EUA pedem que Europa e Canadá reforcem forças aéreas e navais da Otan

|

EUA pedem que Europa e Canadá reforcem forças aéreas e navais da Otan

|

Bruxelas — Os Estados Unidos esperam que os aliados europeus da Otan e o Canadá aumentem rapidamente o número de aeronaves tripuladas e não tripuladas, bem como de navios, que contribuem para os planos de defesa da aliança. Essa expectativa surge no contexto em que Washington decide reduzir suas próprias capacidades nessas áreas, conforme declarado por um alto general dos EUA na quarta-feira. A declaração do general da Força Aérea dos EUA, Alexus Grynkewich, que é o comandante máximo da Otan e chefe das forças dos EUA na Europa, segue uma decisão da administração Trump de diminuir o conjunto de capacidades militares americanas disponíveis para a Otan em uma situação de crise. O então presidente dos EUA, Donald Trump, havia criticado repetidamente a Otan, insistindo que seus membros europeus deveriam assumir a responsabilidade principal pela defesa convencional do continente.

Uma mudança estratégica na contribuição dos EUA à Otan

A decisão de Washington de realinhar suas prioridades e reduzir a contribuição de forças para a Otan foi comunicada aos aliados no mês passado. Este movimento impacta diretamente o conhecido Modelo de Forças da Otan, que compreende um conjunto de capacidades militares que podem ser ativadas e empregadas em resposta a uma crise. Contudo, detalhes específicos sobre quais áreas seriam afetadas não haviam sido divulgados publicamente até então. A declaração do general Grynkewich, emitida após um encontro de planejadores militares da Otan na quarta-feira, representou a primeira indicação pública clara de quais setores os EUA planejam desinvestir primeiramente e onde esperam que os aliados intensifiquem seus esforços. Essa reorientação estratégica sublinha a visão de Washington de uma necessária reestruturação na partilha de encargos dentro da aliança.

O general Grynkewich destacou que aeronaves tripuladas e não tripuladas, juntamente com embarcações navais, são duas áreas cruciais onde o Canadá e os aliados europeus podem "intervir agora e no curto prazo". Essa intervenção é vista como fundamental, uma vez que os Estados Unidos estão "reduzindo as forças 'alocadas' ao Modelo de Forças da Otan na Europa e as estão redirecionando para outras regiões". O comandante ressaltou a existência de uma "codependência pouco saudável no Modelo de Forças da Otan em relação às forças dos EUA". Grynkewich reforçou que o presidente Donald Trump, o então secretário de Defesa Pete Hegseth e outros funcionários já haviam sido explícitos sobre a necessidade de mudança, e que essa mudança, de fato, ocorreria. Ele justificou essa alteração estratégica com a "realidade potencial de conflitos simultâneos em múltiplos teatros", o que exige uma redistribuição de recursos e capacidades militares por parte dos EUA.

Capacidades exigidas e a expectativa de lacunas zero

A aliança da Otan enfrenta atualmente uma pressão sem precedentes, gerando preocupações em alguns países europeus de que Washington possa, eventualmente, se retirar por completo. Uma significativa alteração nas forças que os EUA disponibilizariam em tempos de guerra, como a anunciada, tende a intensificar ainda mais essas apreensões. No entanto, um porta-voz do quartel-general militar da Otan, o coronel do Exército dos EUA Martin O’Donnell, afirmou que as áreas mencionadas pelo general Grynkewich correspondem a setores "onde os aliados já possuem ou em breve terão capacidades suficientes, o que significa que não se esperam lacunas de defesa". O’Donnell complementou sua declaração enfatizando que "as nações apenas precisam atribuir à Otan as capacidades que possuem", indicando que a capacidade total da aliança pode ser mantida através de uma realocação interna de ativos.

Apesar do esclarecimento, O’Donnell não especificou uma data para quando o general Grynkewich esperava que as nações aliadas tivessem substituído as capacidades americanas, especialmente antes da cúpula da Otan em Ancara, que ocorrerá em julho e reunirá os líderes dessas nações. De acordo com um relatório divulgado na semana passada pelo veículo de notícias alemão Spiegel, o número de jatos de combate dos EUA disponíveis para a Otan está programado para diminuir em um terço. Além disso, os Estados Unidos também disponibilizarão um número menor de destróieres e nenhuma embarcação submarina como parte do pool de forças para crises. O relatório detalha ainda que a Europa será compelida a prover seus próprios drones de reconhecimento, enquanto os EUA planejam uma redução significativa na oferta de modelos armados, o que representa um desafio adicional para a autonomia defensiva europeia.

Aprofundar-se nas dinâmicas de segurança e defesa global é essencial para compreender os complexos reajustes estratégicos em curso. Para análises exclusivas e reportagens aprofundadas sobre geopolítica, defesa e segurança internacional, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e mantenha-se informado sobre os desafios e transformações do cenário mundial.

Share this content on your social networks:

Translate your content for a better experience:

Bruxelas — Os Estados Unidos esperam que os aliados europeus da Otan e o Canadá aumentem rapidamente o número de aeronaves tripuladas e não tripuladas, bem como de navios, que contribuem para os planos de defesa da aliança. Essa expectativa surge no contexto em que Washington decide reduzir suas próprias capacidades nessas áreas, conforme declarado por um alto general dos EUA na quarta-feira. A declaração do general da Força Aérea dos EUA, Alexus Grynkewich, que é o comandante máximo da Otan e chefe das forças dos EUA na Europa, segue uma decisão da administração Trump de diminuir o conjunto de capacidades militares americanas disponíveis para a Otan em uma situação de crise. O então presidente dos EUA, Donald Trump, havia criticado repetidamente a Otan, insistindo que seus membros europeus deveriam assumir a responsabilidade principal pela defesa convencional do continente.

Uma mudança estratégica na contribuição dos EUA à Otan

A decisão de Washington de realinhar suas prioridades e reduzir a contribuição de forças para a Otan foi comunicada aos aliados no mês passado. Este movimento impacta diretamente o conhecido Modelo de Forças da Otan, que compreende um conjunto de capacidades militares que podem ser ativadas e empregadas em resposta a uma crise. Contudo, detalhes específicos sobre quais áreas seriam afetadas não haviam sido divulgados publicamente até então. A declaração do general Grynkewich, emitida após um encontro de planejadores militares da Otan na quarta-feira, representou a primeira indicação pública clara de quais setores os EUA planejam desinvestir primeiramente e onde esperam que os aliados intensifiquem seus esforços. Essa reorientação estratégica sublinha a visão de Washington de uma necessária reestruturação na partilha de encargos dentro da aliança.

O general Grynkewich destacou que aeronaves tripuladas e não tripuladas, juntamente com embarcações navais, são duas áreas cruciais onde o Canadá e os aliados europeus podem "intervir agora e no curto prazo". Essa intervenção é vista como fundamental, uma vez que os Estados Unidos estão "reduzindo as forças 'alocadas' ao Modelo de Forças da Otan na Europa e as estão redirecionando para outras regiões". O comandante ressaltou a existência de uma "codependência pouco saudável no Modelo de Forças da Otan em relação às forças dos EUA". Grynkewich reforçou que o presidente Donald Trump, o então secretário de Defesa Pete Hegseth e outros funcionários já haviam sido explícitos sobre a necessidade de mudança, e que essa mudança, de fato, ocorreria. Ele justificou essa alteração estratégica com a "realidade potencial de conflitos simultâneos em múltiplos teatros", o que exige uma redistribuição de recursos e capacidades militares por parte dos EUA.

Capacidades exigidas e a expectativa de lacunas zero

A aliança da Otan enfrenta atualmente uma pressão sem precedentes, gerando preocupações em alguns países europeus de que Washington possa, eventualmente, se retirar por completo. Uma significativa alteração nas forças que os EUA disponibilizariam em tempos de guerra, como a anunciada, tende a intensificar ainda mais essas apreensões. No entanto, um porta-voz do quartel-general militar da Otan, o coronel do Exército dos EUA Martin O’Donnell, afirmou que as áreas mencionadas pelo general Grynkewich correspondem a setores "onde os aliados já possuem ou em breve terão capacidades suficientes, o que significa que não se esperam lacunas de defesa". O’Donnell complementou sua declaração enfatizando que "as nações apenas precisam atribuir à Otan as capacidades que possuem", indicando que a capacidade total da aliança pode ser mantida através de uma realocação interna de ativos.

Apesar do esclarecimento, O’Donnell não especificou uma data para quando o general Grynkewich esperava que as nações aliadas tivessem substituído as capacidades americanas, especialmente antes da cúpula da Otan em Ancara, que ocorrerá em julho e reunirá os líderes dessas nações. De acordo com um relatório divulgado na semana passada pelo veículo de notícias alemão Spiegel, o número de jatos de combate dos EUA disponíveis para a Otan está programado para diminuir em um terço. Além disso, os Estados Unidos também disponibilizarão um número menor de destróieres e nenhuma embarcação submarina como parte do pool de forças para crises. O relatório detalha ainda que a Europa será compelida a prover seus próprios drones de reconhecimento, enquanto os EUA planejam uma redução significativa na oferta de modelos armados, o que representa um desafio adicional para a autonomia defensiva europeia.

Aprofundar-se nas dinâmicas de segurança e defesa global é essencial para compreender os complexos reajustes estratégicos em curso. Para análises exclusivas e reportagens aprofundadas sobre geopolítica, defesa e segurança internacional, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e mantenha-se informado sobre os desafios e transformações do cenário mundial.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

últimas notícias

PARCERIA