Vídeo sugere unidade ucraniana abatendo Shahed russo; EUA monitoram de perto

|

Vídeo sugere unidade ucraniana abatendo Shahed russo; EUA monitoram de perto

|

Um vídeo divulgado por uma unidade de drones ucraniana apresenta imagens que supostamente mostram interceptadores Merops de fabricação americana engajando e abatendo um drone Shahed de projeto iraniano. Este registro fornece uma evidência adicional da eficácia e viabilidade de armas de baixo custo no cenário de defesa antiaérea, em um momento em que o Exército dos EUA avança com o desenvolvimento de sua própria versão desses sistemas, visando uma produção em larga escala e implantação massiva.

O 427º Regimento Separado de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, conhecido como Rarog, publicou o clipe não verificado em seu canal no Telegram no mês passado. As imagens, gravadas com visão noturna, mostram um interceptador se aproximando de um drone de ataque unidirecional, culminando em um clarão no momento do contato. Embora a unidade utilize uma combinação de interceptadores de fabricação ucraniana e sistemas estrangeiros, não foi especificado qual modelo foi empregado no incidente em questão. Rob Lee, pesquisador sênior do Foreign Policy Research Institute, compartilhou o vídeo, identificando-o como o primeiro registro público que ele considera ser do Merops, o interceptador americano desenvolvido pela Perennial Autonomy, atuando contra drones de ataque unidirecional Shahed ou Geran. A veiculação dessas imagens coincide com os esforços do Exército americano para desenvolver e produzir uma versão própria desse tipo de drone.

A busca americana por autonomia e interceptadores de baixo custo

Em 23 de junho, o Exército dos EUA lançou o programa de Interceptadores de Baixo Custo em um evento para a indústria em Arlington, Virgínia. O programa visa sistemas completos com custo inferior a um milhão de dólares, buscando designs de propriedade governamental que possam ser entregues a qualquer fabricante, com a primeira demonstração de tiro real programada para o outono. Conforme explicou o secretário do Exército, Dan Driscoll, em maio, este programa permitiria ao Exército fragmentar a produção do interceptador, adquirir ou licenciar o design e utilizar fabricantes contratados para sua construção. Tal abordagem garantiria a propriedade da arma pela instituição, eliminando a dependência de um único contratante principal. Atualmente, o Exército não detém o design do Merops e, consequentemente, não pode produzi-los de forma autônoma. O novo programa tem como objetivo alterar essa realidade, permitindo que o Exército forneça um projeto de propriedade governamental a qualquer fabricante, em vez de depender exclusivamente de uma única empresa contratada.

A Perennial Autonomy, fabricante do Merops, emerge como a empresa da qual o governo dos EUA busca independência neste cenário. Fundada em 2023 pelo ex-CEO do Google, Eric Schmidt, a startup de defesa firmou em maio um contrato de 500 milhões de dólares com o Pentágono, o maior acordo individual já concedido para sistemas antidrones. Esse contrato posiciona a empresa como uma influenciadora única nas cadeias de suprimentos militares. A decisão do Pentágono de recorrer ao Merops sucedeu o consumo de centenas de mísseis Patriot na defesa contra drones Shahed iranianos. Cada míssil Patriot custa mais de três milhões de dólares e reduz os estoques dos quais a Ucrânia dependia há muito tempo para sua própria defesa aérea. Em abril, o secretário do Exército, Dan Driscoll, informou ao Congresso que o Exército adquiriu 13.000 unidades do Merops em oito dias, após o início da guerra no Irã, no final de fevereiro, a um custo aproximado de 15.000 dólares cada. Driscoll defendeu o custo perante os legisladores, afirmando que é uma fração do custo de produção de um Shahed, e enfatizou: “Eles protegeram as tropas dos EUA. Faremos essa troca o dia todo”. Um Merops custa aproximadamente 15.000 dólares, enquanto um Shahed varia entre 30.000 e 50.000 dólares.

Desempenho operacional e desafios do Merops em diferentes teatros de operação

O interceptador Merops é um drone de asa fixa de aproximadamente 90 centímetros de comprimento, capaz de atingir velocidades de até 280 km/h. Ele se guia em direção ao seu alvo utilizando radar térmico ou sensores de radiofrequência quando seus sistemas de comunicação são submetidos a interferências. Segundo a Twentyfour Industries, parceira de produção alemã, o sistema já abateu mais de 4.000 drones russos na Ucrânia. O Brigadeiro-General Curtis King, comandante da 10ª Divisão de Defesa Aérea e de Mísseis do Exército, informou a repórteres em uma base polonesa em novembro que o sistema foi responsável por, conservadoramente, 40% de todas as destruições de drones Shahed na Ucrânia. A OTAN já integrou os interceptadores Merops às forças que protegem seu flanco oriental. A Romênia incluiu o Merops em suas defesas aéreas nacionais em 29 de junho, juntando-se à Polônia em sua implantação. A Lituânia, por sua vez, adquiriu 48 interceptadores no início deste ano. Oficiais indicaram à Reuters que planejam uma implantação ao longo do corredor do Danúbio, uma área onde drones russos têm cruzado repetidamente a fronteira a partir da zona de conflito vizinha.

Contudo, o sistema ainda enfrenta dificuldades técnicas. Em meados de junho, imagens circularam mostrando interceptadores Merops falhando em abater um drone russo. Além disso, um teste de campo romeno em abril registrou uma falha que os militares atribuíram a “manobras do alvo”, conforme publicado pela Pronews, uma publicação grega. Apesar desses desafios, a mesma publicação qualificou o Merops como uma das ferramentas de baixo custo mais eficazes na guerra de drones. Paralelamente, as forças militares da Ucrânia operam uma variedade de drones de fabricação própria, com custos unitários variando entre 1.000 e 3.000 dólares. Esses sistemas abateram milhares de drones russos desde 2024, apresentando uma relação de custo-benefício extremamente favorável a Kyiv, de até 85 para 1. Em agosto passado, Kyiv solicitou ao Pentágono assistência para expandir a fabricação de seus interceptadores de baixo custo, oferecendo-se para coproduzi-los para os EUA, mas Washington declinou a oferta.

O desenvolvimento e a implantação de interceptadores de baixo custo, como o Merops, refletem uma mudança estratégica na guerra moderna, onde a eficiência e a economia se tornam tão cruciais quanto a capacidade destrutiva. A constante evolução dos sistemas não tripulados e as respostas defensivas a eles continuarão a moldar o futuro dos conflitos. Para análises aprofundadas sobre defesa, geopolítica e segurança, e para se manter atualizado sobre os desdobramentos mais recentes neste cenário dinâmico, siga as redes sociais da OP Magazine.

Share this content on your social networks:

Translate your content for a better experience:

Um vídeo divulgado por uma unidade de drones ucraniana apresenta imagens que supostamente mostram interceptadores Merops de fabricação americana engajando e abatendo um drone Shahed de projeto iraniano. Este registro fornece uma evidência adicional da eficácia e viabilidade de armas de baixo custo no cenário de defesa antiaérea, em um momento em que o Exército dos EUA avança com o desenvolvimento de sua própria versão desses sistemas, visando uma produção em larga escala e implantação massiva.

O 427º Regimento Separado de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, conhecido como Rarog, publicou o clipe não verificado em seu canal no Telegram no mês passado. As imagens, gravadas com visão noturna, mostram um interceptador se aproximando de um drone de ataque unidirecional, culminando em um clarão no momento do contato. Embora a unidade utilize uma combinação de interceptadores de fabricação ucraniana e sistemas estrangeiros, não foi especificado qual modelo foi empregado no incidente em questão. Rob Lee, pesquisador sênior do Foreign Policy Research Institute, compartilhou o vídeo, identificando-o como o primeiro registro público que ele considera ser do Merops, o interceptador americano desenvolvido pela Perennial Autonomy, atuando contra drones de ataque unidirecional Shahed ou Geran. A veiculação dessas imagens coincide com os esforços do Exército americano para desenvolver e produzir uma versão própria desse tipo de drone.

A busca americana por autonomia e interceptadores de baixo custo

Em 23 de junho, o Exército dos EUA lançou o programa de Interceptadores de Baixo Custo em um evento para a indústria em Arlington, Virgínia. O programa visa sistemas completos com custo inferior a um milhão de dólares, buscando designs de propriedade governamental que possam ser entregues a qualquer fabricante, com a primeira demonstração de tiro real programada para o outono. Conforme explicou o secretário do Exército, Dan Driscoll, em maio, este programa permitiria ao Exército fragmentar a produção do interceptador, adquirir ou licenciar o design e utilizar fabricantes contratados para sua construção. Tal abordagem garantiria a propriedade da arma pela instituição, eliminando a dependência de um único contratante principal. Atualmente, o Exército não detém o design do Merops e, consequentemente, não pode produzi-los de forma autônoma. O novo programa tem como objetivo alterar essa realidade, permitindo que o Exército forneça um projeto de propriedade governamental a qualquer fabricante, em vez de depender exclusivamente de uma única empresa contratada.

A Perennial Autonomy, fabricante do Merops, emerge como a empresa da qual o governo dos EUA busca independência neste cenário. Fundada em 2023 pelo ex-CEO do Google, Eric Schmidt, a startup de defesa firmou em maio um contrato de 500 milhões de dólares com o Pentágono, o maior acordo individual já concedido para sistemas antidrones. Esse contrato posiciona a empresa como uma influenciadora única nas cadeias de suprimentos militares. A decisão do Pentágono de recorrer ao Merops sucedeu o consumo de centenas de mísseis Patriot na defesa contra drones Shahed iranianos. Cada míssil Patriot custa mais de três milhões de dólares e reduz os estoques dos quais a Ucrânia dependia há muito tempo para sua própria defesa aérea. Em abril, o secretário do Exército, Dan Driscoll, informou ao Congresso que o Exército adquiriu 13.000 unidades do Merops em oito dias, após o início da guerra no Irã, no final de fevereiro, a um custo aproximado de 15.000 dólares cada. Driscoll defendeu o custo perante os legisladores, afirmando que é uma fração do custo de produção de um Shahed, e enfatizou: “Eles protegeram as tropas dos EUA. Faremos essa troca o dia todo”. Um Merops custa aproximadamente 15.000 dólares, enquanto um Shahed varia entre 30.000 e 50.000 dólares.

Desempenho operacional e desafios do Merops em diferentes teatros de operação

O interceptador Merops é um drone de asa fixa de aproximadamente 90 centímetros de comprimento, capaz de atingir velocidades de até 280 km/h. Ele se guia em direção ao seu alvo utilizando radar térmico ou sensores de radiofrequência quando seus sistemas de comunicação são submetidos a interferências. Segundo a Twentyfour Industries, parceira de produção alemã, o sistema já abateu mais de 4.000 drones russos na Ucrânia. O Brigadeiro-General Curtis King, comandante da 10ª Divisão de Defesa Aérea e de Mísseis do Exército, informou a repórteres em uma base polonesa em novembro que o sistema foi responsável por, conservadoramente, 40% de todas as destruições de drones Shahed na Ucrânia. A OTAN já integrou os interceptadores Merops às forças que protegem seu flanco oriental. A Romênia incluiu o Merops em suas defesas aéreas nacionais em 29 de junho, juntando-se à Polônia em sua implantação. A Lituânia, por sua vez, adquiriu 48 interceptadores no início deste ano. Oficiais indicaram à Reuters que planejam uma implantação ao longo do corredor do Danúbio, uma área onde drones russos têm cruzado repetidamente a fronteira a partir da zona de conflito vizinha.

Contudo, o sistema ainda enfrenta dificuldades técnicas. Em meados de junho, imagens circularam mostrando interceptadores Merops falhando em abater um drone russo. Além disso, um teste de campo romeno em abril registrou uma falha que os militares atribuíram a “manobras do alvo”, conforme publicado pela Pronews, uma publicação grega. Apesar desses desafios, a mesma publicação qualificou o Merops como uma das ferramentas de baixo custo mais eficazes na guerra de drones. Paralelamente, as forças militares da Ucrânia operam uma variedade de drones de fabricação própria, com custos unitários variando entre 1.000 e 3.000 dólares. Esses sistemas abateram milhares de drones russos desde 2024, apresentando uma relação de custo-benefício extremamente favorável a Kyiv, de até 85 para 1. Em agosto passado, Kyiv solicitou ao Pentágono assistência para expandir a fabricação de seus interceptadores de baixo custo, oferecendo-se para coproduzi-los para os EUA, mas Washington declinou a oferta.

O desenvolvimento e a implantação de interceptadores de baixo custo, como o Merops, refletem uma mudança estratégica na guerra moderna, onde a eficiência e a economia se tornam tão cruciais quanto a capacidade destrutiva. A constante evolução dos sistemas não tripulados e as respostas defensivas a eles continuarão a moldar o futuro dos conflitos. Para análises aprofundadas sobre defesa, geopolítica e segurança, e para se manter atualizado sobre os desdobramentos mais recentes neste cenário dinâmico, siga as redes sociais da OP Magazine.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

últimas notícias

PARCERIA