A Marinha do Brasil realizou, em 26 de junho, a solene cerimônia de lançamento e batismo da Fragata “Cunha Moreira” (F202), marcando um passo significativo na modernização de sua frota. A embarcação, que representa a terceira unidade da estratégica Classe Tamandaré, foi batizada no estaleiro TKMS Estaleiro Brasil Sul, localizado em Itajaí, Santa Catarina. Este evento de grande relevância contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado de diversas autoridades civis e militares, além dos profissionais e engenheiros diretamente envolvidos na complexa construção naval. A inclusão da F202 no Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) sublinha a prioridade nacional em renovar e fortalecer as capacidades de defesa marítima, com a previsão de sua entrega à Marinha do Brasil em 2028, consolidando o compromisso com a soberania e segurança do litoral brasileiro.
Avanços do programa e a proteção da Amazônia Azul
A Fragata “Cunha Moreira” (F202) será um elemento vital na proteção da Amazônia Azul, uma vasta área marítima de interesse estratégico para o Brasil. Esta região abrange extensas rotas comerciais, valiosos recursos energéticos, zonas de pesca, uma rica biodiversidade e infraestruturas marítimas essenciais, cuja salvaguarda é fundamental para a economia e a segurança nacional. A F202 se integra a um programa naval robusto, unindo-se às duas primeiras unidades da classe: a Fragata “Tamandaré” (F200), que já foi incorporada à Marinha do Brasil e está em operação, e a Fragata “Jerônimo de Albuquerque” (F201), que em breve iniciará sua fase crucial de testes de aceitação no mar, demonstrando o avanço consistente do programa. A construção da “Cunha Moreira” teve início em novembro de 2024, com o corte da primeira chapa de aço, seguido pela montagem dos blocos em junho de 2025, durante a cerimônia de batimento de quilha. Essas etapas fundamentais na engenharia naval preparam a embarcação para a Mostra de Armamento e sua entrega formal em 2028.
Significado estratégico e o impacto na indústria de defesa nacional
O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) é reconhecido como um dos pilares da estratégia naval brasileira, conduzido através de uma parceria público-privada entre a Marinha do Brasil e a SPE Águas Azuis, composta por líderes da indústria como TKMS, Embraer e Atech, com a gestão da EMGEPRON. Este programa vai além da mera aquisição de navios, visando a renovação da capacidade de escolta da Marinha, essencial para missões de soberania e projeção de poder marítimo. O Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, Comandante da Marinha, enfatizou o significado estratégico do lançamento, afirmando que representa a “consolidação da disposição nacional em construir meios eficientes a serem empregados em áreas marítimas de interesse”. Ele destacou que o programa é um vetor de desenvolvimento tecnológico, fortalecendo a Base Industrial de Defesa (BID), crucial para a autonomia tecnológica do país, e gerando milhares de empregos diretos, indiretos e induzidos, além de capacitar mão de obra altamente qualificada. A inclusão do PFCT no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), no eixo de Inovação para a Indústria de Defesa, amplia os investimentos e incentiva a nacionalização de sistemas avançados, capacitando empresas brasileiras em produção, manutenção e modernização naval. A expectativa é que o programa gere aproximadamente 23 mil empregos até 2029 e envolva mais de 1.000 fornecedores em todo o Brasil, com um conteúdo local estimado em cerca de R$ 4,8 bilhões, abrangendo insumos, sistemas de fabricação, transferência de tecnologia e agregação de valor à indústria nacional.
Capacidades operacionais e inovação tecnológica das fragatas
As fragatas da Classe Tamandaré foram projetadas para serem navios de guerra modernos e versáteis, com 107,2 metros de comprimento, 15,95 metros de boca e 20,2 metros de pontal, alcançando um deslocamento de aproximadamente 3.500 toneladas. Esta robustez confere-lhes capacidade de operar em diversas condições marítimas. Com uma autonomia de 5.500 milhas náuticas e velocidade máxima de 25 nós, estas embarcações possuem a capacidade de operar em longas distâncias e responder rapidamente a diferentes cenários operacionais, com uma tripulação estimada em 143 militares por unidade. A configuração de seus sistemas eletrônicos e de armamento inclui radares multifuncionais para detecção de ameaças aéreas e de superfície, sonar de profundidade para guerra antissubmarino, mísseis antinavio para engajamento de alvos hostis, canhões navais de última geração para defesa e ataque, além de um hangar para helicóptero e um convoo equipado com sistema de pouso automático, que amplia significativamente suas capacidades de vigilância e ataque. O processo de construção adota módulos de produção com blocos pré-fabricados, uma metodologia que permite uma montagem mais célere e a integração progressiva dos sistemas embarcados, otimizando o tempo e a eficiência da construção. A F202 homenageia Luís da Cunha Moreira, o Visconde de Cabo Frio, uma figura histórica notável que foi o primeiro brasileiro nato a exercer o cargo de Ministro da Marinha do Brasil. Nascido em Salvador, Bahia, em 1º de outubro de 1777, Cunha Moreira teve um papel decisivo ao comandar o brigue “Infante Dom Pedro” em 1808, durante a conquista da Guiana Francesa, no contexto da aliança entre Portugal e Reino Unido contra a França Napoleônica. Sua trajetória é intrinsecamente ligada à transição do Brasil Colônia para o Brasil independente, tendo sido uma figura relevante na formação da Primeira Esquadra Brasileira e na consolidação da Independência Política do país.
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