1ª Divisão de Exército celebra os 81 anos da conquista de Montese e reforça legado da FEB na Segunda Guerra Mundial

Cerimônia realizada em 14 de abril de 2026 reuniu autoridades militares e relembrou um dos episódios mais decisivos da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial

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1ª Divisão de Exército celebra os 81 anos da conquista de Montese e reforça legado da FEB na Segunda Guerra Mundial

Cerimônia realizada em 14 de abril de 2026 reuniu autoridades militares e relembrou um dos episódios mais decisivos da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial

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A realização da solenidade na Vila Militar insere-se no esforço institucional de preservação da memória da FEB.

A 1ª Divisão de Exército (1ª DE) e a Guarnição da Vila Militar realizaram, em 14 de abril de 2026, no Campo de Parada e no Estádio Brigadeiro Sampaio, solenidade alusiva ao 81º aniversário da Tomada de Montese, ação conduzida pela Força Expedicionária Brasileira (FEB) entre 14 e 18 de abril de 1945, no contexto da fase final da Campanha da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. A cerimônia foi presidida pelo General de Divisão Fabiano Lima de Carvalho, comandante da 1ª DE e da Guarnição da Vila Militar, e contou com a presença de autoridades do Alto Comando do Exército e oficiais-generais do Comando Militar do Leste.

Participaram do evento o General de Exército Pedro Celso Coelho Montenegro, chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx); o General de Exército R1 Laerte de Souza Santos, ex-chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas; e o General de Divisão Fernando Bartholomeu Fernandes, diretor de Educação Superior Militar (DESMil), além de oficiais-generais e representantes de diversas organizações militares.

Neste ano, a formatura foi realizada no período noturno e incluiu uma reconstituição histórica da batalha. Recursos de iluminação, efeitos sonoros, narração e dramatização foram empregados para representar o ambiente operacional enfrentado pelos combatentes brasileiros, em contraste com a escuridão do campo de parada. O público, composto por militares, convidados e estudantes de instituições públicas e privadas, acompanhou a apresentação, estruturada como instrumento de difusão da memória histórica e de valorização da atuação da FEB.

Em forma, estavam tropas de unidades herdeiras das tradições da Força Expedicionária Brasileira no Exército Brasileiro, que mantêm elevado nível de prontidão operacional voltado à defesa da soberania nacional, aliado à preservação de seu legado histórico. Também integraram o dispositivo representações do 1º Grupo de Aviação de Caça e da Marinha do Brasil, em referência à atuação dos militares brasileiros nos combates aéreos no teatro italiano e nas operações navais no Atlântico Sul durante a Segunda Guerra Mundial.

A realização da solenidade na Vila Militar insere-se no esforço institucional de preservação da memória da FEB, cuja herança é mantida pela Divisão Mascarenhas de Moraes. A iniciativa reforça o compromisso do Exército Brasileiro com a valorização dos expedicionários que atuaram no teatro europeu, enfrentando forças alemãs em um cenário operacional de alta intensidade, a mais de dez mil quilômetros do território nacional.

A Batalha de Montese: Contexto Estratégico

A Batalha de Montese ocorreu entre 14 e 18 de abril de 1945, no âmbito da Ofensiva da Primavera, operação decisiva conduzida pelos Aliados para romper as últimas linhas defensivas alemãs no norte da Itália. Após a conquista de Monte Castelo e o colapso da Linha Gótica, o avanço aliado encontrou nova resistência na região do rio Panaro, onde forças alemãs estabeleceram uma linha defensiva improvisada, conhecida como Linha Gengis Khan.

Diferentemente da Linha Gótica, estruturada previamente, essa nova linha formou-se de maneira adaptativa, à medida que as tropas alemãs recuavam sob pressão aliada. Montese, embora fosse uma localidade de pequeno porte, assumia relevância estratégica por sua posição dominante no terreno e por controlar acessos à planície do rio Pó. O vilarejo foi intensamente preparado para defesa: vias de acesso foram minadas, edificações evacuadas e posições fortificadas estabelecidas em áreas elevadas.

Ainda que Montese fosse uma localidade de dimensões reduzidas, ela representava, para o comando alemão, o último posto de defesa privilegiado contra o avanço aliado.

As operações de 14 a 18 de abril de 1945

O ataque brasileiro foi estruturado em duas fases operacionais. A primeira visava a conquista de posições dominantes na linha Casone–Il Cerro–Possessione–Cota 745, por meio de patrulhas reforçadas. A segunda fase previa a ruptura do dispositivo inimigo e a tomada do complexo Montese–Cota 888–Montello.

Em 14 de abril, às 10h15, a artilharia divisionária brasileira, sob comando do General Oswaldo Cordeiro de Farias, iniciou intenso bombardeio preparatório sobre as posições alemãs, em coordenação com o ataque da 10ª Divisão de Montanha dos Estados Unidos. O apoio de fogo visava facilitar o avanço do 1º Regimento de Infantaria em direção à localidade de Possessione.

Às 13h30, o 11º Regimento de Infantaria iniciou seu movimento ofensivo com suporte de artilharia, morteiros e cortina de fumaça fornecida por unidade norte-americana. Por volta das 15h, tropas brasileiras já haviam penetrado o perímetro urbano de Montese, desarticulando focos de resistência inimiga e alcançando a linha Maserno–Cotas 806 e 808–Montese–Serretto. Na ação, foram capturados 107 prisioneiros alemães.

Na disputa pelo domínio da região do rio Panaro, a FEB precisou romper uma nova linha defensiva que os alemães haviam estabelecido: a Linha Gengis Khan.

A resistência inimiga, entretanto, manteve-se organizada em posições como Montello e a Cota 758. Apenas no dia 15 de abril, a artilharia brasileira disparou cerca de 9.600 tiros contra essas posições. As baixas brasileiras aumentaram, somando aproximadamente 130 entre mortos e feridos. Durante a noite, unidades do 6º Regimento de Infantaria iniciaram a substituição de elementos do 11º Regimento.

No dia 16, o 1º Regimento de Infantaria ocupou posições em Famaticcia, substituindo tropas norte-americanas e estabilizando o flanco nordeste. A manobra contribuiu para o fechamento do cerco sobre forças alemãs remanescentes. Em 17 de abril, o dispositivo brasileiro foi reajustado para a expulsão definitiva do inimigo, forçando seu recuo na direção de Zocca.

Apesar das vantagens defensivas do terreno elevado, as forças alemãs mantiveram resistência até 17 de abril. Entre os dias 14 e 18, a FEB consolidou o controle da região após combates intensos e prolongados.

O custo humano e a dimensão da destruição

A Batalha de Montese caracterizou-se por elevado custo humano. Entre 14 e 16 de abril, as tropas brasileiras registraram aproximadamente 450 baixas entre mortos e feridos, sendo 90 mortos no conjunto da operação, dos quais 34 durante o assalto inicial.

As perdas civis também foram significativas: 189 habitantes da localidade morreram durante os combates. Do total de 1.121 edificações existentes, 833 foram destruídas, evidenciando o grau de devastação provocado pelo confronto. O ambiente urbano foi marcado por intenso fogo cruzado, emprego de morteiros e destruição generalizada.

A defesa alemã foi favorecida pela topografia, com posições em terreno elevado, além do uso extensivo de minas terrestres, contra-ataques com blindados e apoio de fogos indiretos.

A Batalha de Montese foi, sob todos os aspectos, um combate de elevado custo humano. Em solo montês tombaram 90 soldados brasileiros, dos quais 34 morreram durante o ataque.

Impacto operacional e estratégico

A tomada de Montese teve efeitos decisivos na condução da campanha. A vitória brasileira representou a ruptura da Linha Gengis Khan no vale do rio Panaro, abrindo caminho para o avanço aliado rumo à planície do rio Pó. Esse movimento permitiu a ampliação da Ofensiva da Primavera e contribuiu para o cerco da 148ª Divisão alemã, resultando na captura de cerca de 21 mil militares inimigos.

A operação foi reconhecida pelo comando norte-americano como exemplo de eficácia tática e capacidade ofensiva. A conquista de Montese integrou a chamada Operação Estilhaços e foi determinante para o colapso das defesas alemãs no setor do V Exército dos Estados Unidos.

O comandante do IV Corpo de Exército norte-americano, General Willis D. Crittenberger, destacou o desempenho brasileiro, atribuindo à ação de 14 de abril mérito exclusivo em termos de iniciativa e execução ofensiva, ressaltando o episódio como referência na conquista de áreas urbanizadas sob resistência.

Memória e legado

Atualmente reconstruída, a cidade de Montese preserva a memória da atuação brasileira. Elementos simbólicos como a “Piazza Brasile”, um museu com seção dedicada à FEB nas proximidades da antiga torre medieval utilizada como posto de observação alemão, e manifestações culturais locais — como crianças italianas cantando em português a Canção do Expedicionário — refletem o reconhecimento da população local. Os soldados brasileiros são lembrados como “i liberatori”.

A solenidade realizada na Vila Militar reafirma o papel institucional do Exército Brasileiro na preservação dessa memória histórica, destacando a atuação da FEB como referência de emprego de força expedicionária em ambiente de guerra convencional de alta intensidade, e consolidando o legado de seus combatentes para as gerações futuras.

Hoje, o cenário destruído pela guerra encontra-se reconstruído e as marcas materiais do conflito foram apagadas. Contudo, o sacrificio dos “liberatoris” brasileiros permanece viva na memória local.

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A realização da solenidade na Vila Militar insere-se no esforço institucional de preservação da memória da FEB.

A 1ª Divisão de Exército (1ª DE) e a Guarnição da Vila Militar realizaram, em 14 de abril de 2026, no Campo de Parada e no Estádio Brigadeiro Sampaio, solenidade alusiva ao 81º aniversário da Tomada de Montese, ação conduzida pela Força Expedicionária Brasileira (FEB) entre 14 e 18 de abril de 1945, no contexto da fase final da Campanha da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. A cerimônia foi presidida pelo General de Divisão Fabiano Lima de Carvalho, comandante da 1ª DE e da Guarnição da Vila Militar, e contou com a presença de autoridades do Alto Comando do Exército e oficiais-generais do Comando Militar do Leste.

Participaram do evento o General de Exército Pedro Celso Coelho Montenegro, chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx); o General de Exército R1 Laerte de Souza Santos, ex-chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas; e o General de Divisão Fernando Bartholomeu Fernandes, diretor de Educação Superior Militar (DESMil), além de oficiais-generais e representantes de diversas organizações militares.

Neste ano, a formatura foi realizada no período noturno e incluiu uma reconstituição histórica da batalha. Recursos de iluminação, efeitos sonoros, narração e dramatização foram empregados para representar o ambiente operacional enfrentado pelos combatentes brasileiros, em contraste com a escuridão do campo de parada. O público, composto por militares, convidados e estudantes de instituições públicas e privadas, acompanhou a apresentação, estruturada como instrumento de difusão da memória histórica e de valorização da atuação da FEB.

Em forma, estavam tropas de unidades herdeiras das tradições da Força Expedicionária Brasileira no Exército Brasileiro, que mantêm elevado nível de prontidão operacional voltado à defesa da soberania nacional, aliado à preservação de seu legado histórico. Também integraram o dispositivo representações do 1º Grupo de Aviação de Caça e da Marinha do Brasil, em referência à atuação dos militares brasileiros nos combates aéreos no teatro italiano e nas operações navais no Atlântico Sul durante a Segunda Guerra Mundial.

A realização da solenidade na Vila Militar insere-se no esforço institucional de preservação da memória da FEB, cuja herança é mantida pela Divisão Mascarenhas de Moraes. A iniciativa reforça o compromisso do Exército Brasileiro com a valorização dos expedicionários que atuaram no teatro europeu, enfrentando forças alemãs em um cenário operacional de alta intensidade, a mais de dez mil quilômetros do território nacional.

A Batalha de Montese: Contexto Estratégico

A Batalha de Montese ocorreu entre 14 e 18 de abril de 1945, no âmbito da Ofensiva da Primavera, operação decisiva conduzida pelos Aliados para romper as últimas linhas defensivas alemãs no norte da Itália. Após a conquista de Monte Castelo e o colapso da Linha Gótica, o avanço aliado encontrou nova resistência na região do rio Panaro, onde forças alemãs estabeleceram uma linha defensiva improvisada, conhecida como Linha Gengis Khan.

Diferentemente da Linha Gótica, estruturada previamente, essa nova linha formou-se de maneira adaptativa, à medida que as tropas alemãs recuavam sob pressão aliada. Montese, embora fosse uma localidade de pequeno porte, assumia relevância estratégica por sua posição dominante no terreno e por controlar acessos à planície do rio Pó. O vilarejo foi intensamente preparado para defesa: vias de acesso foram minadas, edificações evacuadas e posições fortificadas estabelecidas em áreas elevadas.

Ainda que Montese fosse uma localidade de dimensões reduzidas, ela representava, para o comando alemão, o último posto de defesa privilegiado contra o avanço aliado.

As operações de 14 a 18 de abril de 1945

O ataque brasileiro foi estruturado em duas fases operacionais. A primeira visava a conquista de posições dominantes na linha Casone–Il Cerro–Possessione–Cota 745, por meio de patrulhas reforçadas. A segunda fase previa a ruptura do dispositivo inimigo e a tomada do complexo Montese–Cota 888–Montello.

Em 14 de abril, às 10h15, a artilharia divisionária brasileira, sob comando do General Oswaldo Cordeiro de Farias, iniciou intenso bombardeio preparatório sobre as posições alemãs, em coordenação com o ataque da 10ª Divisão de Montanha dos Estados Unidos. O apoio de fogo visava facilitar o avanço do 1º Regimento de Infantaria em direção à localidade de Possessione.

Às 13h30, o 11º Regimento de Infantaria iniciou seu movimento ofensivo com suporte de artilharia, morteiros e cortina de fumaça fornecida por unidade norte-americana. Por volta das 15h, tropas brasileiras já haviam penetrado o perímetro urbano de Montese, desarticulando focos de resistência inimiga e alcançando a linha Maserno–Cotas 806 e 808–Montese–Serretto. Na ação, foram capturados 107 prisioneiros alemães.

Na disputa pelo domínio da região do rio Panaro, a FEB precisou romper uma nova linha defensiva que os alemães haviam estabelecido: a Linha Gengis Khan.

A resistência inimiga, entretanto, manteve-se organizada em posições como Montello e a Cota 758. Apenas no dia 15 de abril, a artilharia brasileira disparou cerca de 9.600 tiros contra essas posições. As baixas brasileiras aumentaram, somando aproximadamente 130 entre mortos e feridos. Durante a noite, unidades do 6º Regimento de Infantaria iniciaram a substituição de elementos do 11º Regimento.

No dia 16, o 1º Regimento de Infantaria ocupou posições em Famaticcia, substituindo tropas norte-americanas e estabilizando o flanco nordeste. A manobra contribuiu para o fechamento do cerco sobre forças alemãs remanescentes. Em 17 de abril, o dispositivo brasileiro foi reajustado para a expulsão definitiva do inimigo, forçando seu recuo na direção de Zocca.

Apesar das vantagens defensivas do terreno elevado, as forças alemãs mantiveram resistência até 17 de abril. Entre os dias 14 e 18, a FEB consolidou o controle da região após combates intensos e prolongados.

O custo humano e a dimensão da destruição

A Batalha de Montese caracterizou-se por elevado custo humano. Entre 14 e 16 de abril, as tropas brasileiras registraram aproximadamente 450 baixas entre mortos e feridos, sendo 90 mortos no conjunto da operação, dos quais 34 durante o assalto inicial.

As perdas civis também foram significativas: 189 habitantes da localidade morreram durante os combates. Do total de 1.121 edificações existentes, 833 foram destruídas, evidenciando o grau de devastação provocado pelo confronto. O ambiente urbano foi marcado por intenso fogo cruzado, emprego de morteiros e destruição generalizada.

A defesa alemã foi favorecida pela topografia, com posições em terreno elevado, além do uso extensivo de minas terrestres, contra-ataques com blindados e apoio de fogos indiretos.

A Batalha de Montese foi, sob todos os aspectos, um combate de elevado custo humano. Em solo montês tombaram 90 soldados brasileiros, dos quais 34 morreram durante o ataque.

Impacto operacional e estratégico

A tomada de Montese teve efeitos decisivos na condução da campanha. A vitória brasileira representou a ruptura da Linha Gengis Khan no vale do rio Panaro, abrindo caminho para o avanço aliado rumo à planície do rio Pó. Esse movimento permitiu a ampliação da Ofensiva da Primavera e contribuiu para o cerco da 148ª Divisão alemã, resultando na captura de cerca de 21 mil militares inimigos.

A operação foi reconhecida pelo comando norte-americano como exemplo de eficácia tática e capacidade ofensiva. A conquista de Montese integrou a chamada Operação Estilhaços e foi determinante para o colapso das defesas alemãs no setor do V Exército dos Estados Unidos.

O comandante do IV Corpo de Exército norte-americano, General Willis D. Crittenberger, destacou o desempenho brasileiro, atribuindo à ação de 14 de abril mérito exclusivo em termos de iniciativa e execução ofensiva, ressaltando o episódio como referência na conquista de áreas urbanizadas sob resistência.

Memória e legado

Atualmente reconstruída, a cidade de Montese preserva a memória da atuação brasileira. Elementos simbólicos como a “Piazza Brasile”, um museu com seção dedicada à FEB nas proximidades da antiga torre medieval utilizada como posto de observação alemão, e manifestações culturais locais — como crianças italianas cantando em português a Canção do Expedicionário — refletem o reconhecimento da população local. Os soldados brasileiros são lembrados como “i liberatori”.

A solenidade realizada na Vila Militar reafirma o papel institucional do Exército Brasileiro na preservação dessa memória histórica, destacando a atuação da FEB como referência de emprego de força expedicionária em ambiente de guerra convencional de alta intensidade, e consolidando o legado de seus combatentes para as gerações futuras.

Hoje, o cenário destruído pela guerra encontra-se reconstruído e as marcas materiais do conflito foram apagadas. Contudo, o sacrificio dos “liberatoris” brasileiros permanece viva na memória local.

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