A potencial duplicação do pagamento por risco e a expansão das regiões elegíveis para tropas dos EUA emergem como um ponto de destaque na requisição orçamentária do Pentágono para o ano fiscal de 2027. Em um cenário onde os Estados Unidos permanecem engajados em operações com o Irã, esta proposta visa um aumento significativo no estipêndio mensal concedido a militares destacados em áreas onde há risco elevado de fogo hostil ou outras ameaças inerentes às suas funções. O movimento sinaliza uma reavaliação das compensações destinadas ao pessoal em serviço em ambientes operacionais de alto risco, visando reconhecer a gravidade e a frequência dos perigos enfrentados.
Conforme reportado inicialmente por veículos especializados como o Stars and Stripes, as minutas das requisições orçamentárias do Exército e da Força Aérea detalham propostas para elevar os pagamentos adicionais concedidos às tropas em zonas de perigo. O sistema atual permite que os militares recebam ou o pagamento por fogo hostil (Hostile Fire Pay – HFP) ou o pagamento por perigo iminente (Imminent Danger Pay – IDP), mas nunca ambos concomitantemente. A elegibilidade para esses pagamentos é determinada pela localização da missão e calculada diariamente, com uma base de US$ 7,50 por dia, atingindo um teto mensal de US$ 225, refletindo a compensação atual por exposição a riscos.
Aumento proposto e base estatutária do pagamento por risco
Os documentos que fundamentam a requisição orçamentária da Força Aérea explicitam dotações para “aumentos nos pagamentos especiais e de incentivo militar, incluindo o pagamento por fogo hostil/perigo iminente”. Embora o serviço não forneça pormenores adicionais sobre o montante exato do aumento nos documentos de justificação orçamentária, ele afirma que o Pentágono “aumentou as taxas de pagamento por fogo hostil e por perigo iminente para o limite estatutário máximo”, com previsão de entrada em vigor no início do ano fiscal de 2027. De acordo com o Código dos EUA, este teto máximo para aqueles em áreas de fogo hostil é de US$ 450 por mês, o que representa o dobro do limite atual de US$ 225, indicando uma potencial valorização substancial da compensação para os militares.
De forma alinhada, a documentação do Exército também faz menção ao pagamento por fogo hostil ou perigo iminente, estabelecendo que este “não pode exceder US$ 450 por mês”, reiterando o novo teto que está sendo considerado. Contudo, um oficial do Pentágono, que preferiu permanecer anônimo devido à sensibilidade do tema, declarou que o Departamento de Defesa (DoD) ainda não se comprometeu formalmente com o aumento dos pagamentos por missões de risco. O oficial enfatizou ao Military Times que “o departamento avalia continuamente suas políticas para garantir que estejam avançando em sua missão” e que, “neste momento, nenhuma decisão foi tomada para aumentar as taxas atuais para eventos de fogo hostil ou pagamento por perigo iminente”, sugerindo que a proposta ainda está sob escrutínio e não é definitiva.
Revisão contínua e expansão das zonas elegíveis
Paralelamente a estas discussões orçamentárias, uma revisão encomendada através do último orçamento de defesa poderá, em breve, designar ainda mais regiões como elegíveis para o estipêndio por risco. A Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) para o Ano Fiscal de 2026, promulgada em dezembro passado, estabeleceu a obrigatoriedade de uma revisão da lista de áreas qualificadas para o pagamento por risco, mantida pelo Serviço de Finanças e Contabilidade de Defesa (DFAS). Em 2023, as últimas atualizações significativas desta lista incluíram a adição de locais de importância estratégica e geopolítica como o Estreito de Bab-al-Mandeb, a Faixa de Gaza, o Golfo de Áden, o Mar Vermelho e a Ucrânia, refletindo a dinâmica das zonas de conflito global.
A NDAA especificou um prazo de 60 dias para o início da revisão, não devendo ultrapassar 1º de março, e instituiu, pela primeira vez, um processo de revisão rotineiro que avaliará o cenário de conflitos globais a cada cinco anos, a partir de 2031. Este mecanismo visa assegurar que a lista de zonas de perigo permaneça atualizada e responsiva às mudanças no panorama de segurança internacional, garantindo que a compensação por risco esteja alinhada com as realidades operacionais. Atualmente, a lista do DFAS abrange 59 localidades, categorizadas entre permanentes e provisórias, demonstrando a complexidade e a natureza fluida das designações de risco em todo o mundo.
Novas designações de risco em meio a operações estratégicas
Em uma atualização recente, datada de 28 de fevereiro, a lista foi expandida com a inclusão de 19 novas regiões. Todas estas adições estão diretamente ligadas à Operação Epic Fury, a campanha dos EUA contra o regime iraniano, indicando um reconhecimento formal dos riscos elevados nessas áreas em decorrência das operações em curso. Uma nota anexada esclarece que todas essas localidades, que se estendem desde Diego Garcia até o Golfo Pérsico, manterão sua designação de perigo iminente até o final do terceiro mês subsequente à conclusão do conflito. A designação pode ser estendida para quaisquer operações subsequentes dirigidas pelo presidente, ressaltando a natureza contingente e estratégica destas designações. É importante notar que essas inclusões específicas não parecem estar diretamente vinculadas à revisão exigida pela NDAA, e os oficiais de defesa não forneceram uma atualização sobre o progresso desse esforço mais amplo.
Este panorama detalhado sobre as potenciais mudanças nos pagamentos por risco e na expansão das zonas elegíveis sublinha a constante evolução da política de defesa dos EUA. Para se manter atualizado sobre estes e outros desenvolvimentos cruciais em defesa, geopolítica, segurança pública e conflitos internacionais, siga a OP Magazine em nossas redes sociais e acompanhe nossas análises aprofundadas. Seu engajamento é fundamental para o debate informado.










