NATO estabelece rede de fornecedores qualificados de sistemas antidrones para nações aliadas

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NATO estabelece rede de fornecedores qualificados de sistemas antidrones para nações aliadas

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Em um passo estratégico para agilizar a modernização e a aquisição de tecnologias de defesa, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) está implementando um projeto-piloto em Riga, na Letônia: a criação de um "mercado" dedicado a sistemas antidrones. Esta iniciativa é parte de um esforço mais amplo da organização para acelerar os processos de aquisição e permitir que os países membros adotem novas tecnologias de forma mais rápida e eficiente, respondendo às demandas dinâmicas do cenário global de segurança.

A aliança estendeu um convite a empresas especializadas para que apresentem seus sistemas de combate a veículos aéreos não tripulados (C-UAS) até meados de maio. Segundo Claudio Palestini, chefe de inovação e adoção de tecnologia da NATO, em um briefing em vídeo com jornalistas na última segunda-feira, a meta é selecionar 18 sistemas nos próximos um a dois meses. O objetivo principal é que os contratos estejam formalizados "até o verão", possibilitando que as nações comecem a adquirir essas soluções através da plataforma de forma expedita.

A nova abordagem da NATO para a aquisição de tecnologia

A relevância desta iniciativa é acentuada pela rápida evolução tecnológica observada na guerra de drones na Ucrânia, onde os ciclos de inovação são medidos em semanas. Diante dessa realidade, a NATO busca afastar os países membros de um modelo de aquisição tradicional, baseado em requisitos rígidos, para um mecanismo mais ágil, fundamentado em desafios e casos de uso específicos. Palestini classificou essa metodologia como "muito adequada" para sistemas autônomos, como drones aéreos, veículos terrestres não tripulados e os próprios C-UAS, que exigem constante adaptação.

Ilustrando essa mudança de paradigma, Palestini fez uma analogia com a compra de produtos de consumo: "Quando compramos telefones ou laptops, não vamos aos fornecedores com nossos requisitos, mas sim ao mercado", disse ele. "Compramos o que melhor se adapta às nossas necessidades. E esse é o espírito que queremos adotar". Essa perspectiva enfatiza a busca por soluções que se alinhem pragmaticamente às necessidades operacionais, em detrimento de especificações excessivamente prescritivas.

O projeto-piloto do mercado é um desdobramento do Plano de Ação para Adoção Rápida, um acordo firmado pelos membros da NATO em junho de 2025 com o propósito de reduzir o tempo de acesso das tropas a tecnologias de ponta. Além da aquisição baseada em desafios, a NATO explora novas modalidades de compra, como a aquisição de "capacidade como serviço" e modelos de arrendamento, conforme detalhou o chefe de inovação. Essas abordagens visam aumentar a flexibilidade e otimizar os investimentos em defesa.

Para o mercado de C-UAS, a NATO busca soluções adaptadas para defesa de ponto, de área e de fronteira. Cada uma dessas necessidades operacionais será atendida por três tipos distintos de sistemas: um sistema de contra-medida estático, outro que possa ser rapidamente implementado (por exemplo, em contêineres) e um sistema totalmente móvel. Essa abordagem multifacetada garante uma capacidade de resposta diversificada contra a gama de ameaças representadas pelos drones.

A partir dos nove casos de uso definidos, a NATO planeja assinar contratos para 18 opções de C-UAS. Serão selecionadas soluções tanto pelo critério de "melhor relação custo-benefício" quanto pela "solução tecnicamente compatível mais barata", proporcionando um leque abrangente de alternativas. Além disso, todos os contratos oferecerão opções de compra direta e de arrendamento, concedendo aos países membros maior flexibilidade financeira e operacional para a aquisição desses sistemas críticos.

Palestini explicou que, "sempre que houver um requisito de uma nação, podemos pegar esses requisitos e tentar mapeá-los com um dos nove casos de uso e, retornando à nação, dizer: 'Ok, esta é a solução que temos para este caso de uso'". Ele ressaltou que isso permitirá aos países "basicamente, adquirir imediatamente, porque isso já passou por um processo pré-completo". Este processo pré-completo inclui a validação técnica e contratual, otimizando significativamente o tempo de resposta da aliança.

Testes, validação e campos de inovação

A NATO também instituiu um fundo comum para que as nações possam testar os sistemas C-UAS antes de qualquer decisão de compra. Esse período de avaliação pode envolver o arrendamento dos sistemas por um ou dois meses, oferecendo aos países a oportunidade de verificar a eficácia e a integração das soluções em seus próprios ambientes operacionais, fundamentando a tomada de decisão em dados concretos.

Como etapa subsequente, a NATO pretende testar as 18 soluções selecionadas conforme procedimentos padronizados. Palestini afirmou que o objetivo é não apenas "ter a possibilidade de fechar contratos rapidamente para as nações, mas também de lhes dar uma garantia razoável do desempenho do sistema no caso de uso que elas preveem". A aliança tem como meta realizar esses testes em setembro, visando reforçar a confiança e a interoperabilidade entre os membros.

Para viabilizar testes rigorosos, a NATO está estabelecendo uma série de "campos de inovação", um deles na Letônia. Nesses locais, a indústria poderá testar produtos em condições reais de operação, e as agências de aquisição nacionais poderão confirmar a funcionalidade e o desempenho da tecnologia. O planejamento prevê a organização de campanhas de teste a cada seis semanas, avaliando não somente o desempenho individual dos sistemas, mas também a sua capacidade de interoperar em cenários conjuntos.

Integrado ao Plano de Ação para Adoção Rápida, a NATO concederá "selos de inovação" (innovation badges) a sistemas que forem aprovados nos procedimentos de teste padronizados. Esses selos servirão como uma certificação visual, atestando o desempenho de um sistema em um determinado cenário para os países membros. A iniciativa prevê que as empresas possam retestar seus sistemas para obter novos selos sempre que houver atualizações ou modificações, incentivando a melhoria contínua e a relevância tecnológica.

A influência da Ucrânia e o futuro estratégico

A experiência da guerra de drones na Ucrânia revelou "ciclos de inovação cada vez mais rápidos", com as táticas de sistemas aéreos não tripulados (UAS) evoluindo, em média, a cada duas ou três semanas no período de 2023-2025, conforme dados apresentados por Palestini. Essa velocidade impõe a necessidade de adaptação acelerada tanto da tecnologia quanto da doutrina militar, sendo "de vital importância" para a NATO assegurar que seus aliados consigam acompanhar esse ritmo.

O oficial da NATO destacou que a urgência no desenvolvimento de soluções C-UAS implica que, embora a aliança promova a aquisição baseada em desafios que priorize a interoperabilidade, ela também reservará "espaço para que soluções inovadoras sejam lançadas no mercado com rapidez". Este equilíbrio é crucial para manter a vantagem tecnológica e a coesão operacional entre os estados membros.

A aliança já havia anunciado, em novembro, a iniciativa "UNITE-Brave NATO", destinada a fomentar o desenvolvimento conjunto de produtos entre empresas dos estados membros e firmas ucranianas. Palestini afirmou que o objetivo é harmonizar a capacidade de inovação ágil da Ucrânia com a "previsibilidade de longo prazo, interoperabilidade e planejamento da NATO", criando sinergias benéficas para toda a aliança.

O Campo de Inovação da NATO na Letônia tem agendadas cinco sessões de teste para empresas em 2026. A primeira, realizada em março, contou com a participação de 17 empresas que testaram seus produtos, incluindo quatro da Ucrânia. Outras 18 empresas testarão suas soluções em maio, incluindo uma empresa ucraniana, reforçando o caráter colaborativo e a busca por excelência tecnológica da iniciativa.

Para se manter atualizado sobre as mais recentes inovações em defesa, as dinâmicas da geopolítica global e os desdobramentos em segurança internacional, siga as redes sociais da OP Magazine. Conecte-se conosco para ter acesso a análises aprofundadas e conteúdo especializado que oferece uma perspectiva única sobre os temas que moldam o futuro da defesa e da segurança.

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Em um passo estratégico para agilizar a modernização e a aquisição de tecnologias de defesa, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) está implementando um projeto-piloto em Riga, na Letônia: a criação de um "mercado" dedicado a sistemas antidrones. Esta iniciativa é parte de um esforço mais amplo da organização para acelerar os processos de aquisição e permitir que os países membros adotem novas tecnologias de forma mais rápida e eficiente, respondendo às demandas dinâmicas do cenário global de segurança.

A aliança estendeu um convite a empresas especializadas para que apresentem seus sistemas de combate a veículos aéreos não tripulados (C-UAS) até meados de maio. Segundo Claudio Palestini, chefe de inovação e adoção de tecnologia da NATO, em um briefing em vídeo com jornalistas na última segunda-feira, a meta é selecionar 18 sistemas nos próximos um a dois meses. O objetivo principal é que os contratos estejam formalizados "até o verão", possibilitando que as nações comecem a adquirir essas soluções através da plataforma de forma expedita.

A nova abordagem da NATO para a aquisição de tecnologia

A relevância desta iniciativa é acentuada pela rápida evolução tecnológica observada na guerra de drones na Ucrânia, onde os ciclos de inovação são medidos em semanas. Diante dessa realidade, a NATO busca afastar os países membros de um modelo de aquisição tradicional, baseado em requisitos rígidos, para um mecanismo mais ágil, fundamentado em desafios e casos de uso específicos. Palestini classificou essa metodologia como "muito adequada" para sistemas autônomos, como drones aéreos, veículos terrestres não tripulados e os próprios C-UAS, que exigem constante adaptação.

Ilustrando essa mudança de paradigma, Palestini fez uma analogia com a compra de produtos de consumo: "Quando compramos telefones ou laptops, não vamos aos fornecedores com nossos requisitos, mas sim ao mercado", disse ele. "Compramos o que melhor se adapta às nossas necessidades. E esse é o espírito que queremos adotar". Essa perspectiva enfatiza a busca por soluções que se alinhem pragmaticamente às necessidades operacionais, em detrimento de especificações excessivamente prescritivas.

O projeto-piloto do mercado é um desdobramento do Plano de Ação para Adoção Rápida, um acordo firmado pelos membros da NATO em junho de 2025 com o propósito de reduzir o tempo de acesso das tropas a tecnologias de ponta. Além da aquisição baseada em desafios, a NATO explora novas modalidades de compra, como a aquisição de "capacidade como serviço" e modelos de arrendamento, conforme detalhou o chefe de inovação. Essas abordagens visam aumentar a flexibilidade e otimizar os investimentos em defesa.

Para o mercado de C-UAS, a NATO busca soluções adaptadas para defesa de ponto, de área e de fronteira. Cada uma dessas necessidades operacionais será atendida por três tipos distintos de sistemas: um sistema de contra-medida estático, outro que possa ser rapidamente implementado (por exemplo, em contêineres) e um sistema totalmente móvel. Essa abordagem multifacetada garante uma capacidade de resposta diversificada contra a gama de ameaças representadas pelos drones.

A partir dos nove casos de uso definidos, a NATO planeja assinar contratos para 18 opções de C-UAS. Serão selecionadas soluções tanto pelo critério de "melhor relação custo-benefício" quanto pela "solução tecnicamente compatível mais barata", proporcionando um leque abrangente de alternativas. Além disso, todos os contratos oferecerão opções de compra direta e de arrendamento, concedendo aos países membros maior flexibilidade financeira e operacional para a aquisição desses sistemas críticos.

Palestini explicou que, "sempre que houver um requisito de uma nação, podemos pegar esses requisitos e tentar mapeá-los com um dos nove casos de uso e, retornando à nação, dizer: 'Ok, esta é a solução que temos para este caso de uso'". Ele ressaltou que isso permitirá aos países "basicamente, adquirir imediatamente, porque isso já passou por um processo pré-completo". Este processo pré-completo inclui a validação técnica e contratual, otimizando significativamente o tempo de resposta da aliança.

Testes, validação e campos de inovação

A NATO também instituiu um fundo comum para que as nações possam testar os sistemas C-UAS antes de qualquer decisão de compra. Esse período de avaliação pode envolver o arrendamento dos sistemas por um ou dois meses, oferecendo aos países a oportunidade de verificar a eficácia e a integração das soluções em seus próprios ambientes operacionais, fundamentando a tomada de decisão em dados concretos.

Como etapa subsequente, a NATO pretende testar as 18 soluções selecionadas conforme procedimentos padronizados. Palestini afirmou que o objetivo é não apenas "ter a possibilidade de fechar contratos rapidamente para as nações, mas também de lhes dar uma garantia razoável do desempenho do sistema no caso de uso que elas preveem". A aliança tem como meta realizar esses testes em setembro, visando reforçar a confiança e a interoperabilidade entre os membros.

Para viabilizar testes rigorosos, a NATO está estabelecendo uma série de "campos de inovação", um deles na Letônia. Nesses locais, a indústria poderá testar produtos em condições reais de operação, e as agências de aquisição nacionais poderão confirmar a funcionalidade e o desempenho da tecnologia. O planejamento prevê a organização de campanhas de teste a cada seis semanas, avaliando não somente o desempenho individual dos sistemas, mas também a sua capacidade de interoperar em cenários conjuntos.

Integrado ao Plano de Ação para Adoção Rápida, a NATO concederá "selos de inovação" (innovation badges) a sistemas que forem aprovados nos procedimentos de teste padronizados. Esses selos servirão como uma certificação visual, atestando o desempenho de um sistema em um determinado cenário para os países membros. A iniciativa prevê que as empresas possam retestar seus sistemas para obter novos selos sempre que houver atualizações ou modificações, incentivando a melhoria contínua e a relevância tecnológica.

A influência da Ucrânia e o futuro estratégico

A experiência da guerra de drones na Ucrânia revelou "ciclos de inovação cada vez mais rápidos", com as táticas de sistemas aéreos não tripulados (UAS) evoluindo, em média, a cada duas ou três semanas no período de 2023-2025, conforme dados apresentados por Palestini. Essa velocidade impõe a necessidade de adaptação acelerada tanto da tecnologia quanto da doutrina militar, sendo "de vital importância" para a NATO assegurar que seus aliados consigam acompanhar esse ritmo.

O oficial da NATO destacou que a urgência no desenvolvimento de soluções C-UAS implica que, embora a aliança promova a aquisição baseada em desafios que priorize a interoperabilidade, ela também reservará "espaço para que soluções inovadoras sejam lançadas no mercado com rapidez". Este equilíbrio é crucial para manter a vantagem tecnológica e a coesão operacional entre os estados membros.

A aliança já havia anunciado, em novembro, a iniciativa "UNITE-Brave NATO", destinada a fomentar o desenvolvimento conjunto de produtos entre empresas dos estados membros e firmas ucranianas. Palestini afirmou que o objetivo é harmonizar a capacidade de inovação ágil da Ucrânia com a "previsibilidade de longo prazo, interoperabilidade e planejamento da NATO", criando sinergias benéficas para toda a aliança.

O Campo de Inovação da NATO na Letônia tem agendadas cinco sessões de teste para empresas em 2026. A primeira, realizada em março, contou com a participação de 17 empresas que testaram seus produtos, incluindo quatro da Ucrânia. Outras 18 empresas testarão suas soluções em maio, incluindo uma empresa ucraniana, reforçando o caráter colaborativo e a busca por excelência tecnológica da iniciativa.

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