Em 6 de setembro de 2026, a Marinha da Coreia do Norte incorporou oficialmente seu segundo destróier de mísseis guiados de 5.000 toneladas, o Kang Kon, da classe Choe Hyon. A cerimônia, que contou com a presença do líder norte-coreano Kim Jong Un, ocorreu na estratégica cidade portuária oriental de Wonsan. Este comissionamento, aproximadamente dois meses após a entrada em serviço do navio-líder da classe, o Choe Hyon (51), em 23 de junho de 2026, sinaliza uma aceleração notável nos esforços de modernização naval de Pyongyang. Há ainda duas embarcações adicionais desta classe em construção, o que demonstra a intenção de expandir significativamente essa nova capacidade.
Significado estratégico e avanço tecnológico da classe Choe Hyon
Os destróieres da classe Choe Hyon, com um deslocamento de aproximadamente 5.000 toneladas e medindo 145 metros de comprimento, representam um marco na evolução da frota de superfície da Coreia do Norte. Essas embarcações são, de longe, os navios de guerra mais substanciais, pesadamente armados e tecnologicamente avançados já operados pela marinha do país. Este avanço os aproxima consideravelmente dos padrões navais contemporâneos. A presença de Kim Jong Un, acompanhado por sua filha, ao lado de altos funcionários do governo e militares, sublinhou a importância estratégica atribuída a este programa naval. Em seu discurso, Kim Jong Un declarou que o país está "atualmente implementando um plano importante para fortalecer as forças navais", com mais detalhes a serem revelados nos próximos oito meses, indicando uma agenda ambiciosa.
Apesar de um revés anterior, onde o Kang Kon (52) chegou a emborcar durante seu lançamento no Estaleiro Chongjin em 21 de maio de 2025, o navio entrou em serviço pouco mais de um ano depois, demonstrando a resiliência e a determinação do programa naval norte-coreano. Além do armamento robusto, a classe Choe Hyon está equipada com sistemas eletrônicos modernos, incluindo um abrangente conjunto de guerra eletrônica (EW) e quatro painéis de radar de varredura eletrônica ativa (phased-array) de face fixa, um indicativo de capacidades avançadas de detecção e engajamento.
Capacidades bélicas e ambições de projeção de poder naval
O comissionamento desses novos destróieres reforça as ambições de Pyongyang de desenvolver uma marinha de águas azuis mais capaz, com maior alcance operacional e capacidade de projeção de poder. A Coreia do Norte já sinalizou planos para desenvolver cruzadores de mísseis guiados com aproximadamente o dobro do deslocamento da classe Choe Hyon, indicando uma mudança gradual de uma força estritamente de defesa costeira para uma capacidade naval mais expedicionária e ofensiva. O sistema de mísseis da embarcação é particularmente impressionante, com os destróieres da classe Choe Hyon apresentando cinco configurações distintas de sistemas de lançamento vertical (VLS) para uma variedade de mísseis antinavio, antiaéreos e de cruzeiro de ataque terrestre, alguns dos quais são supostamente capazes de transportar ogivas nucleares.
A seção de popa da embarcação abriga 64 células VLS de quatro tipos diferentes, enquanto 24 células adicionais estão localizadas à frente da superestrutura, totalizando 88 células de lançamento vertical, conferindo ao navio uma capacidade multifuncional para diversas ameaças. Complementarmente, o destróier é equipado com oito lançadores de mísseis inclinados, discretamente ocultos dentro da superestrutura central, posicionados à frente das saídas dos motores. Adicionalmente, o navio transporta oito mísseis de curto alcance prontos para disparar, associados a um sistema de armas de defesa aproximada (CIWS) naval que se assemelha ao Pantsir-M russo. No total, a embarcação parece capaz de transportar até 104 mísseis de vários tipos, oferecendo uma capacidade de combate naval substancial.
O arsenal de mísseis é complementado por uma peça naval de 127mm montada na proa, fornecendo capacidade de ataque contra alvos de superfície e terrestres. Para defesa de ponto e contra ameaças aéreas e de superfície próximas, o navio possui dois sistemas CIWS de seis canos de 30mm a meia-nau, que lembram o Tipo 730 chinês, e um sistema de defesa antiaérea tipo Pantsir-M posicionado à popa da chaminé, que combina mísseis de curto alcance com canhões rotativos duplos de seis canos de 30mm, conforme mencionado anteriormente. Armas adicionais incluem dois lançadores duplos de torpedos de 533mm e seis sistemas de lançamento de despistadores de dois tipos diferentes (quatro lançadores de 40 tubos e dois de 12 tubos) para defesa antiaérea e antitorpedo, reforçando suas defesas passivas. O armamento defensivo de curto alcance é ainda mais fortalecido por dez sistemas de armas de 14,5mm duplos controlados remotamente, bem como duas metralhadoras Gatling e seis metralhadoras pesadas KPVT de 14,5mm discretamente dispostas na superestrutura, garantindo uma proteção robusta contra ameaças assimétricas e de pequeno porte.
A entrada em operação de um segundo destróier avançado da classe Choe Hyon não apenas reforça a frota norte-coreana em termos de capacidade bélica e tecnológica, mas também reitera as crescentes aspirações estratégicas de Pyongyang na região. Esse movimento, juntamente com planos futuros para cruzadores de mísseis guiados, indica uma mudança fundamental na doutrina naval do país, com implicações diretas para a dinâmica de segurança no Mar do Japão e além. Para continuar acompanhando as análises mais aprofundadas sobre defesa, geopolítica e segurança, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e mantenha-se informado sobre os desenvolvimentos que moldam o cenário global.










