões de combate, evidenciando a complexidade e a natureza não absoluta do controle aéreo moderno.

Na avaliação dos especialistas do Ifri, a baixa altitude, geralmente até aproximadamente 10 mil ou 15 mil pés, está se transformando em uma espécie de “litoral aéreo” permanentemente contestado. A proliferação de sistemas portáteis de defesa antiaérea (MANPADS), canhões de diversos calibres, drones interceptadores e uma vasta gama de armas de curto alcance torna praticamente impossível para qualquer força eliminar todas as ameaças que operam próximas ao solo. A disputa decisiva, portanto, deverá se concentrar predominantemente nas médias e grandes altitudes, onde operarão caças de superioridade aérea, aviões-radar (AWACS), aeronaves de guerra eletrônica e reabastecedores. Contudo, mesmo nesse domínio, o avanço da tecnologia de furtividade (stealth), a capacidade de guerra eletrônica e a utilização de mísseis ar-ar de longo alcance continuarão a reduzir as distâncias de detecção e a amplificar a incerteza operacional para todos os envolvidos.

O obsoleto modelo da guerra do Golfo e as novas ameaças

O estudo aponta que o modelo operacional observado durante a Operação Tempestade no Deserto, em 1991, que se tornou um paradigma de guerra aérea por décadas, perdeu parte de sua validade. Naquela ocasião, a coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos, empregou centenas de aeronaves em uma campanha concentrada contra o Iraque, destruindo sistematicamente sua aviação, radares, centros de comando e controle e baterias de mísseis antiaéreos. Após a obtenção da supremacia aérea, as forças aliadas puderam então atacar as unidades terrestres iraquianas com pouquíssima ou nenhuma oposição, demonstrando um controle quase total do espaço aéreo.

Esse modelo de campanha aérea influenciou profundamente as operações militares ocidentais nas décadas seguintes, consolidando a premissa de que as bases aéreas, depósitos de suprimentos, centros de comando e redes logísticas situados na retaguarda do teatro de operações permaneceriam relativamente seguros e protegidos de ataques diretos. No entanto, potências como Rússia e China desenvolveram e implementaram estratégias militares especificamente concebidas para romper essa percepção de segurança, introduzindo novos vetores de ameaça.

Atualmente, mísseis balísticos, armas hipersônicas, mísseis de cruzeiro avançados e drones de ataque de longo alcance possuem a capacidade de atingir com precisão aeródromos, radares, aeronaves de reabastecimento em solo e centros de comando e controle, mesmo antes que a força aérea adversária complete sua mobilização ou desdobramento. Adicionalmente, a introdução em larga escala de drones de ataque do tipo Shahed, por exemplo, trouxe à tona um grave problema econômico. Embora individualmente pouco sofisticados e de baixo custo de produção, esses drones podem ser fabricados e empregados em quantidades massivas, forçando o defensor a consumir mísseis interceptadores que, por sua vez, custam várias vezes mais do que o alvo. A combinação estratégica de drones de baixo custo, mísseis de cruzeiro e vetores balísticos tem o potencial de saturar simultaneamente múltiplas camadas da defesa antiaérea, impondo um dilema logístico e financeiro ao defensor.

A doutrina russa e o desafio das defesas antiaéreas multicamadas

O relatório do Ifri detalha que a aviação russa, apesar de seus avanços, ainda enfrenta consideráveis limitações em termos doutrinários, organizacionais e de treinamento. A estrutura de comando excessivamente centralizada e as dificuldades inerentes à condução de grandes operações aéreas integradas são fatores que, segundo a análise, ajudam a explicar por que Moscou não conseguiu estabelecer e manter a superioridade aérea sobre o espaço ucraniano durante o conflito em curso. Essas questões sistêmicas comprometem a flexibilidade e a eficácia das operações aéreas em larga escala.

A principal ameaça representada pela Rússia não reside apenas em sua capacidade aérea ofensiva, mas sim na robustez de suas defesas antiaéreas móveis e multicamadas, no seu avançado arsenal de guerra eletrônica e em seus meios de ataque de longo alcance. Sistemas como o S-300, S-400, Buk, Tor e Pantsir são projetados para funcionar de maneira intrinsecamente complementar. Isso significa que, em um cenário de combate, uma aeronave atacante pode ser obrigada a enfrentar simultaneamente diversas categorias de mísseis, disparados por diferentes sistemas, cada um com suas características e alcances específicos, criando um ambiente extremamente denso e letal de negação de acesso e área.

Para aprofundar-se ainda mais nas análises sobre defesa, geopolítica e segurança, e ficar por dentro dos desdobramentos de conflitos internacionais, siga a OP Magazine em todas as nossas redes sociais. Nosso compromisso é trazer conteúdo de alta qualidade e análises especializadas que vão além da superfície dos fatos.

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Um recente e contundente estudo divulgado pelo Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri) oferece uma análise crítica sobre o futuro do poder aéreo ocidental em cenários de conflito de alta intensidade. O relatório enfatiza que, embora a superioridade aérea permaneça uma condição indispensável para o sucesso militar em qualquer operação, sua obtenção e manutenção contra potências que possuam sistemas de defesa antiaérea modernos tornaram-se consideravelmente mais desafiadoras, onerosas e arriscadas. Este diagnóstico sublinha uma mudança paradigmática nas dinâmicas de combate aéreo contemporâneas.

Intitulado “L’avenir de la supériorité aérienne — Maîtriser le ciel en haute intensité” (O futuro da superioridade aérea – Dominar o céu em alta intensidade), o documento é o resultado de um trabalho aprofundado. Foi elaborado pelo tenente-coronel Adrien Gorremans, um piloto de caça com vasta experiência operacional, notadamente com aeronaves Mirage 2000, e contou com a valiosa colaboração de Jean-Christophe Noël, pesquisador e ex-piloto. Publicado em janeiro de 2025, o relatório é uma obra de 114 páginas que se baseia primordialmente em dados e estruturas de força referentes ao ano de 2024, conferindo-lhe uma atualidade e relevância estratégicas.

A mais significativa e preocupante conclusão do estudo é direcionada especificamente à França. O relatório aponta que o país, embora possua a capacidade de executar operações aéreas avançadas e ataques pontuais em ambientes de combate contestados, carece do volume necessário de aeronaves, de estoques de munições e de determinados recursos tecnológicos cruciais para conseguir sustentar uma campanha prolongada voltada à conquista e manutenção da superioridade no espaço aéreo. Esta limitação de recursos sugere uma vulnerabilidade em face de conflitos prolongados contra adversários equiparados.

Superioridade aérea: um conceito em evolução e nem sempre absoluto

O estudo do Ifri questiona a concepção tradicional de superioridade aérea como um controle absoluto e irrestrito sobre todo o espaço aéreo. Em vez disso, propõe que o domínio do céu pode ser contextualizado, limitado geograficamente a uma região específica, restrito a certas faixas de altitude ou até mesmo temporal, existindo apenas por períodos curtos, como algumas horas ou minutos, o tempo suficiente para permitir a passagem segura de uma força de ataque ou a execução de uma missão específica.

Esta interpretação do conceito de superioridade aérea adquire particular relevância e é reforçada pela experiência observada na guerra da Ucrânia. Nesse conflito, tanto a Rússia quanto a Ucrânia demonstraram incapacidade de eliminar de forma decisiva as defesas antiaéreas uma da outra, resultando em uma situação de negação aérea mútua. Nenhum dos lados conseguiu estabelecer controle pleno sobre o espaço aéreo acima da frente de batalha, embora ambos consigam abrir “janelas” temporárias para a operação de drones, mísseis, helicópteros e aviões de combate, evidenciando a complexidade e a natureza não absoluta do controle aéreo moderno.

Na avaliação dos especialistas do Ifri, a baixa altitude, geralmente até aproximadamente 10 mil ou 15 mil pés, está se transformando em uma espécie de “litoral aéreo” permanentemente contestado. A proliferação de sistemas portáteis de defesa antiaérea (MANPADS), canhões de diversos calibres, drones interceptadores e uma vasta gama de armas de curto alcance torna praticamente impossível para qualquer força eliminar todas as ameaças que operam próximas ao solo. A disputa decisiva, portanto, deverá se concentrar predominantemente nas médias e grandes altitudes, onde operarão caças de superioridade aérea, aviões-radar (AWACS), aeronaves de guerra eletrônica e reabastecedores. Contudo, mesmo nesse domínio, o avanço da tecnologia de furtividade (stealth), a capacidade de guerra eletrônica e a utilização de mísseis ar-ar de longo alcance continuarão a reduzir as distâncias de detecção e a amplificar a incerteza operacional para todos os envolvidos.

O obsoleto modelo da guerra do Golfo e as novas ameaças

O estudo aponta que o modelo operacional observado durante a Operação Tempestade no Deserto, em 1991, que se tornou um paradigma de guerra aérea por décadas, perdeu parte de sua validade. Naquela ocasião, a coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos, empregou centenas de aeronaves em uma campanha concentrada contra o Iraque, destruindo sistematicamente sua aviação, radares, centros de comando e controle e baterias de mísseis antiaéreos. Após a obtenção da supremacia aérea, as forças aliadas puderam então atacar as unidades terrestres iraquianas com pouquíssima ou nenhuma oposição, demonstrando um controle quase total do espaço aéreo.

Esse modelo de campanha aérea influenciou profundamente as operações militares ocidentais nas décadas seguintes, consolidando a premissa de que as bases aéreas, depósitos de suprimentos, centros de comando e redes logísticas situados na retaguarda do teatro de operações permaneceriam relativamente seguros e protegidos de ataques diretos. No entanto, potências como Rússia e China desenvolveram e implementaram estratégias militares especificamente concebidas para romper essa percepção de segurança, introduzindo novos vetores de ameaça.

Atualmente, mísseis balísticos, armas hipersônicas, mísseis de cruzeiro avançados e drones de ataque de longo alcance possuem a capacidade de atingir com precisão aeródromos, radares, aeronaves de reabastecimento em solo e centros de comando e controle, mesmo antes que a força aérea adversária complete sua mobilização ou desdobramento. Adicionalmente, a introdução em larga escala de drones de ataque do tipo Shahed, por exemplo, trouxe à tona um grave problema econômico. Embora individualmente pouco sofisticados e de baixo custo de produção, esses drones podem ser fabricados e empregados em quantidades massivas, forçando o defensor a consumir mísseis interceptadores que, por sua vez, custam várias vezes mais do que o alvo. A combinação estratégica de drones de baixo custo, mísseis de cruzeiro e vetores balísticos tem o potencial de saturar simultaneamente múltiplas camadas da defesa antiaérea, impondo um dilema logístico e financeiro ao defensor.

A doutrina russa e o desafio das defesas antiaéreas multicamadas

O relatório do Ifri detalha que a aviação russa, apesar de seus avanços, ainda enfrenta consideráveis limitações em termos doutrinários, organizacionais e de treinamento. A estrutura de comando excessivamente centralizada e as dificuldades inerentes à condução de grandes operações aéreas integradas são fatores que, segundo a análise, ajudam a explicar por que Moscou não conseguiu estabelecer e manter a superioridade aérea sobre o espaço ucraniano durante o conflito em curso. Essas questões sistêmicas comprometem a flexibilidade e a eficácia das operações aéreas em larga escala.

A principal ameaça representada pela Rússia não reside apenas em sua capacidade aérea ofensiva, mas sim na robustez de suas defesas antiaéreas móveis e multicamadas, no seu avançado arsenal de guerra eletrônica e em seus meios de ataque de longo alcance. Sistemas como o S-300, S-400, Buk, Tor e Pantsir são projetados para funcionar de maneira intrinsecamente complementar. Isso significa que, em um cenário de combate, uma aeronave atacante pode ser obrigada a enfrentar simultaneamente diversas categorias de mísseis, disparados por diferentes sistemas, cada um com suas características e alcances específicos, criando um ambiente extremamente denso e letal de negação de acesso e área.

Para aprofundar-se ainda mais nas análises sobre defesa, geopolítica e segurança, e ficar por dentro dos desdobramentos de conflitos internacionais, siga a OP Magazine em todas as nossas redes sociais. Nosso compromisso é trazer conteúdo de alta qualidade e análises especializadas que vão além da superfície dos fatos.

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